Quem nunca foi surpreendido por uma palavra às vezes esquisita, desconhecida e muitas vezes incompreensível, em meio ao ambiente das corridas de cavalos? Pensando nisso, o Raia Leve fez um levantamento com profissionais da área para conhecer um pouco mais as expressões e jargões utilizados no turfe, e o resultado não poderia ter sido melhor.
Algumas das expressões são encontradas até mesmo nos dicionários da língua portuguesa, populares no país. É o caso, por exemplo, da palavra MATUNGO que pode ser usada como definição de cavalo ruim. Mas, segundo treinadores, não é só esse o significado. Cavalo matungo é aquele ruim, velho, muito manso ou quase imprestável, em outras palavras, mansarrão.
Outro exemplo encontrado nos dicionários é o termo ARENÁTICO, usado para animais que demonstram preferência por correr na pista de areia. Mas o que dizer do termo GRAMÁTICO? Em alguns dicionários esta palavra sequer aparece e em outros é citada como gíria do turfe para cavalos que correm na grama. Mas, para os profissionais, o termo divide opiniões. Há quem jure de pé junto que gramático está correto e há quem negue e diga que o certo é GRAMEIRO.
E por falar em negar, NEGA, por incrível que pareça é a definição (ausente de qualquer dicionário) do que não se gosta, ou não se aprova. Imagine a seguinte situação: Dois amigos conversam sobre um cavalo que correrá um páreo. Quando um deles não costuma aprovar as apresentações daquele cavalo a frase usada é "Esse cavalo é minha nega.".
Assim como NEGA, existem inúmeras outras expressões que parecem não ter definição, pelo menos não distante do universo de corridas.
BARBADA é sinônimo de BATOM, que significa vitória quase certa. MÁQUINA é o cavalo bom, que corre bem. BOLA é a forma como ficam desorientados os profissionais depois de perderem um páreo. O cavalo GALOPADO é aquele que está TRABALHADO. GALOPÃO é a corrida com passadas mais largas. LEVIANO é quando o animal está mais solto e corre mais leve. Ou leve de peso.
Conhecido ou não, correto ou não, o "turfês" continua vivo para os apaixonados turfistas e mostra, por meio de simples palavras a bela tradição do turfe ainda mantida nas corridas de cavalos. E esses foram apenas uns poucos exemplos.
Danyelle Rodrigues (a encantada repórter que vos escreve)