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Dezembro | 2009

CARTA ABERTA
26/12/2009 - 11h47min

Internet

Jockey Club Brasileiro
– AOS SÓCIOS DO JOCKEY CLUB BRASILEIRO –

A Associação Carioca dos Proprietários de Cavalo Puro–Sangue Inglês, reunida em Assembléia Extraordinária, torna público seu profundo descontentamento, mais que isso, seu sentimento de repulsa, com os rumos que tomou a atual administração do Jockey Club Brasileiro (JCB), eleita em maio de 2008.

E não é só porque a gerência do clube hoje se encontra muito abaixo do nível de competência e de conhecimento, requeridos de todos aqueles que pretendem conduzir os destinos da instituição.

Não é só isso. Se fosse, sempre haveria uma solução para melhorar o quadro geral, e recolocar o JCB nos trilhos. É mais que isso.

É o comportamento autocrático, aliado à audácia intelectual de pretender saber – ao arrepio da experiência, acima do bom senso, e desprezando todos os cuidados que o homem de bem adota na condução de seus próprios negócios – o que é melhor para a instituição e seus membros.

É a temeridade de abrir mão, unilateralmente, de vultosos créditos do clube (mais de R$ 6 milhões, em moeda de 2007!), favorecendo diretamente empresa estrangeira, como se o Jockey Club Brasileiro, e seu patrimônio, pertencessem apenas a uma única pessoa, a de seu presidente, e não ao conjunto de seus mais de 5.000 sócios.

É a extinção da estrutura formal de organização do turfe – arquitetada nos moinhos da mente de seu patrocinador – com a substituição dos cargos de vice–presidente de turfe; de presidente da Comissão de Corridas; e de diretor da casa de apostas, pela figura supostamente onisciente do presidente, com todas as nefastas conseqüências para a normal e inteligente condução da atividade.

É o desprezo pelo magnífico conjunto das instalações do Hipódromo Brasileiro – um dos marcos arquitetônicos mais belos da cidade – hoje imundo, dilapidado, canibalizado, praticamente destruído pela incúria e a insensibilidade daquele a quem incumbiria o dever e a responsabilidade de mantê–lo e preservá–lo, como se fosse a sua própria casa.

É a demissão em massa de antigos e leais funcionários, que dedicaram praticamente uma vida à instituição, ora trocados por um bando de "superintendentes" contratados a peso de ouro, cuja única virtude é o total desconhecimento das funções para as quais foram recrutados. E, ao mesmo tempo, cinicamente, vender aos incautos a falácia de que isso se trata de "profissionalização" dos quadros funcionais do clube.

É – totalmente na contramão do que recomendaria qualquer autoridade pública – praticamente acabar com o esquema de vigilância e segurança das áreas do hipódromo e do entorno da sede da Lagoa (mais de 800.000 metros quadrados!), submetendo a riscos intoleráveis a integridade patrimonial e física dos sócios, e de suas famílias.

É abandonar à própria sorte a soberba tribuna social do hipódromo, hoje inteiramente desfigurada, com acesso franqueado a qualquer espécie de público, envergonhando e constrangendo os sócios do clube que ali comparecem, às suas famílias, e a seus convidados.

É, numa palavra, ter imaginado poder tomar de assalto a tradicional e centenária instituição, e decidir o que bem lhe aprouver, sem ter que dar satisfação e prestar conta de seus atos a quem quer que seja. Mesmo que tais decisões se revelem discutíveis e destituídas de senso comum.

Tudo isso não tem qualquer desculpa. Tudo isso é grave. Não é mais possível tolerar e conviver com tanto despreparo para o exercício da função.

Esta Associação não descansará enquanto o Jockey Club:

(1) Não devolver ao turfe sua estrutura formal de comando, histórica e tecnicamente independente dos arroubos e desvarios dessa presidência; (2) Enquanto a voz do quadro social não se fizer ouvir, com toda sua intensidade, em questões que vulneram o patrimônio da instituição; (3) Enquanto não se reverter o insidioso processo de destruição das instalações do Hipódromo Brasileiro; (4) Enquanto os sócios continuarem a ser lesados em seus direitos e expectativas por um clube melhor, e um turfe mais decente, respeitado, organizado e, certamente, muito mais lucrativo; (5) Enquanto o caos, a galhofa, e o escárnio prevalecerem como norma de conduta, em lugar do convívio dos homens de bem, reunidos em torno das lideranças do clube, no projeto comum de recolocá–lo nos rumos de sua grandeza.

Este é, acima de tudo, um alerta, a todos os sócios e a todas as lideranças dos diversos segmentos que compõem o Jockey Club Brasileiro, de que chegou o momento de unir esforços, e pôr termo a tanta insanidade.

Antes que o Jockey Club Brasileiro, e tudo que ele representa de bom, de saudável, e de digno para todos nós, acabe sucumbindo aos desatinos dessa administração.

Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2009.


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