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Novembro | 2008

Época de Ouro, por Milton Lodi
21/11/2008 - 01h53min

O turfe é uma atividade dinâmica, e com a intercionalização cada vez maior, o brasileiro teve através os anos momentos de alta e também de baixa, em termos de resultados qualitativos. Um dos momentos de maior sucesso é representado pela vitoriosa excursão de oito animais brasileiros em maio de 1960 a Buenos Aires, que foram disputar as quatro principais provas da clássica semana do Gran Premio 25 de Mayo, em Palermo e San Isidro. As quatro vitórias foram consagradoras para o turfe nacional em geral, e em particular para a criação paulista. Todos os oito animais, que obtiveram 4 vitórias e 4 colocações eram nascidos e criados em haras paulistas.

Hoje em dia as coisas são diferentes. A criação paulista perdeu uma grande parte do brilho e até a liderança nacional, a maioria dos haras fechou em função da falta de segurança, dos custos, etc. A proximidade cada vez maior das cidades, as indústrias e o comércio “roubando” a mão de obra rural, assaltos às sedes das propriedades, ladrões armados intimidando os criadores e suas famílias enquanto roubam tudo que podem levar dentro dos carros que também são levados, alguns criadores mantendo vigilância armada dia e noite, etc. Assim, os haras que fizeram a grandeza do turfe brasileiro e paulista em torno de 1960, digamos entre 1950 e 1970, foram se extinguindo.

No citado período, entre outros, havia cinco haras paulistas cujos proprietários eram domiciliados no Rio de Janeiro. Hoje, o Haras São José e Expedictus, (família Paula Machado), o mais tradicional, com 100 anos de atividades, transferiu as suas éguas para Bagé, RS, trocando as terras paulistas pelas insuperáveis gaúchas. O Haras Mondesir (família Peixoto de Castro/Palhares) já instalado em Bagé/Aceguá há muitos anos. O Haras Guanabara (irmãos Seabra), Santa Annita (família Rocha Faria) e Ipiranga (família Lodi) simplesmente fecharam as suas porteiras. No citado período, eram esses cinco principais haras paulistas de propriedade de cariocas.

A relação dos haras paulistas de propriedade de paulistas é extensa, e é deplorável o que aconteceu depois daquela época de ouro, mesmo em se considerando o surgimento de alguns importantes como o Inshalla (Naji Nahas), Rosa do Sul (Matias Machline), Bandeirantes (Antonio de Toledo Lara), Interlagos (família Perlman), Expert (família Polacow), San Francesco (família Giobbi), Santa Verônica (família Ferreira Neto), Guayçara (família Naufal) e Tibagi ( Olinto Marques).

Alguns se mantiveram desde aquela época, como o Calunga (família Crespi), Faxina (Henrique de Toledo Lara), Louveira (família Mesquita), Pirassununga (família Pacheco Borges), São Quirino (família Coutinho Nogueira) e América (Serafim Saldanha Correa), e talvez mais uns poucos como Capticórnio, Kigrandi, Santa Luzia da Água Branca, Vale Verde, Philipson, Mariana, etc.

Em contrapartida, além do Castelo (Pedro Artmann) que foi para Bagé, e do São Luiz (família Azevedo Silva) que foi para o Paraná, fecham as suas porteiras, encerraram as suas atividades criacionais haras dos mais significativos, que deixaram um vazio na criação nacional. Dentre muitos outros devem ser citados os Haras Jahú (Nelson de Almeida Prado), Rio das Pedras (João Adhemar de Almeida Prado), Bela Esperança (José Paulino Nogueira), Patente (irmãos Forelli), Recreio (irmãos Cunha Bueno), São Bento (Antonio Luiz Ferraz), Conzo (Pascoal Conzo), Itatinga (Antonio Álvaro Assumpção), Jaçatuba (Erasmo Assumpção), Eduardo Guilherme (Wasfi Julio Zarzur), Brasil (Restom Lahud), Estrela Nova (José Eugênio Rezende Barbosa), Paraíso (Oscar Bianchi), São Bernardo (casal Leithner), Paulistano (Paulo Barreto de Sá Pinto), Pirajussara (Tito Melo Zarvos), São Lázaro (Manoel Justino de Almeida Neto), Santa Therezinha (irmãos Maluf), Bocaina (Luiz Assumpção), Vila Brandina (Lafayete de Souza Camargo), Artim (Timóteo Campos), Prelúdio (Mario d Andrea), São Silvestre (Jorge Wallace Simonsen), São Miguel Arcanjo (Antonio Alves de Moraes), Tibagí (Sebastião Ferreira), Malurica (Ricardo Lara Vidigal), Larissa (Geraldo Bordon), Tamboré (Conde Silvio Álvares Penteado), Pajoco (Paulo José da Costa), Fazenda Nova (Paulo Piza de Lara), Santa Cruz (Theotonio Piza de Lara), Bela Vista (Dante Marchiani), Milano (Agro–Pastoril Santa Cruz), Santa Bárbara (Roberto Alves de Almeida), Jaberave (Jayme Torres), Pinheiros (José Homem de Melo), São João e Graça (Domingos Assumpção), Morro Grande (Edmundo Pires de Oliveira Dias), Maringá (Mario Ribeiro Nunes Galvão), esses e muitos outros. Poderiam ainda ser lembrados os haras Theba, Anhanguera, Porta do Céu, Heva, Iperó, Morumbi, Jatobá, Paineiras H.P., Além Tejo, Danúbio, Polaris, Picolotto, Themis, Favorita, e outros. Esse “apanhado” geral, naturalmente sujeito a eventuais omissões, dá uma idéia do que ocorreu nos últimos tempos com a criação paulista.

Os mais de 40 haras que iniciaram as suas atividades no Estado do Rio renderam–se às evidências, e hoje estão reduzidos a cerca de 10%. Para o Paraná foram o Santa Rita da Serra (Afonso Burlamaqui) e São José da Serra (Sergio Menezes). Mais recentemente lá se instalou o Haras L.L.C. (Claudio Ramos), e ainda mais recentemente o Estrela Energia (Stefan Friborg), esse substituindo o bom Tributo à Ópera (Eugênio Pacelli dos Santos). Para o Rio Grande do Sul foram se instalar o Nacional (Armando Carneiro Junior), o TNT (Gonçalo Torrealba), o Santa Ana do Rio Grande (José Carlos Fragoso Pires), o das Estrelas (Raul Lima), o Anderson (Weber e Anderson Stabile), Eternamente Rio (Luis Felipe Brandão dos Santos), e ainda o paulista Old Friends (Júlio Camargo), para não falar no Doce Vale (Patricia Bozano Grumser) e no Santa Maria de Araras (Júlio Bozano).

A região de Bagé/Aceguá abriga a maior concentração de qualidade do turfe brasileiro.

Voltado à criação paulista, para ela a hegemonia já se foi, a menor quantidade e a menor qualidade mostram uma nova triste realidade, muito diferente daquela da época de ouro.



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