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Dezembro | 2007

Modernismos nos hipódromos, por Milton Lodi
12/12/2007 - 14h33min

No que diz respeito às corridas, alguns modernismos são ridículos. Veja–se, por exemplo, o caso do uso de tiras de borracha que são colocadas junto às vias aéreas, de jóqueis e de cavalos, sob a alegação que melhoram a respiração. Nada mais falso, grande bobagem, inventada exclusivamente pelo aspecto comercial.

Outra bobagem é a substituição dos tradicionais e ótimos peitorais de tecido elástico, que tradicionalmente são presos nas cilhas, e que fazem parte do bom arreamento. Impedem que o selim "corra", e permite um aperto menor na cilha. Ele hoje está sendo por muitos substituído por um "colarinho", isto é, em lugar de no peito, ele é colocado na parte inferior do pescoço do cavalo e fixado no selim no alto. Parece que andam querendo enforcar os cavalos. Outra prática a meu ver duvidosa é a de amarrar a língua. Acho que o incômodo para os corredores deve ser um inconveniente maior do que uma suposta não comprovada incidência do problema. É possível que uns poucos animais, em pequeníssimo percentual, tenham problemas de "engolir" a língua ou semelhante, prejudicando o melhor desempenho, mas é uma prática tão antinatural que sou forçado a admitir que se trata de mais uma bobagem do turfe norte–americano, que vem sendo copiada por aqueles que se iludem com a idéia de que lá se efetiva o melhor turfe. Engano, lá se pratica o turfe mais comercial, mais rico, mais divulgado, mas tecnicamente defeituoso, com inventivas que não visam senão o aspecto financeiro.

É claro que com o dinheiro aplicado em pesquisas, em estatísticas, na apreciação do dia–a–dia do cavalo de corrida, advêm novas idéias, soluções. Até aí, tudo muito bem. O problema é quando, em função de uma cultura turfística deformada, começam a surgir incoerências, como o tal "ADDED", que tem por objetivo fazer os próprios proprietários pagarem parte das premiações, melhorando para uma pequena minoria e prejudicando grandemente a maioria.

Outra insensatez é a cobrança parcelada e conseqüentemente antecipada das taxas de inscrição, forçando pagamentos muito antes do proprietário saber se o seu cavalo vai ter condições de correr o páreo desejado. Dinheiro tomado dos proprietários, que, se não pagam, não podem inscrever. Um forte esquema publicitário faz o proprietário se esquecer que da dotação apregoada e cantada aos quatro ventos, ele, o proprietário, só vai ficar com 45% (se ganhar).

Aqui no Brasil há outras coisas, além da má cultura turfística norte–americana, para nos ocupar. Por exemplo, colocar entre as ferraduras e as palmas dos cascos uma lâmina de borracha, para diminuir o impacto não só em raias eventualmente muito duras como no asfalto que teima em ser mantido no caminho do prado. Os cavalos que vão correr com agarradeiras, andando no asfalto, alteram os aprumos dos posteriores e de alguma forma danificam essas ferraduras especiais. Temos também que nos ocupar com a necessária volta da Escola de Treinadores e, ainda, com a dos jóqueis. A atual de jóqueis precisa ser melhorada.

Temos hoje um bom número de treinadores sem sensibilidade, guiados apenas pelos cronômetros, temos jóqueis que não se cuidam e a miúde vão montar com excesso de peso, não trabalham o necessário, treinadores e jóqueis que não conhecem o Código Nacional de Corridas. Muitos treinadores presos a rotinas já ultrapassadas, jóqueis estribando curto demais, batendo demais e sem boa mão de rédeas.

Enfim, nós temos muito com que nos preocupar, em lugar de encampar tolices importadas.

por Milton Lodi



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