As grandes “vitrines” dos clubes
promotores de corridas são as suas programações clássicas, que espelham, ou deveriam
espelhar, o padrão do turfe lá praticado. Aproximadamente nos últimos 15 anos o Jockey Club
Brasileiro vem se mantendo como clube líder, o que distribui os melhores prêmios, paga esses
prêmios após duas semanas (de 11 a 14 dias), tem enfrentado problemas, mas mantém–se na
liderança, e embora não haja à vista um aumento de prêmios, que já tarda há muitos anos,
passa pelo prolongado momento difícil em clima de esperança. O Jockey Club de São Paulo, que
carrega um custo maior, luta para manter–se, há um sensível enfraquecimento, a pujança de
anos atrás foi substituída por dificuldades até em pagar os pequenos prêmios em três semanas.
Em relação ao seu glorioso passado, promove menor número de páreos com menor número de
concorrentes.
Em um país turfisticamente civilizado, o Governo Federal, o
Ministério da Agricultura e o Ministério da Fazenda já estariam há muito tomado providências
para salvar os turfes carioca, paulista, paranaense e gaúcho, na luta pela sobrevivência. Mas
em nosso país as autoridades não dão a devida atenção à nossa atividade.
Na faixa
abaixo da primeira, que é ocupada pelos Jockeys Clubs Brasileiro e de São Paulo, vêm o do
Paraná e o do Rio Grande do Sul. O que foi visto no Jockey Club do Rio Grande do Sul, quando
do Bento de 2008, só deixou tristezas, turfistas desnorteados tentando manter de pé um clube
sofrido e de perspectivas duvidosas. Apesar do esforço gaúcho, o Bento de 2008 foi
triste.
No primeiro domingo de dezembro, o Jockey Club do Paraná promoveu o seu
páreo maior. O padrão técnico dos corredores continuou muito abaixo do necessário a uma prova
dita de Grupo I, na verdade uma prova especial ou no máximo (com boa vontade) uma prova
listada. Mas aí veio a surpresa, em lugar do que vem acontecendo há muitos anos, o Tarumã
apresentou–se remodelado, bem cuidado, e sobretudo com uma premiação muito acima do que se
poderia alvitrar. Basta dizer que o Derby paulista deu ao proprietário do primeiro colocado,
R$ 22.500,00, o Bento R$ 18.000,00, e o Paraná R$ 30.000,00. E não foi só, as provas “de
apoio” à principal ofereceram cada uma R$ 8.000,00. Para isso, houve trabalho bem feito e
patrocínios, aquilo que estava em parte embutido no tal trabalho que a Associação Brasileira
promoveu mas que politicamente cedeu a ufanismos regionais descabidos. Cada Grande Prêmio que
passa, seja o Brasil do JCB, o São Paulo do JCSP, o Paraná do JCPR e o Bento Gonçalves do
JCRS, cada clube dispõe de um ano pela frente para procurar patrocinadores, tentar
sensibilizar proprietários do Brasil e quem sabe mesmo do exterior para mostrarem as suas
fardas em competidores de padrões dignos de uma prova grupada, fazer uma
propaganda
Dirigida não só para os turfes regionais mas até pelos canais
convencionais de televisão, levar os grandes nomes do turfe brasileiro para entrevistas, etc.
O Jockey Club do Paraná, por ocasião do Paraná de 2008, anunciou ao Tarumã nomes de jóqueis
de grande prestígio como Ricardo, Falero, Lavor, Mazini, Blandi e Moreira, dentre outros que
se constituem em atração, chamam a atenção do mundo turfístico. Com um bonito palco,
premiação condigna, profissionais de renome, só faltou ao Paraná de 2008 corredores de
verdadeiro valor, não animais de padrão discutível, apenas médio, para uma prova dita de
Grupo I. Um grupo de trabalho que comece desde já a “construir” o Grande Prêmio Paraná de
2009, que faça aquilo que estava há muitos anos previsto mas que foi bloqueado pela
incompreensão e vaidade, um trabalho sério com um ano de prazo, daria elementos para o turfe
paranaense pretender vôos mais altos e então merecidos.
Tomara que o G.P.Paraná de
2008 tenha sido um bom e agradável primeiro degrau de uma escadaria que possa levar esta
tradicional prova ao patamar que todos os turfistas desejam.
Quanto ao páreo em si,
foi muito bem disputado, e os seus detalhes mais importantes podem ser
destacados:
1 – Bom público (uma das exigências para vir a ser prova grupada,
mostrar–se uma prova atraente).
