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Faleceu hoje de madrugada, aos 84 anos, Gilberto Werner.
Gilberto acompanhava o turfe desde criança, acompanhou as corridas no Hipódromo Moinhos de Vento até rapaz, como relata em seu livro, e depois quando este encerrou as corridas em 1959, passou a ir frequentemente ao Hipódromo do Cristal, inaugurado em 21 de novembro de 1959,
Polêmico, elogioso pela escrita fácil, não continha a caneta quando tinha de elogiar amigos ou criticar quem não gostava. Fez muitos amigos ao logo da vida.
Sua paixão pelos cavalos se manifestou de forma muito forte, que o fez até participar e ganhar um páreo de amadores no Hipódromo do Cristal.
Foi proprietário de diversos cavalos, o primeiro, em 1964, chamava–se “Ocelote” e o último “Xairolo”, em 1992. Também fui criador com a “Granja da Luzerna” em Viamão.
Entrevistado pelo Raia Leve em 2011, comentou sobre alegria e tristeza no turfe.
A alegria maior de todas, conforme falou, foi, sem dúvida, a primeira vitória montando “Arenal” no primeiro páreo destinado a jóqueis amadores no Hipódromo do Cristal. Depois houveram outras vitórias, mas esta do “Arenal”, pela emoção, foi indescritível. O prado lotado viu meus amigos invadirem a raia e “quase” a me carregarem nos braços... Foi um congraçamento de vários clubes hípicos de Porto Alegre com seus representantes participando do páreo. Eram campeões de salto do Exército e da Brigada Militar. Houve concursos de salto e de adestramento hípico. O Jockey estava lotado.

Vibrante na vitória de Arenal, no páreo de amadores do Cristal
Teve também tristeza no turfe, a mais intensa, foi ver seu cavalo alazão “Chaparron” correndo na frente, solto, e faltando apenas 600 metros para o disco mancar. Vê–lo com a pata balançando no ar, vê–lo a sacudir a cabeça e vê–lo cair, sacrificado, como um fim sem nada de espetacular. Falava que durante muito tempo ouvia o “bufar” das suas ventas...
Acredito que não exista dor maior para quem ama o cavalo de uma imagem como esta. Foi a única vez que atravessei o portal do Jockey Club chorando. Chorei uma dor incompreendida.
Perguntado sobre o melhor cavalo que já viu correr até hoje, respondeu “Estensoro”. Este foi realmente o “Filho do Vento”. Ele não somente corria: ele gostava de correr e correu 13 vezes para vencer 12. A primeira corrida largou “parado” e tirou segundo lugar. E correu sempre contra potros de uma geração espetacular. Contra “craques” como “Montigo”, “Lord Chanel” (recordista), “Don Eugênio”, “Ouroduplo”, “Green Devil” (francês), “Alarma” e outros mais.
Nas suas quatro últimas apresentações bateu recordes das distâncias e até seus próprios recordes. Apenas sinto que quando foi correr o G.P. Brasil de 1959 estivesse doente, quando durante a semana sob a monta do grande Antônio Ricardo, também bateu o recorde no apronto, na pista da Gávea... e o “Brasil” foi na grama, onde nunca havia corrido...
Em relação a fêmeas, respondeu que chamava–se “Corejada” e venceu o “Bento” de 1968. Era filha de outra égua espetacular que diziam ser “égua macho”, a “Estupenda”, ganhadora de 14 corridas, inclusive vários G.P. Ambas lindas tordilhas. “Corejada” era tão famosa que fez vir ao hipódromo, em Porto Alegre, para conhecê–la o Presidente do Brasil da época: Marechal Arthur da Costa e Silva. Estava junto, ao seu lado, quando a “Corejada” segura por um cavalariço desfilou no Paddock.

Um dos livros de Gilberto Wener, a História do JCRS
Gilberto era uma das poucas pessoas, ainda viva, que nos ofertaram com livros sobre o turfe. Escreveu o Livro “90 anos de história do Jockey Club do Rio Grande do Sul”, onde não só contava a História do JCRS, como também fatos para que estes não se perdessem no tempo. Escreveu também “Moinhos de Ventos, Memórias e Reconhecimento”, em que comentava sobre sua vida, já que morou no Bairro e sobre o próprio Hipódromo de Moinhos de Ventos.
Em seus últimos anos de vida, foi acometido de um AVC, se recuperou, voltou a sofrer outro AVC, e ultimamente se mudou para Torres, litoral gaúcho, quase divisa com Santa Catarina, onde veio a falecer.
Ainda não temos informação do velório e sepultamento.
Gilberto Werner deixará saudades para seus amigos.
Da Redação