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31 anos depois, façanhas de Obataye nos lembram do inesquecível Much Better
Entre os anos de 1993 e 1994, o turfe carioca viveu a fase de surgimento do Stud TNT, de Gonçalo Borges Torrealba, um Investidor voraz, arrojado, e, disposto a investir pesado nas corridas de cavalos. A sua primeira mola mestra foi contratar o saudoso treinador, João Luiz Maciel. Precisava que os seus puros–sangues fossem bem treinados, pois não estava para brincadeira. Consultou o profissional sobre quem seria o jóquei ideal para os seus cavalos. E a resposta imediata, de Maciel, foi Jorge Ricardo. E Ricardinho, então piloto do Haras Santa Ana do Rio Grande, do presidente do Jockey Club, e líder das estatísticas da Gávea, José Carlos Fragoso Pires, mudou de farda, a peso de ouro.
Depois vieram, um a um, os outros membros do escrete do Stud TNT. Flávio Geo, veterinário. Nelson Marinho, redeador de mão cheia, para galopar e treinar os cavalos. Cavalariços zelosos e competentes, e Vadinho, logo em seguida foi designado para escovar Much Better, promessa de craque da coudelaria, filho de Bigorrilho, escovador de Falcon Jet, craque do Santa Ana do Rio Grande, o maior rival. Era precisa ter um ferrador de respeito, para cuidar do ferragem dos corredores. E veio Camilo, considerado na época, o craque na função dentro do prado carioca. Foi morar no Centro de Treinamento em Itaipava, e esteve em todas as jornadas de Much Better pela América do Sul, e foi até a Paris, na aventura do Arco do Triunfo.
Esta equipe super afinada, comandada por um treinador genial, João Maciel, e com o artilheiro do turfe mundial, Jorge Ricardo, para decidir, e colocar a bola para dentro do gol, conquistou o Latino–americano, em março de 1994, no Hipódromo de La Plata, na Argentina, quando derrotou Enfático, derby winner chileno e Romarin, craque dos Haras São José e Expedictus. De volta ao Brasil, conquistou em maio do Grande Prêmio São Paulo. E, três meses depois, o Grande Prêmio Brasil, em agosto na Gávea. Consagrado, Much Better voltou a Argentina, em dezembro, para o desafio do Grande Prêmio Carlos Pellegrini. E, aí, o triunfo retumbante na maior prova do turfe portenho. Um craque inexpugnável. Poderoso, intempestivo e coberto de glórias.
Assim é o craque Obataye, de criação do Haras Palmerini, e propriedade do Haras Rio Iguassu. É conduzido nos desafios por um dos melhores jóqueis do mundo. João Moreira, o Magic Man. Treinado por um jovem talentoso, arrojado e discreto, Antônio Oldoni. E aí, ele machuca sem dó os seus adversários. Não posso dar detalhes sobre a equipe da coudelaria. Não os conheço. Eu era amigo particular do treinador e do jóquei do Stud TNT. Convidado em todas as viagens, por que Maciel, supersticioso, dizia para o Gonçalo que eu tinha quer ir sempre junto por que era um cara de sorte, Mas, tenho certeza, que o ferrador, o cavalariço, o redeador, enfim todos os empregados da equipe de Obataye, possuem a mesma competência dos profissionais citados por mim da equipe do Stud TNT. Eram craques consumados nas suas atividades.
Não sei se Obataye vai aos Estados Unidos correr a Breeder’s Cup Classic. Ao vencer o Carlos Pellegrini ele adquiriu este direito. Gonçalo levou Much Better para correr o Arco do Triunfo. O cavalo chegou em 14º lugar contra os melhores puros–sangues do mundo, a seis corpos. Voltou ao Brasil, com mudança de hemisfério, de continente, e menos de 20 dias depois perdeu a Copa ABCPCC Clássica, em recorde nacional, para Fantastic Dancer. Depois pegou a revanche, no final do ano no Grande Prêmio Carlos Pellegrini.
A vida é assim. Feita dos grandes desafios. E craques, como Much Better e Obataye, precisam deles para ser heróis. E, 30 anos depois, como neste caso, de 1994 para 2025, serem lembrados eternamente por suas façanhas, glórias e conquistas, para o resto de nossas vidas. Vale lembrar, que em 1996, João Maciel, muito doente nos deixou ainda com 33 anos. Mas inscreveu craque da cocheira, Much Better, no Latino–americano, na Gávea E aos seis anos, ele deu um vareio, e até hoje, é o único puro–sangue bicampeão do Latino. Se Obataye, não for correr nos EUA, com certeza, estará em Monterrico, no Perú, para atuar em Lima, e tentar ser o segundo puro–sangue brasileiro a igualar o feito do inesquecível Much Better. São coisas da natureza. Acontecem. Simples assim.
