Roberto Gabizo de Faria comprou um tordilho filho de Duke Of Ragusa e Rondina, por Kranoir, de criação do Haras Santa Maria de Araras. Foi um bom cavalo, que chegou a freqüentar com relativo sucesso a turma mais forte do Hipódromo da Gávea. New Style tinha um problema, era indócil no partidor. Tantas ele fez que acabou sendo retirado no alinhamento de um GP Brasil. O Dr. Roberto então deu o New Style, para o Brigadeiro Octavio Ramos Figueiredo, titular do Haras São Dimas (RJ). Já então registrado como garanhão no Stud Book Brasileiro, New Style iniciou–se na reprodução objeto de esperanças.
Só que uma égua ficou prenha e os exames mostraram que New Style era estéril. Um cavalo com qualidades, completamente são, registrado como reprodutor, e estéril. O que fazer?
Já houve época em que no turfe brasileiro cavalo castrado não podia correr, havia limites para as fêmeas correrem só até os 7 anos e os machos até 8, e hoje não há mais limites de idade, a falecida CCCCN (Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional) impedia a exportação de machos que ela entendia como “raçadores” e como tal poderiam vir a fazer falta a criação nacional, e coisas desse tipo.
Abrindo um parênteses a cerca de “raçadores”, pelo enfoque da Comissão nenhum dos machos criados nos principais haras brasileiros podia ser exportado. E logo surgiu um problema.
O Roberto Seabra vendeu, em uma de suas andanças pela Europa, um cavalo de nome Scherzo, um filho de Royal Forest em égua inglesa, era um bom corredor, com bom e famoso pai, mãe de bom pedigree que sempre transmitia mau gênio.
Fisicamente Scherzo era muito bonito. Para a devida exportação, tinha que haver um “de acordo” da CCCCN, que o negou.
O Roberto foi lá conversar, e foi informado que assim como Scherzo, nenhum cavalo dele poderia ser exportado, pois eram considerados “raçadores”. Como os argumentos não foram levados em conta pela Comissão só restou ao Roberto uma saída. Comunicou–se com o comprador, que queria o Scherzo para corridas de obstáculos, mandou castrar o cavalo e com autenticado atestado veterinário de castração mostrou que Scherzo não era mais um “raçador”.
Voltando ao caso de New Style, só para argumentar porque ele já morreu há muitos anos, será ou seria justo impedir que o cavalo voltasse a correr, mesmo que como garantia ele tivesse que ser castrado?
A atual gestão de Afonso Burlamaqui na Associação Brasileira vai certamente abrir novos horizontes.
(Transcrito da Revista Turf Brasil, n°. 294, de 19/2/09)