Nos páreos que não do calendário clássico,
isto é, nos páreos ditos comuns, quando há número excessivo de inscrições a Comissão de Corridas divide o mesmo em
quantos necessários (por exemplo, um com 36 inscrições pressupõe 4 de 9 concorrentes, um com 24 em 2 de 12, e
assim por diante).
Nos páreos da programação clássica, no entanto, isso não pode ser feito, cada páreo é
um só, e os melhores inscritos, selecionados conforme bom regulamento instituído pelo Jockey Club de São Paulo e
sabiamente copiado pelo Jockey Club Brasileiro, têm preferência.
O critério de seleção para escolher os
20 melhores é o dos resultados até então obtidos, não uma aferição de eventuais qualidades (que seria subjetiva).
Assim, como mero exemplo comparativo, um cavalo com 2 vitórias, 1 quinto e 7 últimos levaria vantagem sobre um
ganhador de 2 vitórias espetaculares em 2 apresentações. O critério é objetivo, não subjetivo: 2 vitórias e 1
quinto representa mais do que 2 vitórias.
Na Gávea, o número máximo de concorrentes na pista de grama é
20, não há como correrem mais. É comum haver mais de 20 inscritos, é feita a seleção conforme o bom regulamento, e
os excedentes são classificados em lista de suplências. Na medida em que hajam eventuais retiradas dos 20
iniciais, pela ordem, os suplentes ocupam o lote dos que na realidade vão correr.
A idéia de encher a
pista de cavalos até o limite físico possível, na raia de grama da Gávea estipulado em 20, é coisa do passado, do
tempo em que as inscrições eram poucas e colocar mais concorrentes na pista era uma preocupação, páreos cheios em
lugar de vazios. Mas isso é coisa do passado, a média de inscrições por páreo ultrapassava 8, e as provas mais bem
dotadas recebem inscrições mais do que suficientes para uma programação bonita.
No aspecto técnico,
existe, no entanto, um grave problema. Em um páreo de 20 concorrentes há normalmente na prática, no máximo 12 com
reais chances de vitória, que muitas vezes não acontece por prejuízos causados pelo excesso de cavalos, aqueles de
chances pequenas enchem a raia, diminuem os espaços, bloqueiam passagens, impedem um trânsito adequado, enfim,
atrapalham o bom desenrolar e muitas vezes alteram os resultados que seriam normais.
O número 20 é
excessivo, quem sabe diminuir para 18 ou até mesmo 16 mais para a frente. Um primeiro passo, no entanto, é
urgente. Não tem sentido, quando um ou mais concorrentes são retirados por seus responsáveis, e tendo como
decorrência a melhoria das condições técnicas da prova, completar suas ausências com a inclusão de suplentes, isto
é, de corredores que ficaram de fora por haver pelo menos 20 melhores.
Qual é o sentido
disso?
E mais, nesses últimos 100 anos (50 no Rio e 50 em São Paulo) quantos suplentes conseguiram
ganhar? Teria sido um? Quem sabe, dois? Seguramente, não três. Será que isso justificaria encher a pista ao máximo
da capacidade física, de espaço, prejudicando os bons, os melhores inscritos, criando–lhes mais problemas que os
normais inerentes a uma competição?
As boas tradições devem ser mantidas, e as más,
eliminadas.
por Milton Lodi