CAFÉ DA MANHÃ NA COCHEIRA DO HARAS IPOSEIRAS
No último sábado, pela manhã, tive o privilégio de matar a saudade do tradicional café da manhã, na cocheira do Haras Iposeiras, na Vila Lagoa, do Hipódromo da Gávea. Cheguei por lá perto das 10h, e, para minha surpresa, nenhum dos convidados estava por lá. Apenas o treinador Noé Roberto Santos, ocupado com os seus afazeres. "Paulo Gama, esta turma da diretoria dorme até mais tarde. O café da manhã deles é quase na hora do almoço. Fica aí no ar condicionado do escritório, que a turma da elite daqui a pouco vai estar por aí", esclareceu. Luiz Otávio, o anfitrião, chegou pouco antes das 11h, com os frios, bebidas e guloseimas da padaria, no Humaitá. Estava de bom humor e abriu um largo sorriso para me receber, seu antigo funcionário, já com 14 anos de Raia Leve.
Luiz Oswaldo, titular do Haras Clarck Leite, foi o primeiro a desembarcar no recinto, com a sua voz de cantor de ópera. Apaixonado pelo turfe, ele engrenou conversa sobre cavalos, corridas, reprodutores e matrizes. Uma sinfonia ininterrupta sobre as atualidades do esporte que tanto ama. Logo em seguida, entrou no escritório, José Carlos Fragoso Pires Júnior, do Haras Santa Ana do Rio Grande, e de imediato, relembrou antiga viagem que fizemos juntos, para Bagé, no século passado, no jatinho do seu pai, Doutor Fragoso, acompanhados de Doutor José Roberto Taranto, um dos maiores veterinários de equinos da história do turfe, e, do então seu estagiário, Flávio Geo Siqueira, hoje em dia, um mestre da atividade. O velocista, Vida Mansa, treinado por Alcides Morales, e conduzido por Juvenal Machado da Silva, havia conquistado triunfo clássico, que proporcionou a coudelaria o recorde de vitórias como proprietários. Fiz matéria sobre o assunto no antigo, Jornal do Brasil, e doutor Fragoso me presenteou por passar um dia com a sua turma nas terras adquiridas em Bagé, junto a Fazenda Mondesir.
Passamos, então, um dia inesquecível no haras, onde presenciei um parto realizado pelo saudoso veterinário, Jorge Morgado, visitei o túmulo de Waldmeister e, os piquetes dos reprodutores e das matrizes. No final da tarde voltamos para o Rio de Janeiro. Era uma quinta–feira. E não é que três dias depois, a tordilha Anilité, montada por Adail Oliveira, ganhou em violenta atropelada o Grande Prêmio Brasil. Muita sorte para um jornalista principiante, recém formado, ter estado durante a semana na Fazenda Mondesir, criador da craque, o nos pastos do novo proprietário daquele abençoado espaço.
Com a chegada do hipólogo, Orlando Lima, catedrático e mestre do tema filiação, as conversas mudaram para este apaixonante tema, com outros especialistas no assunto, tais como Luiz Felipe Brandão, do Stud Eternamente Rio, Jorge Olímpio, grande turfista, e seu filho, Lucas Eller, com licença de leiloeiro, e nos caminhos da profissão de hipólogo, e o próprio Luiz Oswaldo, que também discursa com detalhes sobre o assunto. Fiquei quieto, por ser fichinha, e voltei a falar pelos cotovelos, quando eles voltaram ao tema, corridas de cavalos, e fofocas sobre os profissionais de turfe. E, claro, como nunca pode deixar de ser, Jorge Ricardo. No turfe, onde eu apareço, alguém sempre pergunta. "Quando o Ricardinho vai parar de montar?". Luiz Felipe tinha de falar sobre o seu fantástico treinador, Luiz Esteves, e o que ele fazia para ganhar tantas corridas. E, quantos potros ele tinha para a próxima temporada. Quando ele disse, uns 70, todo mundo fez silêncio, com aquela cara de que seria difícil enfrentar tamanho pelotão. Prometi a Luiz Otávio voltar mais vezes ao seu bem frequentado café da manhã, onde a presença de Paulo Afonso, o famoso Paulo Espião, que durante longos anos abrilhantou a Gávea, com os catálogos da Agência Gávea, e, sempre as últimas fofocas do prado, onde ele reina absoluto há mais de 60 anos.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Vamos abrir espaço hoje para o turfe gaúcho, que me desculpem cariocas e paulistas. Na última quinta–feira, Único Lô, castanho de criação do modelar Haras Capela de Santana, filho de Wired Bryan e Depends On Me, por Siphon, de propriedade de Luiz Henrique Flores dos Santos, ganhou o Grande Prêmio Breno Caldas, 1ª prova da tríplice–coroa, montado pelo líder, Claudinei Farias, e treinado por Neimar Canut. Cinco vitórias e cinco segundos lugares, em 10 saídas. Um potro veloz, resistente e de corrida.
JOQUEADA DA SEMANA
Not To Worry, filho de Put It Back e Escaramuza, do Haras Santa Maria de Araras, treinado por Christiano Oliveira, e conduzido pelo notável, Vagner Borges, nos proporcionou a joqueada da semana. Páreo intrincado, difícil e cheio de alternativas, mas o franzino craque das rédeas, tirou um coelho da cartola, como se estivesse na direção de um kart, e não de um cavalo de corrida.
MGA DE SEGUNDA SALVA A SEMANA
Depois do minguado Movimento Geral de Apostas de domingo, R$ 641 mil, a noturna de ontem na Gávea deu um salto para salvadores R$ 785 mil. Esta semana as duas reuniões no turfe carioca serão segunda e terça.
