Transmissão da Cor dos Animais por Herança
Com
esse título, o Boletim mensal do Stud Book Paulista, de junho de 1959, publicou um artigo de autoria do Capitão
Bela Wodianer, o melhor homem de cavalos, o maior conhecedor entre os hipólogos que tive a felicidade de conhecer.
Teoria e prática, experiência e bom senso, ao Capitão não faltava nada no âmbito de PSI. A seguir transcrevo o
artigo do mais brilhante dos hipólogos que conheci.
“A transmissão da cor da pelagem, de pais e filhos,
nos eqüinos, constitue tema que vem sendo debatido há séculos. Entretanto, o assunto só pôde ser atacado quando os
dados foram colhidos do 1° Volume do “Racing Calendar (1772)” e, mais tarde, do 1° Volume do “The General Stud
Book” (1793).
Foram tirados dessas obras os dados relativos a este trabalho, tomando–se em consideração
as quatro cores bem definidas, isto é, o ALAZÃO, o CASTANHO, o PRETO e o TORDILHO.
Consideramos o animal
ALAZÃO, quando a sua pelagem é de um amarelo ou marrom, indo do claro ao mais escuro, com igual distribuição da
cor, pelo corpo afora.
Acontece que a crina e a cauda são um pouco mais claras do que o restante do
corpo. Não obstante, de um modo geral, a coloração é homogênea por todo corpo. O ALAZÃO é uma cor
simples.
A outra cor, mais freqüente, é o CASTANHO. Os animais desta pelagem têm a cauda, a crina e os
membros, pretos, sendo que o resto é coberto de pêlos cuja coloração vai do marrom claro até ao quase
preto.
O CASTANHO é uma cor composta. Quando o pêlo de um animal ALAZÃO é tão escuro que parece preto,
ou a pelagem de um pertencente ao grupo CASTANHO é tão preta que não se distingue da cor dos membros e as da
cauda, os descendentes destes dois grupos são sumariamente chamados PRETOS, não se incomodando ninguém de qual dos
grupos, se do ALAZÃO ou do CASTANHO, ele de fato descende.
Visto que, no Puro–Sangue Inglês, a cor da
pelagem nenhuma influência tem sobre a sua capacidade corredora, não se presta muita atenção a esse
particular.
Entretanto, se alguém, por qualquer motivo, resolva criar animais pretos, só chegará a isto,
com mais ou menos constância, depois de 3 ou 4 gerações, eliminando, no percurso, tudo o que não seja preto, ou
mesmo, sendo preto, se dá filhos de outra cor.
Quando a cor preta parece ter–se firmado, haverá sempre
uns 30% de alazões, que não se deixam extirpar, provando com isto que o rebanho pertence a um grupo de alazães,
cuja variação mais escura se fixou por seleção.
Chegamos agora aos TORDILHOS. O grupo de TORDILHOS, que
existe no Puro Sangue, tem a particularidade de nascer com coloração mais escura, para branquear com a
idade.
O característico mais importante desta cor é que, se ela por uma geração desaparecer, só volta se
for de novo introduzida.
Isto é valido, mesmo se do cavalo tordilho nasce um poldro de outra cor, ainda
que a mãe seja tordilha.
Na criação do PSI só existe hoje uma linhagem de tordilhos, que é a do The
Tetrarch, vindo a cor tordilha, em linha masculina e feminina, se revezando há 25 gerações.
Constitui um
estudo à parte o dos chamados sinais, que não têm nada com as cores do resto do corpo.
No puro–sangue
são superfícies despigmentadas brancas, aparecendo nos membros dianteiros até à altura dos joelhos, e não indo aos
traseiros, geralmente, além dos jarretes.
Os sinais que os animais têm na cabeça são de um modo geral,
parcialmente sem pigmentação, na sua parte inferior.
A transmissão, por herança, dos sinais é
independente da transmissão da cor das outras partes do corpo.
Em animais de outras raças, estes sinais
se estendem por outras partes do corpo. Contudo, as partes cobertas com pêlos de outra cor se comportam, de pais a
filhos, do mesmo modo que em animais que têm poucos ou nenhuns sinais.
por Milton
Lodi