Brasil, Argentina, Uruguai
e Chile são os países sul–americanos onde o turfe é mais conhecido. Depois de um bom tempo sem Maroñas,
contentando–se apenas com as corridas em Las Piedras, o turfe uruguaio ressurgiu das cinzas e, hoje, vem
reconquistando seu espaço no cenário do Hemisfério Sul.
Já os outros três importantes centros continuam
atraindo a atenção do mundo. Corredores brasileiros, argentinos e chilenos conseguem resultados expressivos,
principalmente nos Estados Unidos, e as exportações aumentam a cada ano.
Outros países da América do Sul
promovem corridas e, de tempos e tempos, revelam um bom cavalo, como é o caso do Peru, que recentemente apresentou
Caico nos páreos mais competitivos do Uruguai e da Argentina.
Vamos conhecer um pouco mais da história
do turfe sul–americano. Enfim, somos todos do mesmo continente. Esta semana, o RAIA LEVE pretende passear pelos
hipódromos desta região do planeta, que, segundo os mais ricos, faz parte do Terceiro Mundo.
No
Brasil, cinco hipódromos se destacam
O Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, e Cidade Jardim,
em São Paulo, são os centros de maior destaque do país. Tiveram altos e baixos durante suas histórias, mas vão
levando, contando com a paixão de turfistas, criadores e proprietários. Os hipódromos Linneo de Paula Machado
(Campos), Tarumã (Curitiba) e Cristal (Porto Alegre) vêm a seguir e lutam para continuar ativos, apoiados, assim
como os irmãos mais ricos, na dedicação dos aficionados locais. No interior, principalmente o gaúcho, as famosas
pencas conseguem manter viva a atividade. As “retas” parecem estar no sangue e profissionais dedicados continuam
sustentando firme a tradição. O turfe, acima de tudo, é uma grande paixão. Todos os envolvidos permanecem
trabalhando duro e com dedicação, pois amam o que fazem. É uma das poucas atividades onde o coração vale mais do
que o bolso. No interior do Paraná, Uvaranas tem destaque e, notadamente na iniciação de potros, deve ser
considerado uma referência. Não se pode esquecer, também, dos hipódromos que realizam competições da raça
Quarto–de–Milha, como Sorocaba, que, oferecendo prêmios milionários, atrai animais de outros países
sul–americanos.
Na Argentina, três hipódromos de muita força e tradição
No
último dia 7 de maio o Hipódromo de Palermo comemorou 130 anos. É um dos grandes centros de corrida de Buenos
Aires e em recente festa realizada no Dia do Trabalho, teve presença maciça de público, com a realização de 19
provas, sendo quatro de Grupo I. Por suas pistas de areia desfilaram grandes campeões ao longo dos tempos. Palermo
divide com o Hipódromo de San Isidro, dotado de belíssima pista de grama (também promove carreiras na areia), as
corridas semanais. O tradicional GP Carlos Pellegrini, sempre em dezembro, é a data mais imponente. Teve um
período difícil e chegou a ficar fechado por três anos, mas deu a volta por cima e retornou em grande estilo. O
terceiro hipódromo argentino e não menos tradicional é La Plata, conhecido como “El Bosque”. Fica a 60 quilômetros
da capital e mantém as tradicionais programações das terças e quintas–feiras. Sua reunião inaugural ocorreu em 14
de setembro de 1874, com a realização de duas provas marcantes: o Premio Inauguración e o Gran Premio Ciudad de La
Plata.
Na província de Buenos Aires, dois hipódromos ainda se encontram em atividade: Tandil e Azul, que ficam
no interior. Há também o Hipódromo de Hurlinghan. Em Merlo, são disputadas corridas de trote. Em várias províncias
argentinas persistem hipódromos antigos, alguns ainda com pequena movimentação turfística.
