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Com este título, Marcio Ávila Rodrigues, do Memórias do Turfe, canal do Facebook, escreveu sobre um assunto que sempre desperta curiosidade, o peso dos cavalos. Na década de 70, os cavalos clássicos pesavam entre 450 e 470 kg. E a média dos cavalos de turma girava em torno de 430 kg. Melhoria genética dos reprodutores, aliada a alimentação mais proteica, nos trouxe a um melhor patamar de peso para os nossos animais.
Veja o texto de Marcio Ávila Rodrigues:
Tenho o hábito de anotar informações sobre os cavalos gigantes do turfe nacional. O peso em dia de corrida foi o parâmetro escolhido por ser um dado confiável, emitido pelas entidades promotoras de corridas, os jockeys clubes.
O recorde (que eu identifiquei) aconteceu no dia 12/04/2010 com o cavalo Center Reason, que pesou 624 kg. Em todas as cinco primeiras corridas dele naquele 2010 o Serviço de Veterinária do Jockey Club Brasileiro registrou mais de 600 quilos.
Seu pai, o reprodutor nacional A Good Reason, produziu muitos filhos de grande porte. Nas pistas era um puro–sangue promissor, que correu uma única vez, vencendo uma prova preparatória (e classificatória) para uma corrida especial de potros velocistas. No dia 01/02/1997, no Hipódromo de Cidade Jardim, ele venceu e marcou um tempo extraordinário, apenas 1/10 de segundo pior que o recorde. Provavelmente se lesionou, pois foi destinado à reprodução e gerou 216 filhos. Pesou 538 quilos naquela oportunidade, portanto era um cavalo grande, mas não agigantado.
Tive oportunidade de conversar com o treinador (conhecido pelo apelido de “Jacaré”) do Center Reason na Gávea. Ele me informou que o grandalhão tinha problemas de casco e também sobreosso. Correu apenas 11 vezes no Rio de Janeiro e ganhou duas.
O segundo mais pesado

O grandalhão Pot Pourri, do Stud Yolanda & Pamela, vencendo em 24/06/2024
O segundo maior registro aconteceu em outra corrida, no dia 26/03/24 com o cavalo Pot Pourri, que pesou 617 kg. Ele não aparece nos programas oficiais desde junho de 2024, quando ganhou sua quinta corrida no hipódromo da Gávea (com o também avantajado peso de 610 kg) montado por F. Chaves e treinamento de F. Guedes. Seu pai é o excelente reprodutor Victory is Ours, que tem um bom porte físico, mas não é agigantado como o filho.
Veja a vitória do grandalhão Pot Pouri em 24/06/2024, na sua 5ª vitória:
https://www.youtube.com/watch?v=wuhgPE3jLwQ
O terceiro mais pesado
O terceiro maior registro aconteceu também na Gávea com o Amigo Urso, um filho de Top Size, criado pelo Stud Eternamente Rio, que pesou 612 quilos em 11/08/2008. Um responsável por ele me informou que este cavalo tinha grave sensibilidade de casco e depois da corrida se deitava e demorava a conseguir se levantar. Tinha também hemiplegia e chiava muito. Por todas estas dificuldades só conseguiu correr quatro vezes, obtendo um segundo lugar na estreia, e depois não se acertou mais. Não surpreende que os cascos dele e do Center Reason não tenham aguentado o peso elevado, é a parte do corpo equino que recebe o impacto maior.
O quarto mais pesado
Na sequência de meu ranking aparece Alpine Point, que pesou 610 quilos em 23/07/2015. Vários outros filhos e netos de seu pai Point Given – que serviu na reprodução brasileira nas temporadas relativas aos segundos semestres de 2008 e 2009 – se aproximaram dos 600 quilos em campanha.

