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Janeiro | 2009

Pequenas Comparações, por Milton Lodi
16/01/2009 - 01h02min

O ano de 2008 chegou ao final com números interessantes, no que diz respeito às dotações das principais provas dos quatro melhores clubes brasileiros promotores de corridas.

Naturalmente, na análise dos prêmios distribuídos, têm que ser levados em conta os dinheiros dos próprios clubes e de eventuais patrocínios, e não ser considerado o referente ao abominável “added”, que sai do bolso dos próprios proprietários (o tal “added” corre diretamente dos bolsos de proprietários para proprietários), e ainda considerado pelos clubes como um adicional em paralelo que na verdade ocasiona um substancial prejuízo para a maioria dos inscritores.

Em relação às dotações (dinheiro do clube e de eventual patrocínio) para os proprietários dos vencedores, assim se apresentaram os clubes.

1– G.P.Brasil realizado em 03.08.08– R$ 200.000,00 ao proprietário do 1° colocado.
2– G.P. São Paulo, realizado em 18.05.08– R$ 60.000,00 ao proprietário do 1° colocado.
3– G.P.Paraná realizado em 07.12.08–R$ 30.000,00 ao proprietário do 1° colocado.
4– GP Bento Gonçalves em 13.11.08–R$ 18.000,00 ao proprietário do 1° colocado.

O absurdo do tal “added” mascara os verdadeiros números. Os proprietários inscritores são obrigados a pagar taxas absurdas, abusivas. Por mero exemplo, no GPPr a taxa foi de R$ 3.000,00, o que representa 10% da dotação do 1° colocado, sendo metade para reforçar as dotações e outra metade em aposta.

Isso quer dizer que, com 14 animais inscritos, 5 recebem um adicional nas dotações e 9 aumentam o prejuízo. E mais, dos R$ 1.500,00 correspondentes à parte das apostas, um proprietário ganha e 13 perdem. Com R$ 1.500,00 de cada um dos inscritos perdedores o clube “engorda” mais R$ 19.500,00, às custas de apostas forçadas, obrigatórias.

O pior desse abominável “added” é obrigar o inscritor a pagar taxas absurdas sob pena de não ter aceitada a inscrição do seu cavalo.

Nos Estados Unidos os clubes promotores de corridas são particulares, são “business”, existem para ganhar dinheiro, por lucros, e o “added” foi inventado para haver atraente maior distribuição de prêmios sem que os bolsos dos donos dos clubes sejam mexidos. Essa prática seria absurda no Brasil, onde os clubes por Lei não são “business”, mas na verdade é incrível a fascinação que tem o turfe brasileiro por tudo que vem dos Estados Unidos no sentido de transformar o turfe em circo.

O G.P.Paraná foi um mero exemplo, o que ocorreu no GP São Paulo foi ainda mais gritante, os proprietários desembolsando mais que o próprio clube. É uma loucura, um despropósito assistido e participado pelos proprietários.

Será que algum dia alguém vai se dar conta que o inimigo do proprietário, o tal “added”, tem que ser extinto? O curioso é que os defensores do detestável “added” alegam que é uma forma de impedir que animais de menor qualidade corram os melhores páreos, quando na verdade os melhores e os piores continuam a terem os “added” pagos, pois não depende da qualidade dos animais mas dos bolsos dos mais e dos menos abonados. A divisória é a qualidade financeira dos proprietários e não a qualidade técnica dos animais.

Eu não posso dizer que as dotações dos G.P.Brasil, São Paulo, Paraná e Bento Gonçalves, isto é, 200–60–30–18, correspondem a uma seqüência real, de acordo com a grandeza individual atual de cada um dos quatro clubes, mas na verdade, no meu entender, nas circunstâncias, fizeram bonito a Gávea e o Tarumã, e o mesmo não se podendo dizer de Cidade Jardim e Cristal.

Foi a fraqueza financeira dos clubes que deu margem à vida do “added”, pois se as dotações fossem compensadoras não haveria porque os próprios proprietários terem que arcar com mais prejuízos. Os clubes apresentam–se como mais fortes, às custas de maior prejuízo dos proprietários.

Tenho medo que eventualmente um clube resolva fazer pesquisas de opinião a respeito da conveniência ou não em manter o tal “added”, e isso porque uma consulta à comunidade turfística estaria fadada ao insucesso. A maioria pensa que sabe, quer dar palpites, mas não sabe, quem sabe é a minoria pensante, de conhecedores, e dentro dessa minoria meia dúzia de mais afeitos ao problema poderiam ou deveriam discutir e eventualmente decidir, ou pelo menos emitir opinião. O assunto é sério, não há lugar para “achismos”.

Para aqueles que julgam que o eventual cancelamento do “added” iria provocar um número exagerado de inscrições, lembro que há um regulamento muito bem feito pelo JCSP e posteriormente adotado pelo JCB, que técnica e objetivamente determina a ordem preferencial. Não é uma aferição de qualidades, o que daria margem a subjetividade, mas uma aferição de resultados, objetiva.

Uma outra idéia que poderia surgir seria ouvir a opinião dos studs que habitualmente pagam “addeds” para correrem os seus animais. A opinião deles não pode ser a mais importante, a mais definitiva, pois não seria o caso de opiniões calcadas em interesses financeiros, não é opinião de um ou de outro, mas de uma análise técnica, objetiva, estudada sob o prisma de ser ou não correta a aplicação de uma prática que prejudica a maioria, que aumenta o prejuízo da maioria, que para “fantasiar” uma situação não verdadeira se utiliza de conceitos financeiros em detrimento dos técnicos.

O turfe brasileiro tem que se livrar desse detestável “added”.



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