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Novembro | 2008

Datas, por Milton Lodi
27/11/2008 - 20h29min

No Turfe Brasileiro, não há tradição no que diz respeito às datas da grande maioria dos eventos.

As datas dos G.G.P.P.Paraná e Bento Gonçalves mudam a cada ano. Datas são escolhidas, por necessidade e/ou vontade, quase que ano a ano. Eu mesmo já tive no mesmo dia um Bento, o da vitória do Negroni, e um Diana em Cidade Jardim, e como não tenho faculdade de onipresença, um deles fiquei impedido de assistir. A cada ano uma surpresa, as épocas de realizações se alteram. Houve época em que foi feito um bom trabalho no sentido de um agrupamento novo e definitivo, em outras palavras, nova formulação das provas de Grupo. Trabalho muito bem feito, e que tinha embutida a idéia de que os quatros principais clubes brasileiros promotores de corridas tivessem comissões permanentes visando a boa promoção anual, por exemplo, das quatro provas principais, a número um de cada clube. Assim, o JCB, o JCSP, o JCP, e o JCRS, cada um com a data de realização já definidas, teriam até um ano para trabalhar o páreo. Haveria tempo suficiente para tentar eventuais patrocínios, para contactar as principais coudelarias do país no sentido de mandarem representantes participarem com o prestigiamento de suas fardas, enfim, tempo para boas tentativas. Mas isso foi derrubado por atitudes ufanistas despropositadas, e hoje se vê, cada ano se repetindo, campos de prova ditas de Grupo I sendo vencidas por cavalos sem classe, da faixa de “4 anos com 2 vitórias”, e que levam para casa um inadequado Grupo I. Se cada clube tivesse uma programação anual bem feita, sem o habitual “mexe–mexe”, e uma comissão especial e permanente para cuidar especìficamente da promoção pelo menos da maior prova regional de cada um, em regime ou clima até de competição, certamente não teríamos a pobreza dos campos dos G.G.P.P.Paraná e Bento Gonçalves. Dá pena ver um clube sem condições de pagar os prêmios, ou pagando por uma vitória o equivalente a um mês de trato. E assim possivelmente ficará por longo tempo, pois Jesus não tem freqüentado os hipódromos, e aparentemente pelo menos não há novas boas perspectivas. À falta de um plano estudado e preparado com antecedência, e devidamente trabalhado, o que se pode esperar? Criticar e dar palpites amadores não resolve, já que a grande proposta nacional foi politicamente torpedeada, que cada clube se organize como possa e com a possível antecedência, e ponha–se a trabalhar.

A idéia do JCSP em fazer do Sábado o seu principal dia semanal de corridas foi um passo à frente, dando oportunidade a que os melhores treinadores e jóqueis possam participar diretamente com os seus melhores animais em Cidade Jardim e na Gávea. Mas muita água já passou por debaixo da ponte. A tríplice–coroa paulista, por exemplo, tinha a 1ª prova sempre no feriado de 7 de setembro e a 2ª no de 15 de novembro. Já não é mais assim há algum tempo. No JCB, o G.P.OSAF, o “Brasil das Éguas”, foi relegado a um G II, cedendo o seu lugar, véspera do G.P.Brasil, e indo para o mês de junho.

Vamos raciocinar do princípio, dos mais frágeis. O JCP faria o seu G.P. 30 dias antes do Bento do JCRS, procurando encaminhar o pretendente não para uma, mas duas corridas, primeiro no Tarumã e depois no Cristal, com tempo suficiente para descansar, viajar e correr. Uma grande promoção em duas etapas. Isso não seria novidade, já foi assim. No último trimestre do ano, com um mês de intervalo, primeiro em Curitiba e um mês depois em Porto Alegre, em trabalho sério, profissional e não amadorístico, dentro de um plano conjugado. Não é fácil, mas teria que ser tentado para procurar salvar o que ainda resta. É uma pena que a política ufanista tenha impedido que esse problema tenha sido equacionado há tanto tempo.

Se o ufanismo e a vaidade fossem colocados de lado, e substituídas pela realidade e real vontade de trabalhar no sentido de recuperação, da melhoria trilhando pela técnica e pelo bom senso.

Seria um ótimo reinício.

Há que ser feito um trabalho de cunho nacional, profundo, completo, tirando dos calendários clássicos nomes de diretores que nunca tiveram cavalos e que são indevidamente venerados por terem figurado anos a fio como diretores dos clubes, em alguns casos como pessoas meramente figurativas. A tríplice–coroa carioca merecia os nomes de Pão de Açúcar, Corcovado e Cruzeiro do Sul, nomes mundialmente conhecidos e representativos da beleza do Rio de Janeiro. A última prova da tríplice–coroa paulista feminina, três ou quatro semanas antes do Derby, que é para produtos, dando oportunidade para que eventualmente uma potranca de exceção possa enfrentar os machos. Tivemos na Gávea uma fantástica corrida, quando a tríplice coroada Be Fair enfrentou Super Power, e o duelo está até hoje gravado na memória dos bons turfistas.

Sempre é tempo de se fazer uma coisa útil. Uma comissão apolítica, com a obrigatória participação de Marcos Araújo Ribas de Faria, de Samir Abujamra, de Bertrand Joachim Kauffmann e mais dois formariam um quinteto da melhor expressão técnica.



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