Alpine Point, de propriedade de Ronaldo Cramer Moraes Veiga, treinamento de Jaime Aragão e pilotado por V. Gil, quando da sua vitória em 30/01/2015
Os mesmos 610 quilos foram registrados por Fato na eliminatória da tradicional penca gaúcha, disputada em 28/01/2017. Ele venceu a final no dia seguinte e menos de um mês depois, foi 2º no Clássico J.A. Flores da Cunha e foi exportado para o Uruguai, onde fez campanha longa e modesta, ruim na verdade. Na finalíssima da penca ele deixou em 3º lugar o seu irmão paterno (filhos de Adriano) Fato Real, de nome parecido. O peso do Fato Real também guardou semelhança: 590 quilos.

Fato, vencendo em record o 49º Turfe Gaucho, na direção de Everton Rodrigues e treinado em Alegrete/RS por A. Maciel.
Veja a vitória de Fato na final do 49º Turfe Gaucho:
https://www.youtube.com/watch?v=B1T8YNua76A
Recentemente, o maior (na verdade, o mais pesado) cavalo de corridas PSI que estava em atividade no país (meados de 2025) é o velocista Legender, que atingiu 609 quilos no dia 02/08/2025, quando perdeu por diferença mínima (cabeça) o Grande Prêmio A.B.C.P.C.C. Velocidade, prova de grupo 3, disputado em Cidade Jardim. Ganhador de 8 provas em 21 apresentações, foi a primeira vez que ele atingiu o dígito 6 na balança, mas sempre esteve perto disso.

Legender, do Stud Galope, vencendo duelo com Lendário Brujo no GP Cordeiro da Graça, Gr 2, em 18/10/2025, na Gávea, ocasião que correu com 598 kg.
Apenas um quilo abaixo, mas levando o título do tordilho mais pesado, o cavalo Impact Bryan, do Stud Sion, manteve uma invencibilidade de três corridas no sexto páreo de 17/07/2025, no Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre. O tordilhão havia pesado 608 quilos na corrida de estreia, realizada em 22/08/24. Ele é filho de Wired Bryan e Bravia di Dodge (Dodge) e foi criado pelo Haras J.G.

O tordilho mais pesado, Inpact Bryan, em vitório no Cristal em 17/07/2025
Veja a vitória do tordilho Impact Bryan, no cristal:
https://www.youtube.com/watch?v=aHViHG6aAB0
Além deles encontrei poucos animais que passaram de 600 quilos. Um caso recente aconteceu com o cavalo Patropi, um filho de Courtier, que pesou 604 kg no dia 13/05/25, na Gávea.
Nesse enfoque, uma situação interessante aconteceu no Grande Prêmio Presidente Waldyr Prudente de Toledo, disputado em 29 de março de 2025. New Order, o ganhador, pesou 579 quilos, e o segundo colocado Legender “elevou o sarrafo”, pesando 598. A seguir chegaram Point do Iguassu (528) e Negresco (566). Apenas um dos oito competidores não ultrapassou a marca de meia tonelada.
Legender é o único cavalo, entre todos os pesquisados, que atingiu um padrão superior de competitividade e também um dos que tiveram campanha mais longa. É um filho de Put It Back, reprodutor de sucesso na criação nacional. Ele não é rápido na arrancada do partidor e fica entre os últimos na primeira parte do percurso, situação que seus responsáveis atribuem ao tamanho avantajado. Mas acelera muito na segunda parte do percurso e perdeu por diferença mínima o Grande Prêmio Major Suckow de 2024, a principal corrida para velocistas do país. O ganhador foi Mandrake, um campeão histórico que já havia vencido esta prova em 2023 e foi o tricampeão em 2025.
Legender entrando em segundo para Mandrake, no Major Suckow de 2024
Não é segredo que os animais velocistas são geralmente mais pesados do que os fundistas. Nenhum dos animais listados corria bem em distâncias acima da milha. A explosão muscular, necessária para a velocidade, tem uma relação direta com o volume dos quadris e com o peso corporal.
Texto complementado com fotos e informações inerentes ao tema.
Da Redação