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Setembro | 2008

Rigoni e Tríplices Coroados, por Milton Lodi
18/09/2008 - 11h56min

O Jockey Club Brasileiro, que anualmente faz alterações em seu calendário clássico, inovou para o ano de 2008 quatorze provas, cujos nomes só vem enobrecer a nomenclatura daquelas provas consideradas “não comuns”.

Luiz Rigoni, fora de quaisquer dúvidas o melhor jóquei brasileiro de todos os tempos, verdadeira lenda no cenário turfístico, foi o primeiro novo nome que veio para ficar.

Os demais treze nomes são dos tríplices coroados cariocas, 10 machos e 3 fêmeas.

Em 1941, Talvez !, de criação do Haras Mondesir e de propriedade de Jayme Moniz de Aragão, foi o primeiro. Filho de Taciturno e Voltereta, por Air Raid, Talvez ! era treinado por um dos melhores treinadores que a Gávea conheceu, Oswaldo Feijó, e o seu jóquei habitual era o freio Reduzino de Freitas. Talvez ! foi um excelente corredor, só correndo contra os melhores e obtendo 9 vitórias.

No ano seguinte, 1942, um fato inusitado, veio outro tríplice coroado, Criolan, de criação dos Haras São José e Expedictus, mas que corria para Francisco Eduardo de Paula Machado, filho do criador Linneo. Criolan, filho de Trinidad e Tocaia, por Sin Rumbo, era treinado por Celestino Gómez e montado por Salustiano Batista ou Juan Zuniga. Ele correu as principais provas, e terminou a campanha nas pistas com 10 vitórias.

Onze anos se passaram, até que em 1953, criado pelo Haras Mondesir e de propriedade do casal Peixoto de Castro, veio o tordilho Qüiproquó, o cavalo do coração de D. Zélia. Qüiproquó veio importado no ventre da égua Blue Grass, uma filha de Papyrus, que estava cheia de The Phoenix. Foi dos melhores de sua época, vencendo 16 provas da esfera clássica. Era treinado por Oswaldo Feijó, o mesmo de Talvez !, e seu jóquei era o extraordinário chileno Juan Marchant.

Três anos depois, em 1956, voltou a brilhar o Haras Mondesir como criador e o casal proprietário Zélia Gonzaga e Antonio Joaquim Peixoto de Castro Jr. Timão, um potro de porte médio e de alta qualidade, deu ao Mondesir a terceira tríplice–coroa em quatro. Timão era filho de Swallow Tail e Novem, uma King Salmon, treinamento de Mario de Almeida e tendo como jóquei habitual o clássico Juan Marchant. Timão venceu 9 provas, dentre elas, além da tríplice–coroa carioca, o Derby paulista.

Em 1959, veio Escorial, um filho de Orsenigo e Escoa, por British Empire. Cavalo de padrão e vitórias no plano internacional fazia parte de uma das mais qualificadas gerações produzidas pelo Haras Guanabara. Juan de la Cruz e Francisco Irigoyen eram respectivamente o treinador e o jóquei desse excepcional ganhador de 11 provas.

Vinte anos se passaram, e em 1979 veio African Boy, por Felício e  Liselote, por Maki. Foi ele o segundo tríplice–coroado dos Haras São José e Expedictus, era treinado por Francisco Saraiva e o seu jóquei habitual Edson Ferreira. African Boy obteve 12 vitórias.

Cinco anos depois foi à vez do tordilho Old Máster, um filho de Sabinus e Ice Queen, por Bonnaard. Old Máster era um caso curioso, diferente, pois era filho de nacional (Sabinus) neto de nacional (Hyperio), e na reprodução veio a produzir Bold Máster, também ganhador clássico. Essa seqüência de ganhadores clássicos nacionais em descendência de 4 gerações é muito incomum, raríssima. Old Máster era de criação e propriedade do Haras Santa Maria de Araras, era treinado por Wilson Pereira Lavor e montado por Francisco Pereira Filho, e terminou sua clássica campanha nas pistas com 8 vitórias.

Mais três anos, e am 1987 surgiu o tríplice–coroado Itajara, um filho de Felício e Apple Honey, por Falkland, de criação e propriedade dos Haras São José e Expedictus, treinado por Francisco Saraiva e montado por José Ferreira Reis. Itajara terminou a sua campanha nas pistas com 7 vitórias, e veio a ser um bom garanhão.

Passaram–se mais nove anos até que surgisse um novo tríplice–coroado. Criado no Paraná, Groove ganhou em 1996. Era um filho de Emmson e Boa Moça, por Breeder’s Dream, de criação de Cass–Ko Associados e propriedade de Gilberto Luiz Kopre, treinamento de Cosme Morgado Neto e montaria de Jorge Leme. Venceu 7 páreos.

No ano de 2.000 tivemos um tríplice–coroado de exceção, Super Power, um filho de Roi Normand e Joy Valley, por Ghadeer, de criação do Haras Santa Ana do Rio Grande e de propriedade do Stud Rio Aventura, era treinado por Nelson Marinho, e montado por Juvenal Machado da Silva. Foi um extraordinário líder de turma.

Em resumo, dos atuais 10 machos tríplices–coroados do turfe carioca, 7 foram criados em São Paulo (Talvez !, Criolan, Qüiproquó, Timão, Escorial, African Boy e Itajara), 1 no Rio Grande do Sul (Super Power), 1 no Paraná (Groove) e 1 no Estado do Rio de Janeiro (Old Máster).

Com mais de um tríplice–coroado, 3 do Haras Mondesir (Talvez !, Qüiproquó e Timão) e 3 dos Haras São José e Expedictus (Criolan, African Boy e Itajara).

Além dos 10 machos, 3 fêmeas conseguiram o brilhante resultado.

Em 1991 tivemos Indian Chris, uma filha de Ghadeer e Ocasião, por Waldmeister, de criação e propriedade do Haras Mondesir, treinada por Eduardo Caramori e montaria de Gonçalino Feijó de Almeida.

Em 1998 veio Virginie, uma filha de Legal Case e Misty Moon, por Baronius, de criação e propriedade dos Haras São José e Expedictus, era treinada por Dulcino Ghignoni e montada por Carlos Geovane Lavor.

Em 2000 a terceira fêmea tríplice–coroada, Be Fair, foi um caso interessantíssimo. Be Fair, em relação a Virginie, tinha o mesmo criador, proprietário, mãe (é claro que também o avô materno), treinador e jóquei, a diferença estava em que o pai era Fast Gold.

A tríplice–coroa feminina é mais recente, mas a dos machos vem desde 1933.



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