O Grande Prêmio Brasil se aproxima. Nesse ano, em função dos Jogos Pan–Americanos, será realizado
no terceiro domingo de agosto, e não no primeiro, como habitual. O Grande Prêmio Matias Machline, disputado no mês
de junho, na Gávea, apresentou um decorrer e um resultado que mostrou a evidência, a incontestável superioridade
dos quatro primeiros colocados. O ganhador QUATRO MARES, um filho de Jules, mostrou muita força, nos últimos 800
metros já mostrava que ia ganhar, e com uma cômoda, simples e brilhante condução de Jorge Ricardo venceu sem
deixar dúvidas quanto à sua, pelo menos momentânea, superioridade.
O segundo nome a ser lembrado é o de
QUICK ROAD, outro filho de Jules, ganhador do Derby Paulista de 2006. Em 2.400 metros vai ser competidor mais
forte que em 2.000 metros. É valente, brioso, chega sempre entre os primeiros e lutando.
O terceiro
nome a ser cogitado é o do tordilho POTOTÓ, um filho de Roi Normand que tem uma história ímpar. Após ganhar o
Derby Carioca de 2005, teve grave problema nos tendões dos dianteiros. O caso foi gravíssimo, em princípio
inutilização para corridas. Mas surgiu uma idéia pioneira no turfe carioca. Um veterinário brasileiro de sucesso
internacional havia cuidado de um cavalo com célula tronco, e conseguira reabilitá–lo. O veterinário Flávio
Carneiro foi incumbido de tentar proeza semelhante nos destruídos tendões do POTOTÓ. Passado um ano, POTOTÓ
apresentava–se teoricamente zerado, e com muita paciência foi preparado para voltar a correr. Resistiu normalmente
aos trabalhos do treinador Christiano Oliveira, no Centro de Treinamento Verde e Preto, em Teresópolis. Foi
inscrito em páreo comum, e mesmo na areia onde rende muito pouco, chegou em 5° lugar mas, o que era muito mais
importante, com o problema dos tendões superado. Correu a seguir um semiclássico, foi ótimo 2° lugar. Foi ao
Matias Machline para uma prova de fogo. Correu sempre em 2°, perseguiu o ponteiro, na reta chegou a levar
vantagem, mas terminou em 4° lugar, muito próximo do 3°. Corrida esplêndida, melhora de corrida para corrida, é um
prazer ver POTOTÓ correr, superando um problema tão definitivo que acabou sendo superado pela técnica, pela
ciência moderna. A seguir melhorando, POTOTÓ vai brilhar no Grande Prêmio Brasil de 2007. É até possível que
alguma coisa negativa aconteça, mas até agora o sucesso do tratamento com células tronco nos tendões é uma
realidade.
O quarto nome a ser lembrado no momento é o de TOP HAT, filho de Royal Academy, um
especialista em 2000 metros. Grande velocidade inicial, costuma impor o ritmo de corrida que lhe interessa, e luta
na reta. Foi 2° no Matias Machline, correu uma barbaridade, só perdeu porque QUATRO MARES estava iluminado pelos
deuses do turfe.
É claro que outros nomes vão surgir até o Grande Prêmio Brasil, e é bom que assim
aconteça, pois teremos um sensacional Grande Prêmio Brasil em 2007.
Para terminar, devem ser lembrados
a grande perda da criação brasileira com a prematura morte de JULES (pai de QUATRO MARES e de QUICK ROAD), a
marcante presença nos páreos clássicos de Royal Academy (TOP HAT) e a sempre presença de Roi Normand (POTOTÓ) em
termos não só do grande sucesso como pai e como avô, como também, no caso do POTOTÓ, com certeza um marco na
veterinária brasileira.
por Milton Lodi