No
Chile, cinco hipódromos em atividade
Fundado em 1869, como o primeiro pólo hípico da capital
destinado às corridas de cavalos, o Club Hípico de Santiago teve quase destruídas suas dependências em um grande
incêndio, ocorrido em 1892, mas foi rapidamente reconstruído. Com programas regulares às segundas e sextas–feiras,
em suas pistas são disputadas algumas das mais importantes provas do calendário clássico chileno, como a Polla de
Potrillos e a maior carreira nacional, o El Ensayo. No Club Hípico existem apenas raias de grama e os páreos são
disputados no sentido horário, diferente do nosso. Em uma sociedade que reunia criadores, proprietários,
profissionais e turfistas, surgiu a idéia da criação do Hipódromo Chile. A inauguração aconteceu em 15 de novembro
de 1906. É outro importante promotor de corridas de Santiago. Suas programações, geralmente com 18 provas, são
realizadas sempre às quintas–feiras e sábados. Um projeto que começou a ser idealizado em 1918, terminou
resultando na construção do Club Hípico de Concepcion, hoje, realizando reuniões semanais, às terças–feiras.
Existem, ainda, no Chile, em funcionamento, o Valparaiso Sporting Club e o Club Hípico de
Antofagasta.
No Uruguai, as emoções são em Maroñas e Las Piedras
Dois
hipódromos promovem as corridas de cavalos no Uruguai. Maroñas, que passou por sérios problemas e chegou a ser
desativado por muitos anos, ressurgiu das cinzas e atualmente figura no cenário sul–americano como um dos mais
importantes do continente. Graças à intervenção da Hípica Rio–Platense, que reconstruiu as dependências e garantiu
boas premiações, muitos proprietários brasileiros estão levando para lá os seus corredores. As reuniões em
Montevidéu são aos sábados e domingos. O Hipódromo de Las Piedras, que supriu a paixão dos uruguaios quando da
falência de Maroñas, realiza corridas às quintas–feiras.
Monterrico, o mais famoso do
Peru
Ainda muito novo, o Hipódromo de Monterrico, também conhecido como “El Coloso Del Surco”,
foi inaugurado em 18 de dezembro de 1960 e o cavalo Week End ganhou a primeira prova. Em Lima, há programas às
segundas, quintas, sábados e domingos. A entidade que comanda o turfe peruano é o Jockey Club Del Peru,
regulamentada, por lei, em dezembro de 1945.
Na Venezuela, La Rinconada é o mais
conhecido
No turfe venezuelano, funcionam três hipódromos, mas o principal, localizado em
Caracas, é La Rinconada, onde são disputadas as grandes provas. Mantêm atividade, ainda, os prados de Valencia e
Santa Rita. As corridas em La Rinconada são disputadas aos sábados e domingos; em Valencia, às quintas e sextas,
enquanto em Santa Rita, apenas às quartas–feiras.
Alta tributação prejudicou o turfe na
Colômbia
Muitos hipódromos que existiam na Colômbia tiveram que fechar suas portas, ao longo
dos anos, em razão da alta tributação que pesava sobre os clubes de corridas. Com o fechamento do Hipódromo de Los
Andes, em Bogotá, em 1987, o turfe ficou paralisado por completo. Em 1992 formou–se a Sociedad Promotora Hípica
Antioqueña Ltda., formada por criadores, proprietários e empresários. O mesmo grupo organizou, anos depois, a
Sociedad Hipódromo Los Comuneros e foi responsável pela construção de um hipódromo em Antioquia. Em 1996,
finalmente, foram reativadas as competições, com programações aos sábados, quinzenalmente. Reforçado, dois anos
depois, com a participação da Equus Gaming, que opera o turfe em Porto Rico e detém direitos de simulcasting com
inúmeros prados americanos, o turfe colombiano deslanchou. As reuniões no Hipódromo de Los Comuneros são, sempre,
às quintas–feiras e sábados.
É claro que existem dezenas, talvez, centenas de outros hipódromos não
citados neste levantamento. Mas esta é apenas uma visão geral dos principais hipódromos da América do Sul. A
paixão pelas corridas em nosso continente continua forte. É um sentimento que atravessa
gerações.
por Marco Aurélio Ribeiro
fontes: sites da internet