– Marquito, tudo bem?
O que é Zig, já vai começar a me encher?
Calma, já acordou
nervoso?
Não.
Quero saber se está tudo bem.
Tá tudo certinho.
Tem Argentina e Uruguai?
Só
Argentina.
Quero lhe pedir umas coisas.
Diga.
Lembra de 2002?
Da Copa do Mundo?
Não, do nosso papo
sobre o Turfenet?
Claro que lembro.
Dali saiu um embrião internético.
Foi.
A gestação até que foi
bacana.
É, mas quando veio o aborto...
Nem me lembre disso.
Mas em 2005 a coisa vingou.
Com o pessoal
da Associação.
Quito, e aquele 27 de outubro?
A gente se falou 30 vezes.
Tá bom aqui, vamos mudar
isso?
Foi doideira.
Olha, quero lhe pedir umas coisas?
Pô, como pedes hein? Parece a Madre
Tereza.
Não, veja bem, é que o “moleque” cresceu.
Eu sei bem disso.
Agora, que vai fazer 3 anos, tá cheio
de marra.
Não acho não.
Todo mundo olha pra ele, todos os dias.
Isso é bom.
É, mas ele precisa seguir
humilde, correto
e mantendo a dignidade e o respeito, sem
deixar de seguir sua linha de conduta desde
que
nasceu.
Faz isso pra mim tá?
Deixa comigo.
Mudando de assunto, vais torcer
pelo tricolor na
Libertadores?
Vou, por sua causa.
Vais ao Maracanã?
Claro que não. Aí é demais.
Vais gritar
NENSE.
Tá louco?
Uma vez só.
Já disse que não.
Poxa, eu torci tanto pelo Mengo.
Deixa de ser
besta.
Tá bom, você torcendo já fico feliz.
Ó, mais uma coisa?
Pô, como tu és chato cara, o que
é?
Cuida do Bolão, sem ele o nosso
“moleque” vai derrapar.
Deixa que eu cuido dele.
Ah, outra
coisa.
Peraê, ô, assim eu não agüento.
Calma, periquito, só um
detalhe.
Fala.
NENNNNNNNSEEEE!
Aí eu acordei, assustado, sem saber a diferença entre sonho e
realidade.
Marco Aurélio Ribeiro