Meeting do Fundador

Galo White – Foto Gerson martins
Galo White, do Stud Slingerz Racing, treinado por Lênio Roberto Vieira, e conduzido pelo jovem pernambucano, João Victor, conquistou o triunfo de Grupo 1, no tradicional Grande Prêmio Linneo de Paula Machado. Nada mais justo e encantador. Gratificante ver o treinador estar enfim recebendo oportunidades de cuidar de bons cavalos e demonstrar a sua capacidade profissional. E quanto a João Victor, não há muito a dizer. Nasceu para montar cavalos de corrida. E, com certeza vai continuar a escrever por longo tempo bela história na profissão. A diferença de turma foi considerável entre os triunfos anteriores de Galo White e esta obtida agora. E a equipe merece os parabéns pela coragem e destemor de encara os melhores.
Vanessa da Pata, do Haras Doce Vale, no Grande Prêmio Oswaldo Aranha, Grupo 2, teve a competência e o cartel do Venâncio Nahid, este craque da família Nahid, que com certeza enche de orgulho o seu pais, Alberto Nahid, lá no céu, saltitante com o brilho do filho que ele só chamava de Neném. Outra preciosa direção do garoto João Victor. Os seus 200 metros finais no dorso da filha de Emcee e Platine, por Wild Event, foram sensacionais. Fez a égua trocar de mão a lá Juvenal Machado da Silva, umas duas vezes. Talento puro e intuição. Parabéns a ambos.
Puro–Sangue melhor apresentado
Antônio Oldoni brilhou no preparo de Obataye. O cavalo vinha de corrida de rigor no triunfo do Latino, na Gávea, em 18 de outubro. E ele o apresentou no dia 13 de dezembro, no Pellegrini, como de fosse um potro de dois anos. Talento, amor a profissão e domínio da equipe que lidera com seu jeito discreto, respeito e admiração. No alinhamento, aquecido por João Moreira, de um lado para o outro, os jóqueis adversários ficaram visivelmente intimidados com o seu estado atlético. Mais parecia um Tanque de Guerra numa guerra mundial. E, na verdade, logo depois ele provou que realmente era.
Joqueada da semana
João Moreira é um astro internacional. Talentoso, carismático e educado. Os argentinos se deleitaram com ele. Com seu jeito simples de falar, de montar e, de vencer. O Magic Man nasceu para montar. O faz com intuição, simplicidade e volúpia. Ao mesmo tempo que irradia simpatia e carisma, ele transpira talento. Os rivais perdem para ele sorrindo. Admirados com sua facilidade para conduzir puros–sangues de maneira tão sutil e branda. Os cavalos se rendem ao seu talento, e se comportam bem nas suas mãos. O respeitam e, a exemplo dos rivais, se rendem ao seu encanto. O talento é assim, ele enfeitiça até mesmo os rivais, os obstáculos. E a multidão aplaude com a alma lavada o paranaense João Moreira. Sem sombra de dúvida, um mágico, um artista para montar estes maravilhosos brutamontes, de 500 quilos, feito Obataye.
Personagens
Se João Victor brilhou em dois triunfos de ponta a ponta, com Galo White e Vanessa da Pata, Venâncio Nahid também merece destaque com o preparo dos seus pensionistas, Zack Attack, do Haras Doce Vale, na prova de 3000 metros, o GP Derby Club, literalmente massacrou os rivais. Um show. Vanessa da Pata fingiu ser faixa e ganhou. E o potro Olimpic Principe, do Stud Lam, e criado no Haras Regina, deu um show, depois de largar em baliza desfavorável.
Only Believe corre demais
Na Prova Especial Tirolesa, Only Believe, do Haras Bela Esperança, criação do Haras Santa Rita da Serra, chegou a quarta vitória, em cinco apresentações. A pensionista de Luiz Esteves assinalou tempo de 1m32s90, nos 1600 metros. Tudo bem, que Odalisca largou atrasada, e, o esperado duelo entre elas, não pode acontecer. Mas, não será nada fácil para qualquer rival derrotar Only Believe na abertura da tríplice–coroa de potrancas.
Kevin Banegas campeão
O jóquei argentino, Kevin Banegas, ganhou mais duas carreiras, ontem à tarde, em Palermo, no dorso de Túlio, do segundo páreo, e, de Que Perfil, no quarto. O piloto alcançou a marca de 275 vitórias em 2025, ultrapassou o brasileiro, Francisco Leandro, que deixou o turfe portenho para montar nos Emirados Árabes, e ficou no segundo lugar, com 272.