2 – Atraso de uma hora e meia, um absurdo que já vem
de longe no turfe brasileiro. Em lugar dos apostadores respeitarem os horários, é o clube que
fica esperando pelos retardatários. Esses atrasos no decorrer do programa, e aí boa parte dos
apostadores já foi embora, fazem as apostas diminuírem. Corridas de cavalos têm que ter hora
de começar e hora de terminar, e só problemas impossíveis de serem resolvidos à tempo podem
atrasar o término previsto para um programa.
3 – Com dois forfaits, o páreo ficou com
12 competidores, número ótimo, pois páreos cheios com 16, 18 ou 20 animais só servem para
prejudicar o tráfego, diminuir os espaços, dar margem a prejuízos indesejáveis.
4 – O
primeiro colocado mostrou que o garanhão nacional Redattore é muito bom. O ganhador Tango Uno
é da primeira geração dele, que é um filho de Roi Normand, de criação do Haras Santa Ana do
Rio Grande. Redattore, nessa sua primeira geração, já havia dado dois ganhadores de
verdadeiras provas de Grupo. Tango Uno, um paulista de criação do Haras Tango, foi
magistralmente montado por Waldomiro Blandi, talvez o mais técnico jóquei de Cidade Jardim.
Largou com velocidade para tomar a ponta, ditou o ritmo que lhe interessava, deixou que o
favorito por ele passasse para poder abrir e pegar uma melhor faixa de terreno e ganhou com
grande autoridade. Se batesse menos e montasse em mais páreos, Waldomiro Blandi certamente
disputaria a estatística de jóqueis de Cidade Jardim.
5 – O segundo colocado foi o
potro paranaense de 3 anos Ama–Tiri, muito bem levado por João Moreira. Apresentou–se na hora
certa, mas Tango Uno correu mais.
6 – O terceiro lugar foi do gaúcho Amigo Gaúcho, e
contou com a habitual boa direção do astro Marcos Mazini.
7 – Em quarto lugar chegou o
tríplice coroado paranaense Uno Campione, que correu muito bem nas mãos de Z.M.Rosa.
8
– O quinto lugar foi do paranaense Starman, dirigido com perfeição por Jorge Ricardo. A turma
era mais forte que a do Bento Gonçalves, e a pista do Tarumã é complicada em termos de
adaptação para forasteiros. Dadas as circunstâncias, chegou onde devia chegar.
9 – Em
acerto político dos mais louváveis, nos dias das principais provas dos melhores quatro clubes
brasileiros promotores de corridas, só haverá programas no clube promotor. Assim, nos dias do
GP Brasil, do São Paulo, do Paraná e do Bento Gonçalves, não haverá corridas nos outros
hipódromos. O aspecto financeiro foi relegado a um segundo plano, e a política decisão vem
para demonstrar a desejada união. Os presidentes do JCRS e do JCB compareceram, assim como
fizeram–se representar Associações de classe, como, por exemplo, pelo presidente da
Associação Carioca de Proprietários de Cavalos P.S.I. O presidente do JCSP não compareceu, e
o seu natural substituto, o presidente da Comissão de Corridas também não foi, tendo sido
então representando o clube, e bem, pela comissária de corridas Sra. Jessie Navajas de
Camargo.
10 – A atual diretoria do JCPR mostrou qualidade, mostrou trabalho,
mostrou–se interessada em tirar o turfe paranaense do regionalismo, de dar ao Paraná uma
prova merecedora de ser de Grupo. A ausência de Pablo Falero não diminuiu o brilho de um
G.P.Paraná de bom padrão. Com um ano pela frente, com tempo mais que suficiente para preparar
o do ano de 2009, pode–se admitir que o JCPR acordou para a realidade, pretende passar de
regional a nacional, quer se integrar à comunidade turfística dentro dos padrões nacionais e
internacionais. O Estado do Paraná é um bom produtor de bons corredores, através os anos vêm
mostrando isso, mas no geral, principalmente na promoção de suas corridas, o entendimento era
fechado, introspectivo, com vaidades despropositadas. E assim permaneceu o JCPR por muitos
anos, agindo de forma indevidamente paralela, anualmente promovendo o seu páreo maior
completamente fora dos entendimentos normais, sem graça, sem categoria técnica. Mas o
Paraná–2008 foi diferente, parece que ressuscitou, e pretende lutar por um patamar técnico
condizente no cenário turfístico brasileiro. Embora com um atraso de muitos anos, o Jockey
Club do Paraná apresentou–se bem, surpreendentemente bem, e a seguir procurando melhorar,
será recebido com palmas pela comunidade turfística brasileira, que certamente ficaria ou
ficará satisfeita com páreo verdadeiramente grupado.
Está de parabéns a nova
diretoria do JCPR. Meus parabéns especiais para o diretor Duílio Berleze.