O jornal O Globo publicou na edição desta segunda–feira, dia 19 de agosto, matéria assinada pela jornalista Fabíola Gerbase a respeito do Jockey Club Brasileiro, mais exatamente sobre o descontentamento dos sócios em relação ao aumento na taxa de manutenção dos sócios proprietários, com a finalidade de que seja realizado um pacote de obras na sede da Lagoa.
O reajuste, que costuma ser calculado pelos índices da inflação, elevou a taxa de manutenção de R$ 277,00 para R$ 394,00, incluindo R$ 100,00 além da taxa de inflação. Um acréscimo que, segundo o clube, serviria para custear as intervenções num prazo de três anos. Os sócios defendem que o valor seja cobrado como taxa extra, não incorporada à mensalidade, e protestam contra a decisão, que não foi votado em assembleia, como prevê o estatuto do clube e como ocorreu em 1989, quando a referida taxa de manutenção foi adotada.
A polêmica está aberta.
Alguns sócios afirmam que farão o depósito da taxa judicialmente, outros pretendem conseguir, na Justiça, uma liminar que obrigue a diretoria a aprovar o assunto em assembleia, evitando abrir precedente para que novos aumentos sejam decididos sem a mesma.
O próprio presidente do Jockey Club Brasileiro, Carlos Palermo, percebe que há uma divisão de ideias, inclusive entre os advogados do Jockey, pois um grupo desses advogados que servem de conselheiros entende que o assunto pode ser resolvido no conselho, sem passar por assembleia, mas outro grupo concorda com a posição dos sócios. Segundo Palermo, o valor da taxa de manutenção está defasado e o reajuste foi necessário para custear obras na sede:
“Fizemos um plano de investimento trienal, incluindo obras emergenciais e melhorias, em função do perfil dos novos sócios. Teremos piscina nova, quadras de tênis e pista de skate. Chegamos ao valor de R$ 50 milhões para esses três anos e identificamos três fontes de recurso: parcerias com empresas, o projeto de retrofit da sede do Centro, que depois será alugada, e a taxa dos sócios, que serão diretamente beneficiados pelas obras”, disse o presidente.
O engenheiro civil Antonio Claudio Assumpção, sócio do Jockey Club Brasileiro há 45 anos, acha que o plano de obras é audacioso e até bom para o clube, mas se diz preocupado com os desdobramentos da decisão:
“Amanhã, entra alguém na diretoria com a idéia de construir uma Torre Eiffel no meio do prado. E aí? Haveria um precedente para incluir o gasto na cobrança da taxa de manutenção. Vou pagar a deste mês e devo acompanhar alguns colegas numa ação solicitando que seja feita uma assembleia extraordinária. A taxa deve ser cobrada à parte. Não se discute o valor, mas o conceito, pois o estatuto não prevê isso”, afirmou Assumpção.
da Diretoria