O aguardado “duelo” entre Skypilot (Put it Back), do Haras Santa Maria
de Araras, e Fluke (Wild Event), do Haras Doce Vale, ambos, até então invictos, na milha do importantíssimo GP
Juliano Martins (Grupo I), disputado no último domingo, no Hipódromo de Cidade Jardim, reunindo produtos de 2
anos, meio que acabou, ao menos na pista, “roubando” a cena do meeting internacional do GP São Paulo, a festa
máxima do turfe paulista.
A própria seção “Espaço do Leitor”, aqui do Raia Leve, pode ser utilizada como
parâmetro para tal afirmativa. Pouquíssimas manifestações referentes ao brilhante êxito de Jeune–Turc, na carreira
magna, ou mesmo às outras três provas internacionais, e dezenas de e–mails tendo como foco a conturbada reta do
Juliano Martins, que teve a vitória de Skypilot confirmada pela Comissão de Corridas, após “sino de reclamação”
solicitado pelo treinador Venâncio Nahid.
Residente nos Estados Unidos, Alfredo Grumser, titular do Doce
Vale, assistiu várias vezes ao replay da reta frontal da prova, vídeo que recebeu por e–mail, e está inconformado
com o julgamento dos comissários paulistas:
– Ao longo dos meus quase 40 anos no turfe, encarei com
muita ansiedade duas corridas. A primeira, em 1987, quando For Merit enfrentou Itajara na etapa inicial da
Tríplice Coroa carioca, o GP Estado do Rio de Janeiro (Grupo I). Parece–me que foi a única vez que o fenomenal
cavalo da família Paula Machado foi alertado com o chicote. Perdemos, em boa lei, para um craque, excepcional e
invicto. A segunda foi, agora, esse confronto entre o Skypilot e o Fluke, que temos em altíssima
conta.
Grumser prossegue:
– Desta vez, a derrota me pareceu injusta. Nosso potro trazia ação
para passar, o locutor do hipódromo registrou “lá vem o Fluke, ele é famoso...”, e o movimento do adversário,
“saindo de dentro para fora”, fez com que o ímpeto da atropelada do Fluke fosse prejudicado. Numa corrida
“defendida”, os comissários optaram por manter a ordem da pista, a meu ver, numa decisão errada. E não é choro de
mau perdedor, até porque o adversário, sem dúvida, igualmente se trata de um animal de exceção. Porém, entendo
que, se Fluke não tivesse dificuldades para prosseguir em sua trajetória, livre de embaraços, teríamos
vencido.
Na próxima segunda–feira, partindo de Viracopos, em Campinas, Fluke seguirá para os Estados
Unidos. Nos primeiros 40 dias, aproximadamente, ficará alojado no Centro de Treinamento de Lambholm South, em
Ocala, na Flórida. Depois, será enviado para a Califórnia, onde permanecerá aos cuidados de Bobby
Frankel.
– Não podemos imaginar sua estréia antes de, pelo menos, seis meses. À época, será inverno na
Costa Este americana, portanto, a Califórnia é o destino correto, explica Grumser.
Skypilot, por sua
vez, já se encontra alojado na cocheira de Luiz Roberto Feltran, em Curitiba. Retornou na manhã de segunda–feira à
capital paranaense, desembarcando do caminhão à tarde, bem disposto.
– É um potro que não pode ficar
parado muito tempo. Pretendo que na sexta ou no sábado retome os galopes, informa o treinador.
Feltran e
os responsáveis pelo potro viveram momentos de angústia na véspera e na manhã do Juliano Martins. “Cheguei a
admitir que o potro não pudesse correr”, afirma o treinador. As ferraduras dos anteriores ficaram muito apertadas
e, a 24 horas da disputa, Skypilot caminhava com flagrante dificuldade. Precisou ser desferrado, por volta das 18
horas do sábado, e ficou com as “mãos” no gelo até o domingo pela manhã. Não podia, claro, ser medicado e
permanecemos dominados pela ansiedade. Felizmente, novamente ferrado, às 9 da manhã, caminhou e trotou
normalmente, tendo, então, a presença assegurada. Foi um susto danado, revela o profissional.
Caso não
apareça uma proposta multimilionária pelo filho de Put it Back, capaz de despertar o interesse de Julio Bozano, há
duas alternativas para a seqüência da campanha do potro, no Brasil: a suplementação (20% do prêmio ao 1° colocado)
que o habilite a participar da Taça de Prata, para a qual não está inscrito – porém, classificado pelo critério
seletivo –, no final de junho, em Cidade Jardim, ou o GP Ipiranga (Grupo I), 1ª prova da Tríplice Coroa paulista,
dia 6 de setembro, neste caso, talvez, passando por uma carreira preparatória.
por
Zig