Normal 0 21 false false false PT–BR X–NONE X–NONE
Corria o ano de 1958, tinha chegado a hora do GP. Brasil, aos 29 anos, Rubens Carrapito andava de um lado para outro, nervoso. O cavalo treinado por ele, Kraus tinha muita chance. Mas o segundo lugar para o argentino Espiche o deixou engasgado em conseguir a vitória na prova máxima do brasil e sonho de todo treinador.
Passaram–se 38 anos, mas em 1996, Quinze Quilates, cavalo paulista, do Stud Rio Preto, do casal Vicente Romano e sua esposa Isaura, de quem Carrapito era amigo há mais de 45 anos. Vicente Romano, que frequentemente enviava cavalos para o Rio de Janeiro e fazia questão que Carrapito os inscrevesse em seu nome, isso quando eles não passavam uma temporada por aqui.
E assim, Carrapito, o “Eterno Galã”, título dado por Oscar Vareda, finalmente desengasgou.
Mas foi com a ajuda de Dendico Garcia, treinador paulista dos cavalos do Stud Rio Preto.
Quinze Quilates, um filho de Only Once em Hospitaleira, por Yakarto (ARG), com campanha paulista, havia sido segundo no GP. Oswaldo Aranha, em Cidade Jardim, em início de abril de 96. Correu em maio o GP. São Paulo, não se colocando. Em primeiro de Junho, venceu o GP. Cândido Egydio de Souza Aranha. Dendico Garcia era seu treinador, e com a vitória, aventou a possibilidade de correr o GP. Brasil. Vicente Romano concordou, pois também já estava de olho na prova máxima carioca.
E para que o sonho se concretizasse, tinham no Rio de Janeiro, confiança plena em Rubens Carrapito, mas antes do Brasil, na gávea o testariam no GP Francisco Eduardo de Paula Machado, em 23 de junho. Ele foi 2º na grama pesada. Passou no teste. Voltou para Cidade Jardim, com sua altitude de 720 metros acima do nível do mar, para oxigenar seus pulmões.
E assim, no tempo certo, retornou para o GP Brasil, mas agora sob o treinamento de Rubens Carrapito. Quinze Quilates vence o GP Brasil em 11 de agosto, também numa grama pesada.

Imagem colorizada. Quinze Quilates, por dentro com o freio Jorge Garcia, em uma corrida sensacional, vindo lá de trás, aproveitando todos os espaços por dentro, livra cabeça sobre Zé do Ouro com arminho, no disco.
Aos 67 anos, Rubinho Carrapito ficou rouco de tanto comemorar a vitória. Quando da vitória já tinha ultrapassado a marca das 1000 vitórias no turfe carioca (um dos poucos até então) e humildemente confessou que, em muitos anos de profissão, jamais sentira tanta emoção quanto a que Quinze Quilates lhe proporcionou, e ainda falou que os méritos pertencem a Dendico Garcia que colocou o cavalo em condições plenas.
Carrapito foi formado na segunda turma de treinadores do Jockey Club Brasileiro, de 1949, virou treinador emérito, e com toda a certeza estará no céu com missão cumprida aqui na terra.
A Diretoria da ACPCPSI se solidariza com os familiares por esta imensa perda.