“A coisa está muito feia por aqui!”, a frase de José Vecchio Filho, ex–presidente do Jockey Club do Rio Grande do Sul, em tom melancólico, transmite um pouco da dimensão da tragédia das chuvas, nos últimos dias, na cidade de Porto Alegre, e, os estragos causados por elas no Hipódromo do Cristal. O conceituado dirigente, emocionado, chamou de situação caótica, o drama vivido em todo o estado, e fez análise criteriosa do tamanho dos problemas enfrentador, no dia a dia, e dos enormes estragos causados, aos profissionais de turfe.
"A maior parte do tempo a gente fica sem luz, sem internet, e sem água potável em toda a cidade de Porto Alegre. A água do Rio Guaíba vaza pelos bueiros da Vila Hípica, num processo de retorno permanente das águas das chuvas. Conseguimos evacuar todos os 400 cavalos que estavam alojados nas dependências do Hipódromo do Cristal. Eles foram distribuídos em diversos lugares, entre eles, a Hípica de Porto Alegre, o Regimento da Brigada Militar, e alguns centros de treinamento privados, na Zona Sul da capital, e, também em Santo Antônio da Patrulha, a 70 quilômetros daqui”, explicou.
Um outro problema grave enfrentado pela diretoria do Jockey Club do Rio Grande do Sul foi o colapso do serviço da bomba de sucção da prefeitura da cidade, devido ao excesso do volume das águas da chuva, o que deixou alagadas as raias. Os cavalos saíram do prado com água na altura do peito, e os cavalariços, e outros funcionários, do clube hípico, segundo Vecchio, as vezes estão com água na cintura. “Foi organizado um Comitê de crise para amparar os cavalariços, treinadores e jóqueis. Alguns deles, moradores nas imediações do prado, tiveram as suas casas alagadas. Mas todos vão ser amparados”, assegurou. Com relação a pergunta, se existe a possibilidade de prever o retorno das corridas, Vecchio lamentou ser impossível ter qualquer expectativa.
“Quem está de longe nem pode ter ideia do que se passou por aqui. O Aeroporto de Porto Alegre está debaixo d’água. Os cavalos vão demorar a voltar para as dependências do prado. Eles ficarão um bom tempo sem treinamento, longe das pistas. Na verdade, o nosso foco agora está em amparar as pessoas que vivem do turfe e as suas famílias. Sem corridas, os profissionais ficam sem condições financeiras. Todos eles vivem das suas comissões. Sem falar no estrago sofrido por eles, nas suas vidas pessoais, atingidas pelas perdas materiais. Por isso, foi organizado o Comitê de Crise pela diretoria. Nenhum dos nossos homens será deixado para trás”, afirmou.
Por Paulo Gama.