Aproxima–se a época de amor e de suas
conseqüências. É no segundo semestre de cada ano que ocorrem as coberturas e os nascimentos.
A contar
da data da última cobertura, os potros nascem normalmente entre 15 dias antes e 15 dias depois da prevista
gestação de 11 meses. Como em 1° de julho de cada ano todos os animais nascidos no hemisfério sul completam
oficialmente o aniversário, embora sejam livres as datas das coberturas, os criadores mais conscientes começam a
estação de monta em seus haras a partir de 15 de agosto, considerando os previstos 11 meses de gestação e os
eventuais adiantamentos de até 15 dias. Criadores mais afoitos às vezes cobrem antes de 15 de agosto, é um direito
deles, mas arriscam a serem surpreendidos com nascimentos em junho, o que representa grande prejuízo, pois no dia
1° de julho todos completam oficialmente mais um ano. Com a técnica moderna na criação brasileira, que transformou
um índice de nascimentos potros/éguas, de aproveitamento menor que 50% em apreciáveis 75%, mesmo havendo garanhões
que recebem até mais de 100 éguas cada, cobrir as éguas antes de 15 de agosto é risco desnecessário e sem sentido
(ganhar mais uma ou duas semanas vale o risco?).
Entre outras, há algumas novidades para o atual 2°
semestre. Em São Paulo, no Haras Calunga, vai trabalhar SULAMANI, em sistema de "shuttle", cavalo dos
mais pretensiosos em distâncias não curtas. Também em "shuttle", HARD BUCK vai ficar sediado no Haras
Capricórnio. Bom cavalo esse HARD BUCK, com boa campanha no Brasil e nos Estados Unidos e um brilhante 2° lugar na
Inglaterra no King George and Queen Elizabeth Stakes. MAJOR STORM, no Haras Vale Verde, e METEOR STORM, no Haras
Figueira do Lago, vão reforçar a criação paulista. No Paraná, um dos maiores brasileiros ganhadores nos Estados
Unidos, REDATTORE, um filho de ROI NORMAND, que já esteve também em "shuttle" no Brasil no ano passado,
e que vai trabalhar no Haras São José da Serra.
REDATTORE já tem filhos nascidos e considerados muito
bons. Também no Paraná, ambos em caráter definitivo, no Haras Springfield, vai se iniciar AMIGONI, o primeiro
filho de DANEHILL a vir para o nosso país, e no Haras Santarém, TIGER HEART é outro grande reforço. No Rio Grande
do Sul, especificamente no maior e melhor centro criacional do país que é Bagé, a atração é a vinda, em
"shuttle", de NORTHERN AFLEET para os Haras TNT, Araras e Old Friends, uma grande esperança. O TNT já
está bem servido de garanhões (Know Heights, Dubai Dust, First American, etc.), e ainda vai cobrir éguas na
Argentina, assim como o Mondesir, por exemplo, além de contar no próprio haras com o ótimo NEDAWI. Para o Haras
das Estrelas, vem uma grande esperança, HOLZMEISTER. A maciça importação de garanhões em "shuttle" que a
Argentina está fazendo, de reprodutores altamente qualificados, em investimentos fora da realidade brasileira,
obriga a ida de éguas para serem cobertas no país vizinho. Essa prática vai elevar a Argentina a um destaque cada
vez maior na criação sul–americana. Em supérflua análise, a Argentina responde ao esforço brasileiro com cerca do
triplo de garanhões para nós de preços proibitivos.
Em Bagé, a morte de ROI NORMAND abre um claro a ser
preenchido sem facilidades.
Antigamente, quando um haras paulista perdia um reprodutor, os outros
criadores ofereciam coberturas de graça, e até reprodutores também de graça para ajudar na então próxima estação.
Comigo aconteceu um problema desses, e fui socorrido por dois anos consecutivos por garanhão emprestado de graça
pelo Haras Castelo (hoje Castelo de Bagé). Eu também tive oportunidades de colaborar em casos inversos. Dispondo à
época de 6 reprodutores (FLAMBOYANT DE FRESNAY, KAMERAM KHAN, TAKT, FOUR HILLS, MANGUARÍ e DESTINO), ofereci
gratuitamente os três últimos citados, a escolher, e houve casos de irem dois ao mesmo tempo. Eu fiz aquilo que
outros faziam. A competição no turfe não é guerra, é mesmo competição, onde se ganha e se perde, com elegância,
com dignidade, com compreensão, com esportividade.
Em uma análise mais do que geral, despretensiosa,
não detalhada nem profunda, dá a entender de uma euforia do turfe argentino para um cauteloso turfe
brasileiro.
por Milton Lodi