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Janeiro | 2010

Leguisamo e Orestes, por Milton Lodi
07/01/2010 - 13h12min

Recebi do hipólogo bageense João Orestes Tavares Gonçalves uma simpática correspondência, com informações, resultados obtidos pelo lendário Irineo Leguisamo nas principais provas do turfe argentino.

Irineo Leguisamo era de nascença cego de um olho, nasceu no Uruguai mas desde cedo radicou–se na Argentina, e com um inconfundível modo de montar, marcou de forma definitiva o seu nome e prestígio no mundo do turfe. Idolatrado como hoje são os astros da televisão, do futebol e das músicas, Leguisamo levava aos hipódromos milhares de turfistas, e de gente que queria ver de perto um verdadeiro fenômeno. O seu enorme prestígio era merecido, e para que se tenha uma idéia, ele era o ídolo do melhor jóquei brasileiro de todos os tempos, Luiz Rigoni.

Certa vez, uma revista argentina publicou em desenho uma cópia de uma fotografia de um cavalo correndo, montado por Leguisamo. Foi traçada uma linha pontilhada vertical, que ia até os pés nos estribos. Metade do corpo de Leguisamo estava à frente da linha, e metade atrás, em uma igual distribuição de peso, e que ficava exatamente no centro de gravidade do cavalo, isto é, na cernelha. Assim, com o peso rigorosamente centrado, o peso era melhor suportado, era menos sentido, apresentava–se menor. A postura do Leguisamo beirava a imobilidade, sempre em função do centro de equilíbrio, da gravidade, das duas canas de rédeas na mão esquerda, o braço esquerdo pouco se mexia, as mãos com total sensibilidade no freio do cavalo, e quando o braço direito ia com o chicote apenas alertar, pois o chicote era muito pouco usado e assim mesmo só para instigar, nunca para surrar, o braço direito ia e voltava com rapidez, afim de que a postura fosse preservada com a maior brevidade possível. Cabeça privilegiada, entendimento do ritmo, boas noções de equitação, calma e experiência, um conjunto de detalhes que faziam de Irineo Leguisamo, montando com estribação longa que lhe permitia um perfeito equilíbrio, um jóquei espetacular, eficiente, lúcido, respeitado.

Eu tive a graça de vê–lo por quatro vezes. Uma foi quando do GP Brasil de 1945. Na véspera, como eu costumava fazer em todos os sábados, cheguei ao hipódromo da Gávea às 6 horas da manhã para assistir os trabalhos dos cavalos. A raia ficava aberta das 5 às 9h, de modo que até por volta das 8h o movimento era intenso. Pois naquele sábado, às 6h30 o movimento começou a diminuir muito, e às 6h45 ou 6h50, enquanto cessava o movimento dos cavalos, mais e mais gente chegava para ocupar a tribuna dos profissionais. Jóqueis, treinadores, proprietários e jornalistas acomodavam–se em clima de expectativa. Precisamente às 7h, silêncio. Vindo do estacionamento dos automóveis, apareceu Leguisamo, chegando calmamente para trabalhar o Filón, que correria no dia seguinte o GP Brasil. Vinha de boina e gravata borboleta grenás, camisa de seda creme de mangas compridas, o culote bege e botas marrom claro, daquelas que tinham longos cadarços e que eram amarrados na parte da frente nas muitas presilhas, e em uma das mãos um chicote leve com uma alça. Graças a Deus, aquela marcante imagem nunca mais saiu da minha cabeça, nem da minha memória. O treinador argentino foi ao encontro dele, conversaram sozinhos um pouco. Filón aguardava em mãos do seu cavalariço. O cavalo foi levado para as proximidades do relógio de quatro faces, o cavalariço colocou um pano em Filón e montou, entrou na raia de areia, subindo até o meio da reta de chegada, e dali voltando em galope ritmado, dando uma volta completa. Voltou para as mãos do seu treinador. Enquanto G.Gonçalves segurava Filón, o cavalariço enxugou o cavalo com um pano. O treinador encilhou Filón, ajudou Leguisamo a montar dando–lhe apoio na perna esquerda, e Filón com Leguisamo entrou na raia indo direto e a passo. Depois da seta da milha, no início da reta oposta, iniciou–se um galope bem suave, e Filón fez uma partida de cerca de 700 metros pelo centro da pista, com grande desenvoltura, sem ser exigido, braceando lindamente e com Leguisamo elegante, imóvel, controlando o trabalho com suas mãos sensíveis. Só depois é que as conversas recomeçaram, as opiniões eram todas extasiantes, todos haviam presenciado um espetáculo de técnica e beleza. Leguisamo apeou, falou rapidamente com o treinador, e foi logo cercado principalmente pelos muitos jornalistas que havia à época, sempre com a tranqüilidade daqueles que estão acostumados ao assédio, com simpatia Leguisamo atendeu a todos. O trabalho havia sido apenas para que ele sentisse as condições do cavalo, que eram muito boas. Leguisamo não “carregava o piano”, ele o “tocava” com maestria, isto é, os galopes normais eram em mãos de outros, ele como “virtuose” apenas tirava com maestria o que os cavalos tinham de melhor. O esporte preferido de Irineo Leguisamo era o golfe, e do prado ele foi jogar, atividade que o mantinha em boa forma física. É claro que com o decorrer dos anos Leguisamo diminuiu a freqüência nas pistas, no final só montava em páreos importantes e esporadicamente, mas sempre em boa forma montou com sucesso até os 72 anos de idade.

