Depois do incidente no alinhamento do Grande Prêmio Presidente da República – o potro Amadeus Mozart disparou duas vezes, não foi retirado e acabou se acidentando na terceira tentativa para entrar no partidor –, o Stud TNT tem estado ausente dos programas oficiais. Para mim, que sou fã de carteirinha da importante coudelaria, a ausência da linda farda deixa o espetáculo menos colorido e emocionante. Os dirigentes do Jockey Club Brasileiro deveriam tentar resolver o problema de forma política. Procurar o titular do stud, Gonçalo Torrealba, e tentar encontrar uma solução para o impasse. O turfe nacional, sem a presença do Stud TNT, é como o futebol brasileiro sem o Corinthians ou o Flamengo. Você pode até não gostar deles, como é o meu caso, mas não pode abrir mão da chance de tentar derrotá–los.
O Stud TNT surgiu como um furacão em 1993, portanto, há 20 anos. Gonçalo armou um autêntico “dream team” formado pelo saudoso treinador João Luiz Maciel, o jóquei Jorge Ricardo e o veterinário Flávio Geo Siqueira. Essas três molas mestras somadas aos coadjuvantes de luxo, Carlos Alberto Silva, o Marimbondo, na função de segundo–gerente, e ao redeador Nelson Marinho formavam equipe da pesada. Na temporada seguinte, impulsionado pelo extraordinário craque Much Better, o Stud TNT ganhou, no mesmo ano, as quatro principais provas da América do Sul: o Latino–Americano, em La Plata; o GP São Paulo, em Cidade Jardim; o GP Brasil, na Gávea; e o GP Carlos Pellegrini, em Buenos Aires, no Hipódromo de San Isidro. Foram três anos de glória até o falecimento de João Maciel, em 1996.
Observador, detalhista e extremamente profissional, Gonçalo Torrealba deu sequência à sua história com Cosme Morgado Neto, Gladston Figueiredo Santos e Ildefonso Coelho Souza até chegar a um denominador comum com o campeoníssimo Venâncio Nahid. Do começo avassalador, com a importação de éguas americanas e corredores com campanha nos Estados Unidos, até os dias de hoje, Gonçalo não parou de se dedicar ao turfe com enorme paixão. Trouxe reprodutores de altíssimo nível, como Royal Academy e Elusive Quality, entre outros. Nos últimos 20 anos, o Stud TNT escreveu uma história fantástica no turfe internacional como proprietário. E agora, o entusiasmo de Gonçalo já o coloca num patamar para lá de especial como criador. Vale a pena os dirigentes tentarem contornar o lamentável desconforto da perda de Amadeus Mozart. Basta pedir pinico ao patrocinador das provas da Tríplice Coroa, fazer um carinho nesse grande turfista e tudo, com certeza, vai acabar bem.
por Paulo Gama