Restaurante e Piscina,
uma mistura indigesta
O PT, quem diria, tem
feito escola no Jockey Club Brasileiro, último reduto da aristocracia carioca. O “Bolsa Família” e o “Bolsa Clube
da Lagoa” se mostraram bastante úteis nas pesquisas e nas urnas. No caso do PT, possui um elemento social forte ao
garantir o voto: tapeia a fome do povo. O do Jockey (que também tem reeleito Presidente por lá), vem conseguido
tapear o sócio, que, além de pagar a conta da comida, paga a obra do restaurante.
Saiu uma nova “peça”
da campanha do candidato senhor Luis Eduardo Carvalho que busca desesperadamente recuperar os muitos “pontos” já
perdidos do IBOPE. Mais um programa da série: agora, o Bolsa Clube da Lagoa! Dessa vez, o escolhido para servir de
“cabo eleitoral” aos sócios foi um Parque Aquático... Acena a eles, em troca dos votos necessários que o permita
governar o clube do Salão de Rosas do hipódromo, um novo banho de piscina!, mesmo estando o clube mergulhado num
mar de dívidas! Um verdadeiro espetáculo das águas, de fazer inveja até o Cirque du Soleil!, não o projeto do
arquiteto, mas o malabarismo pra disfarçar e esconder os débitos!
Disse que, tal como o Centro
Gastronômico, por ser novamente grandioso e profundo, vai ser obrigado a abrir o “Parque” ao grande público, mais
que ninguém se preocupe, pois o trampolim, será de uso exclusivo dos sócios do clube.
Eu fico me
perguntando como pode alguém que assumiu em entrevista a Revista Veja (neste final de semana) ter sido
vice–presidente financeiro e conselheiro de uma administração que deixa o clube com dívidas de cerca de 100
milhões de reais, estar brincando de piscina com o quadro social?
Qual tipo de sócio espera convencer o
senhor Carvalho de que ele será um bom presidente após ter sido o pior vice–presidente financeiro da história do
clube? Que tipo de sócio poderá estar realmente interessado em novas piscinas se estamos prestes a ficar sem água?
Que sócios desse clube poderão “cair” novamente no “conto” do Bolsa Clube da Lagoa, quando o caixa do clube está
sem dinheiro para comprar até uma toalha de papel?
Estamos realizando hoje a seguinte
pesquisa?
– Alô? É a Dona Lúcia?
– Pois não, é ela...
– Dona Lúcia, a senhora
recebeu as cartas com as dívidas do Jockey?
– Recebi...
– A senhora tinha idéia que, como sócia,
estava devendo tanto dinheiro?
– Não...
– A senhora pensou que, algum dia, seria inscrita na
dívida ativa da União, na qualidade de uma das maiores devedoras do país?
– Nunca!
– Dona Lúcia,
aqui não é do IBOPE, mas nós gostaríamos de lhe fazer uma pergunta!
– Hem?
– O que a senhora
prefere: Um Presidente que, com o dinheiro das corridas de cavalo, pague as contas que o clube deve, esfriando a
cabeça dos sócios; ou um outro que, para disfarçar a cabeça quente do quadro social (por tanta dívida), use o
dinheiro dos cavalos para construir uma piscina?
Por falar em pesquisa, e por falar em IBOPE, MENTE quem
está divulgando que a última pesquisa deu uma vantagem de 72% para o candidato Carvalho! Trata–se de um súdito,
desesperado, um criminoso que não merece nem fiança e nem a confiança de nenhum sócio, pois o único resultado que
o IBOPE poderá assinar, apresenta, que no auge da campanha, quando ainda nenhum sócio sabia da verdadeira situação
do clube, (quando o projeto do Parque Aquático não era necessário), na mais fluente indução possível, que 41% (e
não 72) estavam naquele momento propensos a dizer (não votar) que apoiariam o Presidente, com 38% de indecisos
(fora uma série de situações que não são exatamente interessantes para eles). Qualquer número, fora esses, é puro
DESESPERO?
O que me dói mais – aqui entre nós, sócios do clube e leitores do GLOBO – é ter absoluta
certeza de que, perdida a eleição, o senhor Carvalho passará um outro longo período de 40 anos (se assim Deus
permitir) o mais distante possível desse quadro social, que hoje tão risonhamente cumprimenta. É ter plena
convicção de que ele voltará pra casa torcendo que a comida do restaurante e o banho de piscina dos sócios do
Jockey sejam servidos no meio na Lagoa Rodrigo de Freitas, para onde apreciará que estejam afundados naquele
momento os criadores, proprietários e os cavalos de corrida do Hipódromo da Gávea...
Artigo encaminhado,
a pedido, ao jornal O GLOBO.
por Jéssica Dannemann