Outra vez em que o vi foi no dia seguinte, no GP Brasil. A reta final foi um dos mais emocionantes e bonitos momentos vividos no hipódromo da Gávea. Filón por dentro com Leguisamo, com sua postura em total equilíbrio, e Secreto por fora com o fantástico chileno Oswaldo Ulloa, no melhor estilo da maravilhosa escola de bridões. Luta intensa entre as duas melhores escolas de jóqueis, dois profissionais do melhor padrão com estilos completamente diferentes, um quieto e outro em grande movimento. A “tocada” e o vigor de Ulloa eram impressionantes, e Secreto ameaçava Filón, chegou de cansado por duas ou três vezes a se desviar de sua linha aproximando–se lateralmente de Filón, mas esmoreceu no final. A tranqüilidade de Leguisamo e o vigor de Ulloa, naquela maravilhosa demonstração de classe e técnicas fizeram parte de um dos mais lindos momentos da Gávea. Filón figurou como treinado pelo uruguaio Gabino Rodrigues, há muitos anos radicado na Gávea e treinador dos cavalos de José Buarque de Macedo.

Em outra oportunidade, já com Leguisamo mais velho, fui vê–lo montar em um GP Bento Gonçalves, no Cristal. Sua montaria era um bom cavalo argentino, ganhador clássico em Buenos Aires, de nome Vizcaino. Foi um grande sucesso, a presença do lendário jóquei e a acirrada disputa que se antevia entre Vizcaino e a excelente gaúcha Estupenda, lotou o hipódromo. Estupenda era líder de geração, de pedigree nobre, de criação e propriedade do benemérito Breno Caldas, Haras do Arado. A grande indagação era quanto à diferença entre Leguisamo e o jóquei gaúcho local, será que a tordilho Estupenda conseguiria anular a diferença? Dada a partida, como de hábito pelo menos à época no turfe gaúcho, Estupenda foi lançada à frente, e quando o jóquei dela procurou por Leguisamo, ele estava calmamente entre os últimos, em galope ritmado. O jóquei segurou a tordilho fazendo–a retroceder. Na reta oposta, Leguisamo fez Vizcaino ultrapassar uns retardatários, o que foi suficiente para Estupenda ser novamente exigida e procurar fugir do pelotão, e quando o tal jóquei local novamente procurou por Vizcaino, ele continuava a galopar calmamente, com Leguisamo sempre sereno. Novamente Estupenda foi sofreada, deixando a linha de frente e ficando ainda entre os melhores colocados. Ao virar a reta, o que se viu foi a sensacional tordilho ser acionada novamente, tomando a ponta pela terceira vez e tentando fugir, já com vantagem. Mas de repente surgiu Vizcaino, então exigido pelo mestre, e pelo meio da pista passou sem luta e venceu com autoridade, enquanto a formidável égua ainda tinha o 2°. Ficou mais do que evidente, uma troca dos dois jóqueis daria certamente uma categórica vitória à égua.

