No último dia 8 de dezembro, o Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, completou
70 anos. Palco de grandes disputas, cavalos extraordinários e pilotos lendários na história do turfe
sul–americano, o admirável “Paraíso Verde” deu cores vivas à paixão dos argentinos. Um fantástico projeto
arquitetônico resultou em magnífica construção, que conseguiu ser absolutamente prático sem deixar a beleza de
lado. Acrescentou à necessidade das corridas em pista de grama e dividiu com Palermo o sucesso e tradição do turfe
argentino.
Tendo como fontes a matéria publicada na edição especial de 3 de dezembro do jornal La Nación
e informações do site oficial de San Isidro, RAIA LEVE apresenta um resumo dos 70 anos de atividade deste que é um
dos mais importantes hipódromos do continente.
O início
Já em 1909 os
comandantes do turfe argentino idealizavam a construção de um novo hipódromo, a fim de aliviar Palermo, que
concentrava a disputa de todas as corridas realizadas no país. Mas apenas em 1924, Miguel Juárez Celman, que
dirigia a entidade máxima portenha, criou uma comissão para aprovar a compra das terras de San Isidro. As
primeiras obras levaram quatro anos, entre 1927 e 1931. A inauguração foi antecipada em um ano. Segundo os
argentinos, a paixão foi a maior urgência.
A inauguração e Leguisamo
No dia 8
de dezembro foi promovida a reunião inaugural e, na primeira prova disputada na belíssima pista de grama, a
vitória pertenceu ao cavalo Macanudo, dirigido pelo lendário Irineo Leguisamo, um dos maiores jóqueis da história
do turfe mundial, que montou até os 70 anos de idade.
O período difícil e o
fechamento
Passando à administração estatal, em 1973, San Isidro acabou sendo fechado em 1976,
ficando sem atividade por três anos e meio. Devolvido a seus legítimos donos e contando com o trabalho do
arquiteto Roberto Vásquez Mansilla, foi reaberto em 1979, totalmente remodelado. O projeto transformou–o num dos
mais bonitos e práticos hipódromo do mundo, com um aparato técnico invejável e condições jamais vistas em nosso
continente.
O novo hipódromo
San Isidro tem uma pista de grama com 2.783 de
extensão. Permite a realização de corridas em 1.000 metros sem curva (como Cidade Jardim) e um prolongamento da
reta oposta para as provas de 2.400 metros. Sua pista de areia, inaugurada em 1° de outubro de 1994, tem volta
fechada de 2.590 metros e permite corridas com até 24 competidores.
São cinco as pistas de treinamento, que
ocupam 94 hectares. A primeira, de grama, tem 2.420 metros; a segunda, de terra com areia, 2.247 metros; a
terceira, de areia grossa, 2.100 metros; e as duas restantes, menores, são de areia de
rio.
Instalações profissionais
Em San Isidro existem 1.800 boxes divididos em
135 pavilhões, onde ficam alojados os animais que participam das corridas. Existe uma Escola de Ferradores, para
preparar os profissionais da área. A Escola de Jóqueis Aprendizes, anualmente, revela novos pilotos.
O Centro
Veterinário e Laboratório de Análises completam o campo de treinamento, que ainda conta com uma cocheira de
trânsito e instalações para cavalariços que acompanham corredores procedentes de outros
hipódromos.
Datas marcantes em San Isidro
Algumas datas marcaram a história
do Hipódromo de San Isidro e do turfe argentino.
30 de novembro de 1952: o grande craque Yatasto perde o
GP Carlos Pellegrini, batido por Branding. No hipódromo, 102.600 espectadores.
8 de outubro de 1967:
começa a ser utilizado o partidor eletrônico, dando fim às largadas com a fita.
17 de janeiro de 1976:
Marina Lezcano torna–se a primeira joqueta a vencer em San Isidro.
25 de maio de 1976: o fim de um
ciclo, San Isidro é fechado.
8 de dezembro de 1979: o hipódromo reabre, completamente modernizado e com
novas pistas.
14 de dezembro de 1980: o GP Carlos Pellegrini, prova mais importante do turfe argentino,
volta a San Isidro e Regidor derrota Mountdrago.
10 de outubro de 1982: Fort de France, com Marina
Lezcano, ganha o GP Jockey Club e estabelece o recorde dos 2.000 metros, com a marca de 117s2/10.
1° de
outubro de 1994: é inaugurada a pista de areia.
Um Pellegrini histórico com 14
estrangeiros
A volta da disputa do GP Carlos Pellegrini a San Isidro, em 1980, teve dotação
extraordinária, 430 mil dólares, atraindo concorrentes do exterior. Foram inscritos cavalos norte–americanos,
alemães, peruanos, além dos brasileiros Dark Brown (o terceiro colocado) e Leão do Norte. O quádruplo coroado
Telescópico, que já havia deixado à Argentina, retornou como favorito. Mas, as zebras Regidor e Mountdrago
prevaleceram diante de mais de 100 mil pessoas.
Vitórias brasileiras
Much
Better, em 1994, e Gorylla, em 2003, ambos dirigidos por Jorge Ricardo, levantaram a maior prova argentina. No
Pellegrini deste ano, corrido no último dia 10, venceu Storm Mayor, com o jóquei uruguaio Pablo Falero, radicado
há muitos anos em Buenos Aires e ganhador várias vezes da estatística.
Ações
humanitárias
A direção do Jockey Club, responsável por San Isidro, tem preocupação constante
com as causas humanitárias. Parte das terras que pertenciam ao hipódromo, foram doadas para a construção do
Hospital Central. Bruno Quintana, atual presidente da entidade, trabalha para que as principais carreiras
contribuam, de alguma forma, para melhorar a alimentação e a educação de crianças
carentes.
por Marco Aurélio Ribeiro