Aos poucos, a rotina no Hipódromo do Cristal, se aproxima da normalidade. Os puros––sangues de corrida, artistas do espetáculo turfístico, num total de aproximadamente 400, estavam exilados, em vários pontos da cidade de Porto Alegre. Alguns na Sociedade Hípica. Outros, na Brigada Militar, e na Polícia Montada, outros ainda, a 70 quilômetros de distância, na cidade de Santo Antônio da Patrulha. Sem falar dos centros de treinamento privados, de cavalos crioulos, e pensionatos. Um mutirão de solidariedade, formado, as pressas, pelo povo gaúcho, quando a chuvarada bateu na porta de Hipódromo do Cristal. Existe verdade absoluta. Ninguém ama mais do que os gaúchos os seus cavalos de corrida. E, eles, já estão todos de volta ao prado, e no preparo para voltar a competir.
A previsão otimista é de realizar as inscrições, no dia 21 de junho. E, seis dias depois, próximo ao final do mês, dia 27, reabrir ao público o hipódromo, para alegria da gauchada. Pelo telefone, conversei com o ex–presidente, José Vecchio Filho. Apaixonado pelo esporte, ele me assegura que a raia interna já está em boas condições. E, a pista por fora, aos poucos, passa por cuidados indispensáveis, devido aos danos causados pela enxurrada. Segundo ele, antigo dirigente, e hoje, um proprietário dos mais interessados, a maioria dos páreos deverão ser realizados em distâncias curtas, entre os 700 e 1000 metros. Afinal, os cavalos tiveram pouco tempo para fazer partidas. Precisam se recondicionar, pois ficaram parados neste espaço de tempo, sem contado com a rotina da raia.
"Nunca está morto quem peleia. Passamos todos juntos por momentos difíceis. Teve gente que perdeu a própria casa, outros enfrentaram enormes prejuízos financeiros, e muita gente ficou sem rumo, com o próprio barco à deriva. Mas juntamos os cacos. Afinal somos gaúchos, Tchê. Se Deus quiser. Nós por aqui vamos todos em frente!", falou emocionado.
Por Paulo Gama.