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Outubro | 2008
Programação de Leilões, por Milton Lodi 30/10/2008 - 00h16min
Esse assunto não é novo. A falecida
Sociedade de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida de São Paulo foi criada para que
houvesse um núcleo de turfe fora do Jockey Club de São Paulo, esse à época entendido como
passível de eventual intervenção militar governamental. Idealizada por João Adhemar de
Almeida Prado, Hernani Azevedo Silva e Antonio Luiz Ferraz, entre outros poucos, a Sociedade
teve papel importantíssimo, fundamental no turfe paulista e também no brasileiro.
No
setor de vendas de potros, não havia mais leilões desde alguns anos. Regulamentos obsoletos e
viciados terminaram por extinguir uma prática que vinha de longe. Animais entravam em leilões
já negociados, visando adquirir o direito de participar de provas específicas para os
apresentados em leilão, por exemplo. Os potros entravam em licitação já com preço base
declarada, e logo após o último havia o “repasse”, isto é, nova licitação dos não vendidos
com direito do criador de fixar novo preço–base com até 20% de desconto. Conseqüentemente,
boa parte dos ofertados não era arrematada na primeira oferta, pois muitos aguardavam a nova
apresentação com preços–base mais favoráveis. Havia também a facilidade de financiamento
bancário, mas houve abuso de alguns que se utilizavam vendas fictícias para conseguir
financiamentos; e assim acabaram–se os leilões de potros de São Paulo. Foi essa situação
encontrada pela Sociedade, à época presidida por Hernani Azevedo Silva.
Com
regulamentos adequados e um intensivo trabalho junto aos criadores e os proprietários, os
leilões renasceram, tomaram impulso, e já de algum tempo são realidade.
Os leilões
gerais de potros promovidos pela Sociedade atingiram êxito, resolveram o problema, cada vez
mais vendedores e criadores. De repente, surgiu uma novidade, um só haras, um só vendedor
oferecendo os seus produtos. E assim, muitos dos melhores haras saíram dos leilões gerais e
instituíram os seus leilões particulares. Com o grande desfalque na média da qualidade dos
leilões gerais, comunitários, com a injusta morte da Sociedade de Criadores e Proprietários
de Cavalos de Corrida de São Paulo, os haras menores ficaram em plano muito abaixo.
Associações locais chegaram a não promover leilões regionais, e para as duas principais
praças, Rio e São Paulo, convergiram pràticamente todas as ofertas. As Associações
deixaram–se substituir por agências.
Essa é a situação atual, em conseqüência da
injusta morte da Sociedade, que encontrou o setor abandonado, parado, inerte, e o transformou
em grande sucesso.
Entre os grandes feitos da Sociedade está, entre outros, a criação
da Taça de Prata, sucesso espetacular através dos anos, e que atualmente tem o seu nome em um
outro regulamento, uma promoção de características muito diferentes e de sucesso
questionável, de importância menor.
Afinal, não é a Taça de Prata, mas outra prova,
outro evento, usando o mesmo nome.
De repente, a Associação Brasileira, que “engoliu”
a Sociedade, entendeu de fazer um leilão regional de potros em maio de 2007, e em 2008
repetiu em maio e em junho. Essas promoções se devem, a meu ver, ao “braço paulista” da
Associação Brasileira, promovendo em São Paulo o que era feito pela Sociedade. O Paraná
entendeu o enfoque, e promoveu um leilão local paranaense também de caráter regional. A
Associação do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul mantiveram–se quietas.
Os haras
mais fortes, os maiores investimentos, promovem os seus leilões nas praças do Rio e de São
Paulo. Mas, e os menos fortes? Em São Paulo eles podem contar com o “braço paulista” da
Associação Brasileira, no Paraná com a promoção local, mas e os “pequenos” gaúchos e os
poucos fluminenses? Adianta esperar por iniciativas, ou seria melhor que a Associação
Brasileira procurasse acionar de alguma forma as regionais, procurando dar oportunidade aos
criadores de menor porte? Não sei se as Associações locais têm interesse ou força para
procurar viabilizar essas promoções, quem sabe na falta delas as próprias agências poderiam
suprir essa lacuna, o que eu sei é que os criadores ditos menores estão sem ajuda. |

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