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Outubro | 2009
Paulo Nania: a pista de grama está correspondendo 23/10/2009 - 11h00min
1. Após seis meses da inauguração da pista de grama, como vc. avalia o trabalho que foi feito?
A pista está tendo um bom comportamento. Tem sido um período chuvoso e o índice de transferência da pista está baixo. A não transferência de raia, ajuda aos proprietários, profissionais, apostadores e ao Jockey Club Brasileiro. Formamos uma equipe de manutenção, chefiada pelo Sr. Raimundo, com dedicação exclusiva.
2. A cerca móvel vai continuar?
Ela deve continuar. A cerca móvel é uma ferramenta usada em todos os grandes hipódromos do mundo, ela é de extrema importância, porque possibilita o descanso e a recuperação da grama. Otimizamos a sua montagem, possibilitando mudanças semanais.
Nesse ultimo Arco do Triunfo, a cerca móvel só foi retirada quando correu o primeiro páreo de Grupo 1. Ao contrário do que alguns pensam, quanto mais se aumenta o raio da curva, com a cerca móvel, mais branda ela fica.
A reforma da pista foi feita para que ela pudesse ser usada na sua totalidade, o que significa a possibilidade de uma cerca móvel de até 12 metros. Nesses casos, o campo da prova é limitado, para dar segurança aos animais e aos jóqueis.
3. Alguns turfistas reclamam de poucos páreos na grama. Você preparou uma rotina com o número de páreos que vai aumentando gradativamente. Até quando irá?
Nesses últimos seis meses de uso da pista, aprendemos muito. Observamos sua recuperação, as variações do índice do penetrômetro, o pisoteio, os pontos da pista de maior desgaste, a drenagem, o crescimento vegetativo da grama com diferentes variações de temperatura e luminosidade.
Foram criadas normas especificas para dar sustentabilidade a pista. O numero de páreos foi aumentado gradativamente porque iríamos aprender e conhecer melhor a raia com o seu uso.
Acreditamos na formação de até 20 páreos na pista de grama por semana (sábado e domingo), aproximadamente 1080 por ano. Nossa meta para o percentual de transferência de raia está em torno de 15%, o que significa 900 páreos anuais corridos na grama. Em 2006 foram formados 1221 páreos, com percentual de transferência de 46 %, totalizando 660 páreos corridos.
4. A medida do penetrômetro também mudou. Por quê?
Mudou, estamos seguindo os parâmetros internacionais. O penetrômetro é um aparelho desenvolvido na França que consiste de uma haste com peso de 1 kg que é lançado sobre uma agulha com uma ponta de 1 cm². O impacto do peso sobre essa haste representa o mesmo impacto do casco do cavalo sobre a pista.
A metodologia para se obter o índice do penetrômetro é dada através de três quedas do peso de 1 kg sobre a haste. Essas medidas acumulativas são aferidas e é feita uma média de todos os pontos para se obter o resultado.
Os pontos medidos na pista são: vencedor, 200, 400, 600, 800, 1000, 1200, 1400, 1600, 2000 metros, sempre a 2 e 3 metros da cerca na volta fechada.
Ao todo são 60 marcações e a média da somatória desses pontos apresenta o resultado final expresso em centímetros. O penetrometro é utilizado para a classificação do estado da pista de grama, a saber:
Condição da Pista Índice Penetrômetro Leve 0 a 3,4 Macia 3,5 a 4,4 Pesada Acima de 4,5 Encharcada c/lâmina de 3 mm. de água na pista
5. Por que a introdução do pluviômetro?
O pluviômetro é um equipamento para medir o volume de água da chuva (expresso em milímetros) e foi instalado no prédio da comissão de corridas em lugar de fácil acesso. A leitura deve ser feita diariamente e ajudará a decidir a precipitação pluviométrica da irrigação, além de tomada de decisão na transferência dos páreos para areia durante as corridas.
6. Há poucos dias, a raia foi mudada durante a reunião. Essa é a orientação? Quais os critérios para a mudança?
A mudança foi correta, de acordo com as normas estabelecidas. Nesse dia, após atingir o índice de 6 mm no pluviômetro, a Comissão de Corridas acertadamente transferiu os páreos para a areia.
Entendemos que o critério para transferência de pista, quando ocorrer uma chuva no momento dos páreos, considera que a água infiltra no solo de forma lenta, permanecendo na camada superficial do mesmo, e assim predispõe o gramado a um maior desgaste e arrancamento das plantas.
Abaixo, a tabela para transferência de páreo para areia quando chover durante as corridas:
Índice Penetrômetro Volume de Chuva 0 a 3,0 8 mm
3,0 a 4,0 6 mm 4,0 a 5,0 4 mm
No penúltimo fim de semana, choveu 140 milímetros em 48 hs.; o penetrômetro marcou 7.2, mas 24 horas depois ele estava 6.2. Na segunda–feira, o GP Linneo de Paula Machado foi corrido com um tempo de 120,33 segs, atestando o ótimo estado da pista.
7. E a pista de areia?
A pista de areia está recebendo novos investimentos. O JCB está fabricando equipamentos mais adequados para as dimensões e necessidades da pista em sua serralheria e carpintaria. Também estamos qualificando a mão de obra para sua manutenção. A equipe da pista de areia é comandada pelo Sr. Ronaldo. O JCB comprou um caminhão para umedecimento da pista, especialmente desenvolvido numa fábrica em Barretos, especializada em caminhões e tanques de irrigação. Estamos limpando as canaletas internas da pista para melhorar o fluxo da água da chuva. Na seqüência, iremos começar a limpeza do dreno interno da pista.
O manejo da raia de areia é difícil, pois existem variações de inclinação em sua extensão. De acordo com a intensidade da chuva, ocorre uma erosão laminar da areia existente na pista. A equipe de manutenção está atenta para identificar essas variações e corrigi–las no tempo hábil. Outra característica apresentada é que a pista seca de forma diferente em vários trechos. É impressionante. Com a chegada do caminhão, o JCB passa a ter uma ferramenta para diminuirmos essas variações.
8 – Mais alguma coisa a dizer ?
Desde o primeiro momento que começamos a trabalhar nas pistas do JCB, tivemos do presidente Dr. Luis Eduardo Costa Carvalho o apoio pleno e necessário nesta árdua tarefa.
Gostaria também de agradecer a toda a equipe do JCB responsável pelas raias, que sem a dedicação de todos não chegaríamos onde estamos. Tenho certeza que podemos caminhar ainda mais. Os desafios continuam.
Transcrito do Site do JCB |

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