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Turfe e arte sempre andaram juntos. A tradição remonta a 1687, quando Francis Barlow (1626–1704) produziu a famosa gravura "The Last Horse Race Run before CHARLES the Second of Blessed Memory by Dorsett [Datchet] Ferry near Windsor Castle", cuja tradução é “A última corrida de cavalos realizada antes de Carlos II, de abençoada memória, por Dorsett [Datchet] Ferry perto do Castelo de Windsor". Esta peça é historicamente considerada a primeira gravura de corrida de cavalos produzida na história da arte britânica, e provavelmente no mundo.
Ela pertence hoje ao Royal Collection Trust (Acervo da Família Real Britânica), que possui tanto a gravura original quanto a pintura a óleo baseada no mesmo desenho de Barlow.
Depois de Francis Barlow, no século XVIII, ocorreu a era de ouro da pintura de turfe. George Stubbs (1724–1806) é considerado o maior mestre da pintura deste esporte tão apaixonante. Stubbs produziu telas realistas de cavalos de corrida renomados, seus jóqueis e criadores. Sua obra mais famosa, Whistlejacket, retrata o cavalo de corrida em tamanho real. Outros pintores, como John Wootton (1682–1764) e James Seymour (1702–1752), estabeleceram a tradição de retratar cavalos de corrida vitoriosos com seus jóqueis trajando as fardas dos proprietários.
No século XIX, o turfe ganhou destaque também no Impressionismo. Com o pincel de Edgar Degas (1834–1917), a pintura sobre o turfe ganhou nova vida na França. Degas capturou os momentos de preparação antes da largada, o movimento dos cavalos e a atmosfera das arquibancadas dos Hipódromos parisienses (como Longchamp) com uma linguagem visual moderna.
E não é somente na pintura que o turfe se destaca. Nas esculturas, Isidore Jules Bonheur (1827–1901) é um dos mais célebres mestres da escola Animalier francesa. Sua obra mais famosa no meio hípico é Le Grand Jockey, que retrata um jóquei vitorioso afagando o pescoço do seu cavalo. Bonheur destacava–se pela precisão anatômica do Puro–Sangue Inglês e pelo rigor nos detalhes do encilhamento.

Le Grand Jockey, bronze de Isidore Jules Bonheur apresentada em 1879 no Salão de Paris (onde foi exibida sob o título Un Jockey). Com o imenso sucesso passou a ser chamada de Le Grand Jockey tornando–se o nome mais consagrado no mercado de arte e no colecionismo internacional
Edgar Degas, embora consagrado pela pintura impressionista, modelou dezenas de estudos em cera e argila, capturando cavalos de corrida em momentos de tensão, galope ou caminhada no paddock. Após sua morte, cerca de 150 dessas esculturas foram fundidas em bronze, revelando um olhar revolucionário sobre o movimento e a musculatura dos equinos. Pierre–Jules Mêne (1810–1879) e Emmanuel Frémiet (1824–1910) foram os seus predecessores nessa vertente. Assim como Degas, Sir Alfred Munnings (1878–1959), conhecido como um dos maiores pintores de turfe da história britânica, também produziu bronzes notáveis retratando cavalos de corrida, capturando a estrutura e a imponência dos campeões de sua época.
Há algum tempo, o Raia Leve vem ilustrando as indicações de Julio Ponte com quadros sobre cavalos de corrida, o que tem despertado a curiosidade de diversos leitores. Desta forma, visando dar mais visibilidade ao turfe na História da Arte, passaremos a produzir matérias sobre este assunto."
Luiz Octavio Manes Figueiredo