O turfe brasileiro vem atravessando uma de suas mais difíceis fases. De tantos anos que se seguem neste injustificado (pelo potencial que sempre tivemos) e tormentoso caminho, em que nós, turfistas apaixonados, que acreditamos no potencial qualificado da atividade no país, almejamos sim, construir condições para transformá–lo e, quem sabe “um dia”, conseguir realinhá–lo condignamente, de acordo com a grandeza do nosso PIB.
Temos gravíssimos e inaceitáveis problemas na maioria de nossos hipódromos, centro maior de toda a atividade turfística, tendo a Gávea, “meca” atual do turfe brasileiro, em gestão das mais infelizes de todos os tempos e, definitivamente, não mais aceita pelos turfistas dos quatro cantos do país.
A força de nossos criadores e proprietários, teoricamente capazes e em condições de fazer frente aos múltiplos problemas, mostra–se insuficiente em bem enfrentar e efetivamente transformar, pelo uso do poder conjunto, as gritantes situações que viemos inaceitavelmente assistindo, em especial, no hipódromo carioca.
Nossos craques e principais expoentes que vem surgindo, com todo o direito e razão, seguem para a exportação, cada vez mais valorizados pelos principais mercados e investidores, em vista da evolutiva qualidade de nossa criação, comprovada pelos fantásticos resultados de pista, pelo mundo afora.
Nossos principais criadores, proprietários e investidores, esgotados pelos absurdos das gestões descompromissadas com o bom senso turfístico e muitíssimo pouco profissionais, somados aos ridículos dos prêmios, na relação com os investimentos e dificuldades conjunturais várias, já investem nos valorizados e infinitamente “menores” países vizinhos mas de turfe “mercadológico” muito mais produtivo e profissional, que por extensão, já atraem também nossos jóqueis, como o excepcional J. Ricardo e outros muitos que já se vão pelo mundo, há mais tempo.
Tudo isto, que é na verdade muito estressante e de peso excessivo, vai causando ao longo do tempo, e semanalmente, uma grande carência aos turfistas envolvidos, que acompanham e vivem as emoções das carreiras e se ressentem pela falta de expoentes, de possíveis novos craques que confirmem expectativas, como não o fizeram nos recentes Grandes Prêmios Estado do Rio de Janeiro, primeira prova da tríplice coroa de potros, Diana e Francisco Eduardo de Paula Machado, todos de G1, esses a segunda prova da Tríplice Coroa de, respectivamente, potrancas e potros, em que as expectativas de seus resultados, ao menos em relação aos principais favoritos e/ou candidatos de direito, foram por demais, digamos, frustrantes.
Isto posto, somos remetidos diretamente às expectativas realistas de quem acredita que, dentre outros bons animais que estão surgindo – destaca–se (embora não tenha confirmado no Rio de Janeiro) muito especialmente o ainda potro e já Derby–winner Quick Road, dono de invejável campanha (9 atuações – 3 primeiros em Gr1 / 5 segundos, sendo 3 em Gr1 – 1 em Gr2, 1L e um quarto em Pr. Esp.) – e venham naturalmente, a atrair as mais variadas atenções, na medida em que, pela sua própria qualidade, ganham diferenciada exposição e comentários, invariavelmente diversificados, até mesmo críticos, o que deve ser bem assimilado pelos interessados (já que todo o público os tem em mira) e quem sabe, levados em consideração, construtivamente.
Méritos para o treinador de Quick Road, Sr. João Macedo, que, competente, o deixou neste estado esplendoroso e que antes desta recente apresentação em Cidade Jardim, deixou oficialmente claro, que o faria muito mais como preparação aos seus futuros compromissos de campanha (em 2.400m), respectivamente; GP Cruzeiro do Sul no RJ e GP São Paulo, ambos Gr1, do que propriamente interessado na vitória, como objetivo do momento.
O que importa ressaltar é que os turfistas brasileiros estão completamente carentes de novos ídolos, cavalos que, pela sua superioridade, emocionem, gerem envolvimentos, atraiam aficionados e simpatizantes aos hipódromos, aos guichês, ao teleturfe, à internet e, como conseqüência, potencializem o todo, ampliando os volumes de apostas, que se reflete em todos os segmentos do turfe, em nível nacional.
Nesta linha de desenvolvimento e resultados, vale ressaltar estarmos muito próximos de uma histórica e plenamente possível vitória de Eu Também no UAE Derby, 1800m (Gr2), em Dubai, a prova escolhida e para a qual acredito que tenha todas as condições de vencê–la.
Preparadíssimo! Levou uma corrida em 2.000m, estando devidamente aguerrido, aclimatado e, embora sejam terríveis seus adversários, terão os mesmos de correr muito, mas muito mesmo, para derrotar este maravilhoso filho de Wild Event e Charmosa, por Fain.
Lógico, Eu Também poderá até perder, mas promete correr demais, por certo. E se vencer, será uma vitória histórica, a ser devidamente comemorada e, bom seria, se devidamente valorizada e alavancada com aquele sempre comentado, desejado e certamente viável (desde que trabalhado), brilho do “Marketing profissional”, digno dos maiores feitos. Mas isto, concordo, é mais uma das inúmeras e inaceitáveis utopias presentes em nosso turfe.
De qualquer forma, vamos torcer, e muito, para que a vitória, deste já grande potro brasileiro, se concretize.
Renato Borda, turfista, de Porto Alegre