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Setembro | 2008
www.jcb.com.br, por Milton Lodi 11/09/2008 - 00h55min
No dia 12 de maio de 2008
saiu publicado no “site” do Jockey Club Brasileiro, de autoria do jornalista Mauricio Ielo,
um dos melhores artigos que tenho tido conhecimento. Com rara felicidade, o autor coloca em
evidência pronunciamentos das maiores autoridades hípicas dos Estados Unidos, chamando a
atenção para o visível declínio físico dos produtos norte–americanos, vitimados nas próprias
opiniões deles pela absurda medicação não só nos Hipódromos como também na criação, tudo no
sentido de precocidade induzida e direcionamento para corridas em distâncias curtas. Potros e
potrancas de grande potencial e alto valor, quebrando–se na raia e sendo sacrificados. As
“carrocerias”, montadas em esqueletos anabolizados, não suportam a ação dos remédios cada vez
mais sofisticados e potentes na delirante obsessão de máxima velocidade e aceleração em tiros
curtos, e em raias habitualmente de areia, duras, tudo em função de cronômetros procurando
récords.
A volúpia pela antecipação, pela pressa, pela velocidade inicial cabe muito
bem, me parecem, para corridas de quartos–de–milha, ideais para o gosto norte–americano,
provas em 400 metros, sem tempo para os cavalos respirarem e os jóqueis de pensar.
As
verdadeiramente autoridades norte–americanas no setor turfe, esclarecidas, estão chamando a
atenção para a realidade. Má orientação dos criadores, dos proprietários, dos treinadores e
dos jóqueis, desprezando o equilíbrio, o bom senso, a inteligência, a boa ótica sobre o
complexo mundo do turfe, e a cada ano mais animais “artificializados” estreando cada vez mais
cedo, mais medicados, e naturalmente mais frágeis e fraturando–se na cara do público, que em
sua grande maioria nem sequer sonha com os motivos do indesejado.
Pessoalmente eu não
acredito que os poucos dirigentes norte–americanos que realmente entendem de turfe consigam
sensibilizar os criadores, que “fabricam” quase 38 mil potros por ano, e que são espalhados
pelos, em sua maioria, incompetentes treinadores e jóqueis. É esse o meu pensamento, pois o
mundo de dinheiro que é movimentado no setor é um grande obstáculo quase intransponível. O
problema é cultural. Como impedir que os milhares de criadores norte–americanos abdiquem de
remédios que os fazem competitivos nos leilões, quando eles partem do princípio de que “turfe
é business”?
O Brasil já vem de algum tempo sofrendo as conseqüências do canto do
dólar, em lugar da importação de garanhões com pelo menos índice mínimo aceitável de
qualidade, tem vindo sobras dos Estados Unidos, cavalos medíocres que tem em seus papéis
nomes importantes. E o pior é que nos catálogos em que figuram potros, filhos desses mal
importados, há evidente propaganda enganosa, informações de sucessos mentirosos que não
resistem a sequer aferições superficiais.
É realmente incompreensível, em lugar da
importação de um Nedawi, de um St. Chad ou de um Ghadeer pelas mãos de Samir Abujamra, ou de
um Nugget Point, de um Effervecing ou de um Present the Colors por Bertrand Kauffmann, entre
vários outros de sucesso e de preços razoáveis, repito, em lugar de serviços e caminhos de
gente que entende, cavalos sem categoria, sobras, fracassados entram no país em Haras
brasileiros correspondendo a grandes investimentos, recebendo animais inferiores, que
correram medicados, que não tem qualidade e conseqüentemente não podem transmitir o que não
tem, minando indiretamente o futuro da criação brasileira e diretamente a produção e o bolso
dos criadores. O caso de propagandas até enganosas é criminoso.
Voltando ao brilhante
artigo de Maurício Ielo, se o alerta das autoridades norte–americanas não for ouvido por eles
próprios, que nós, brasileiros, o ouçamos. Vamos parar de comprar cavalos inferiores, na
expectativa lotérica de acertar um tiro no escuro.
Os melhores elementos da criação
brasileira, ou muitos dos bons, logo nas primeiras demonstrações de qualidades são levados
para os Estados Unidos, onde são tradicionalmente “triturados” pela incompetência da grande
maioria dos treinadores de lá, obcecado por partidas violentas e repetidas em distâncias
curtas. Enquanto uns muito poucos levam embora ou trocam os seus animais por dólares, o tufe
brasileiro vai ficando cada vez mais com menos animais bons, e trazendo rebotalhos para
encher as nossas reprodutoras.
Aconselho a quem estiver disposto a conhecer a verdade
a respeito do tema a ler no www.jcb.com.br o artigo do Ielo intitulado “Até os americanos
abriram os olhos. Aqui continuamos ceguetas”, publicado em 12.05.08. |

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