O jornal O Globo está de parabéns, mais uma vez inovou. Lançou ontem seu acervo digital (www.acervooglobo.com.br) contendo todas as edições do Jornal O Globo desde 29 de julho de 1925, quando foi veiculada a sua primeira edição.
Na edição de 12 de julho de 1926, uma segunda feira, dia seguinte a inauguração do Hipódromo da Gávea, o Jornal O Globo tem a sua capa inteiramente de turfe.
“Foi sensacional a inauguração do Hippodromo Brasileiro” foi o título da capa. E a matéria informava logo abaixo do título: “Mais de 30.000 pessoas tiveram entrada no grandioso prado; a renda dos portões elevou–se a quase 100.000$000, e o movimento de apostas attingiu a 475.750$000”.

Na capa, no alto à esquerda, montado por D. Lopez, o cavalo Questor, filho de Sin Rumbo e Miraguaya, vencedor da prova mais importante do dia, o Grande Prêmio “Cruzeiro do Sul", o nosso Derby. No alto à direita, o Presidente da República Dr. Arthur Bernardes quando se dirigia as tribunas. Logo abaixo, o Senador Paulo de Frontin, Presidente do Derby Club acompanhado do Dr. Herbert Moses, tesoureiro do Jockey. Mais abaxo, o potro Rival, invicto e ganhador da eliminatória “Conde de Herzberg” seguro pelo seu jóquei J. Salfate. Fotos ainda de senhoras em frente à arquibancada dos sócios e de família chegando para as corridas. Abaixo, foto das tribunas, literalmente cheias no momento em que todos apreciavam a disputa do páreo “Cruzeiro do Sul”, cujos concorrentes se vêem ao fundo, no princípio da recta de chegada.
A matéria continua na página um, onde relata a chegada do Presidente da República, entrando de automóvel pela pista de grama e descendo defrente da majestosa escadaria da Tribuna dos Sócios, que conduz diretamente a tribuna do Presidente da República, que estava repleta da flôr da diplomacia estrangeira, das delegações sportivas da França, da Argentina, do Uruguay e do Chile, e de todos os ministros de Estado, com exceção do Sr. Miguel Calmon, titular da Agricultura. Presentes também, vários membros do estado–maior do Exército e da Marinha, do gabinete da presidência da República, bem como o Sr. Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro e o seu secretario, quase todos acompanhados de suas exmas. Famílias.
E descreve também sobre o desenrolar dos páreos do dia, sendo que o mais importante, o “Cruzeiro do Sul”, narra da seguinte forma: Tanguary, no “Grande Cruzeiro”, incumbiu–se de regular o “train”, seguido de Quirato até o meio da recta oposta, e, dali em deante, por Questor, sendo que , no fim da curva da Villa Híppica, Queixume firmou–se em 3º, logo acompanhado de Maranguape. A carreira prosseguiu assim até em frente ás tribunas populares, quando Salfate fez correr Queixume. O filho de Ma Choutte avançou com coragem, mas Questor o precedeu na atropelada, passando ambos pelo Tanguary e prosseguindo no avanço até triumphar Questor, por ¾ de corpo.
Tanguary, batendo Maranguape por cabeça, foi 3º a três corpos do 2º.
Wild Eye e Quirato occuparam os últimos postos.
Questor e o seu “runner–up” foram calorosamente festejados ao se dirigirem a repesagem.
A valorosa parelha Tanguary–Maranguape é que se portou mediocremente, ou por ter estranhado o terreno da luta, ou por fadiga proveniente do grande esforço despendido em severas e repetidas provas nesta temporada.
(foram mantidas as mesmas palavras do texto original).
Vale a pena visitar o acervo digital do Jornal O Globo para ver “ao vivo” esta matéria bem como diversas matérias de turfe. Com toda a certeza trarão boas recordações aos turfistas.
Da Redação
Foto: Arquivo Digital Jornal O Globo