Vi o grande mestre rapidamente, mais uma vez. Foi no sábado 28 de maio de 1960, quando da vitória de Elizabeth nos 1.000 metros de éguas em Palermo, na festiva semana do Gran Premio 25 de Mayo. Quando as éguas voltaram da raia, e não houve fotografias posteriores, fui da arquibancada para perto do vestiário dos jóqueis, pois queria conversar com o Bolino para saber detalhes da vitória. Fiquei junto à uma cerca que impedia o acesso ao vestiário, mas Leguisamo passou pelo porteiro e entrou. Quando ele saiu, foi cercado por jornalistas, e a eles Leguisamo disse que havia ido conhecer e cumprimentar o jóquei de Elizabeth, que havia corrido de forma primorosa, e para surpresa dele, em lugar de um veterano e experiente jóquei encontrara um moço de 20 anos de idade, certamente com um grande futuro na profissão. Quando o Bolino saiu, ele me confirmou que havia sido cumprimentado pelo mestre Leguisamo.

Essas recordações me vieram quando recebi do hipólogo bageense João Orestes Tavares Gonçalves as informações quanto às vitórias de Leguisamo nas principais provas argentinas, que eram conforme as suas próprias palavras:


– Grande Prêmio Copa de Ouro – 1929 (Caid), 1928 (Copetin), 1930 (Cocles), 1932 (Picapleitos), 1933 (Guapito), 1934 (Codihué), 1935 (Cute Eyes), 1952 (Yatasto), 1955 (Álamo), 1961 (Arturo A.), 1962 (Tierno), 1963 (?) – Total de 12 vitórias.

– Grande Premio Carlos Pellegrini – 1922 ( Cocles), 1930 (Lombardo), 1932 (Payaso), 1934 (Cute Eyes), 1944 (Filon), 1945 (Filon), 1948 (Academico), 1954 (Jungle King), 1961 (Arturo A), 1962 (Tierno) – Total de 12 vitórias.

– Grande Premio Polla de Potros – 1928 (Hechicero), 1930 (Sohopen Havaí), 1933 (Y), 1935 (Rebano), 1939 (Embrujo), 1943 (Blackout), 1949 (Pancho Freddy), 1960 (Cachetero), 1961 (empate entre Fiume e Napolas) – Total de 9 vitórias.

– Grande Premio Polla de Potrancas – 1923 (Grue), 1924 (Ana Tema), 1929 (Salmuera), 1933 (Tauma), 1938 (Ibis), 1940 (La Mission), 1942 (Dalilah), 1946 (Half Crown), 1955 (Las Canas) – Total de 9 vitórias.

– Grande Premio Nacional – 1924 (Lombardo), 1932 (Payaso), 1933 (Requiebro), 1940 (La Mission), 1946 (Sedutor) – Total de 5 vitórias.

– Grande Premio Jockey Club – 1924 (Lombardo), 1925 (Pedanton), 1929 (Cocles), 1932 (Payaso), 1937 (Rolando), 1940 (La Mission), 1946 (Sedutor) – Total de 7 vitórias.

Agradeço ao hipólogo bageense a oportunidade que me deu de rememorar aspectos da rica vida de um jóquei, o inesquecível Irineo Leguisamo, e os dados que me enviou e que foram rigorosamente repetidos.



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