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Maio | 2008

Transmissão da Cor do PSI, por Milton Lodi
22/05/2008 - 11h51min

Transmissão da Cor dos Animais por Herança

Com esse título, o Boletim mensal do Stud Book Paulista, de junho de 1959, publicou um artigo de autoria do Capitão Bela Wodianer, o melhor homem de cavalos, o maior conhecedor entre os hipólogos que tive a felicidade de conhecer. Teoria e prática, experiência e bom senso, ao Capitão não faltava nada no âmbito de PSI. A seguir transcrevo o artigo do mais brilhante dos hipólogos que conheci.

“A transmissão da cor da pelagem, de pais e filhos, nos eqüinos, constitue tema que vem sendo debatido há séculos. Entretanto, o assunto só pôde ser atacado quando os dados foram colhidos do 1° Volume do “Racing Calendar (1772)” e, mais tarde, do 1° Volume do “The General Stud Book” (1793).

Foram tirados dessas obras os dados relativos a este trabalho, tomando–se em consideração as quatro cores bem definidas, isto é, o ALAZÃO, o CASTANHO, o PRETO e o TORDILHO.

Consideramos o animal ALAZÃO, quando a sua pelagem é de um amarelo ou marrom, indo do claro ao mais escuro, com igual distribuição da cor, pelo corpo afora.

Acontece que a crina e a cauda são um pouco mais claras do que o restante do corpo. Não obstante, de um modo geral, a coloração é homogênea por todo corpo. O ALAZÃO é uma cor simples.

A outra cor, mais freqüente, é o CASTANHO. Os animais desta pelagem têm a cauda, a crina e os membros, pretos, sendo que o resto é coberto de pêlos cuja coloração vai do marrom claro até ao quase preto.

O CASTANHO é uma cor composta. Quando o pêlo de um animal ALAZÃO é tão escuro que parece preto, ou a pelagem de um pertencente ao grupo CASTANHO é tão preta que não se distingue da cor dos membros e as da cauda, os descendentes destes dois grupos são sumariamente chamados PRETOS, não se incomodando ninguém de qual dos grupos, se do ALAZÃO ou do CASTANHO, ele de fato descende.

Visto que, no Puro–Sangue Inglês, a cor da pelagem nenhuma influência tem sobre a sua capacidade corredora, não se presta muita atenção a esse particular.

Entretanto, se alguém, por qualquer motivo, resolva criar animais pretos, só chegará a isto, com mais ou menos constância, depois de 3 ou 4 gerações, eliminando, no percurso, tudo o que não seja preto, ou mesmo, sendo preto, se dá filhos de outra cor.

Quando a cor preta parece ter–se firmado, haverá sempre uns 30% de alazões, que não se deixam extirpar, provando com isto que o rebanho pertence a um grupo de alazães, cuja variação mais escura se fixou por seleção.

Chegamos agora aos TORDILHOS. O grupo de TORDILHOS, que existe no Puro Sangue, tem a particularidade de nascer com coloração mais escura, para branquear com a idade.

O característico mais importante desta cor é que, se ela por uma geração desaparecer, só volta se for de novo introduzida.

Isto é valido, mesmo se do cavalo tordilho nasce um poldro de outra cor, ainda que a mãe seja tordilha.

Na criação do PSI só existe hoje uma linhagem de tordilhos, que é a do The Tetrarch, vindo a cor tordilha, em linha masculina e feminina, se revezando há 25 gerações.

Constitui um estudo à parte o dos chamados sinais, que não têm nada com as cores do resto do corpo.

No puro–sangue são superfícies despigmentadas brancas, aparecendo nos membros dianteiros até à altura dos joelhos, e não indo aos traseiros, geralmente, além dos jarretes.

Os sinais que os animais têm na cabeça são de um modo geral, parcialmente sem pigmentação, na sua parte inferior.

A transmissão, por herança, dos sinais é independente da transmissão da cor das outras partes do corpo.

Em animais de outras raças, estes sinais se estendem por outras partes do corpo. Contudo, as partes cobertas com pêlos de outra cor se comportam, de pais a filhos, do mesmo modo que em animais que têm poucos ou nenhuns sinais.

por Milton Lodi



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