FRANCISCO LEANDRO, UM JÓQUEI BRASILEIRO AMADO NA ARGENTINA
Em 2019, após um dos tantos graves acidentes sofridos por ele nas pistas, o recordista mundial de vitórias, Jorge Ricardo, decidiu encerrar o ciclo vitorioso no turfe argentino, e retornar ao Brasil. Era hora de preparar o encerramento de sua carreira. Depois de mais de 40 anos de profissão, finalmente havia realizado o sonho, de ser o número 1 do mundo, em todos os tempos, numa disputa histórica, com o canadense Russel Baze, radicado no turfe norte–americano. "Chegou a hora de voltar para casa", Jorge Ricardo falou em tom profético para mim, pelo telefone. "Agora, os jóqueis sul–americanos que montam aqui na Argentina, vão ter que aturar, este cearense simpático e trabalhador chamado, Francisco Leandro", sentenciou o campeão do mundo.
Eu sou curioso, característica de quase todo jornalista, e tratei de dar corda no Ricardinho para obter melhores informações sobre o jovem, oriundo de Sobral, onde nasceu em 8 de abril de 1990, que tanto havia agradado os turfistas, treinadores e proprietários que o admiravam, no início de carreira, em Hipódromo de Cidade Jardim. "O Pablo Falero se aposentou. Eu ainda vou montar mais um pouco na Gávea, e, aos poucos, me despedir nos outros prados do Brasil. F. Leandro não vai ter rivais em Palermo, San Isidro e La Plata. É focado no trabalho, talentoso, humilde, carismático e dono de muita simpatia no trato com as pessoas. Sempre solícito, sorridente e respeitador. Pode escrever que será um ídolo no turfe argentino", afirmou convicto.
Agora, na temporada de 2023, alguns anos depois, os fatos e o rumo tomado pelo destino comprovaram a sabedoria de Ricardinho. E, nesta última semana, ele próprio perdeu duas marcas importantes, conquistadas na sua gloriosa carreira, para este cearense, de sorriso farto, porém, tremenda encrenca nas pistas. Francisco Leandro Fernandes Gonçalves bateu dois recordes do próprio Jorge Ricardo. O argentino de vitórias no mesmo ano, 467 triunfos, desde 2008 pertencia ao botafoguense, Ricardinho. E, o mais importante, o sul–americano, 477 pontos, no mesmo espaço de tempo, batido por ele, na Gávea, na temporada de 1992/93, período em que conquistou o seu primeiro Grande Prêmio Brasil, com o inesquecível, Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, treinado pelo saudoso, João Luiz Maciel.
O CLUBE DOS 500
Hexacampeão da estatística do turfe argentino, com 387 vitorias (2018), 390 (2019), 194(2020), na pandemia, 400 (2021), 418(2022), duas temporadas em que sofreu acidentes com fraturas, e 2023 (478), por enquanto. Francisco Leandro só precisa de mais 22 vitorias para requisitar vaga no lendário clube dos 500. Os únicos 4 jóqueis do mundo, com mais de 500 vitórias num ano hípico. Este clube possui quatro membros de elite. Kent Desormeaux, 597 vitórias, em 1989, Chris MacCarron, 546, em 1974, Edgar Prado, 535, em 1997, e Sandy Haley, 515, em 1973. Se Francisco Leandro não tirar férias, com certeza, vai alcançar esta turma graduada. Afinal, o ano hípico só termina no final de dezembro, na Argentina.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
No prado carioca, Luiz Esteves deu o cartão de visita de Blood Mary, de criação e propriedade da Fazenda Mondesir, na esfera clássica. Ganhou com brio a filha de Agnes Gold e Netherlands, por Point Given, o GP Marciano de Aguiar Moreira. Direção precisa de Acedenir Gulart, sempre muito à vontade com a gloriosa farda da família Peixoto de Castro. Em São Paulo, mais uma apresentação de luxo de Antenor Menegolo Neto, para Charles do Bronxs, de criação e propriedade do Haras do Morro, filho de Carrocel Encantado e Sky My Darling, por Sky Mesa. Direção serena e correta de Valmir Rocha, de volta da aposentadoria em boa forma atlética.
JOQUEADAS DA SEMANA
Victória Mota brilhou correndo na frente, no dorso de Sinceridad, com a bela farda do Stud Rotterdam, e treinamento caprichado de José Luiz Pedrosa Júnior. Pegou desprevenida a parceirada e deu show. Alexandre Correia fez o mesmo, porém correndo atrás, com Oxalá, com outra farda bonita, do Haras Valente, e preparo do veterano, Jairo Borges, que já fez muito estrago, em sua carreira, com a tradicional farda paranaense. Inclusive, um GP Brasil.
PERSONAGEM
O gaúcho, Acedenir Gulart, é do ramo. Tem fama de bater muito nos puros–sangues. Lá isto é verdade meu grande amigo. Da uma maneirada, de vez em quando. O que eles esquecem é de falar que você não bota barbada fora. A. Gulart é apaixonado pela profissão, trabalhador e não tem medo de cara feia. Quando recebe boas montarias, ele faz o serviço bem feito. Foi assim esta semana para duas fardas importantes. Blood Mary, da Fazenda Mondesir, e Megamente, do Stud H&R. Duas lindas e competentes apresentações de Luiz Esteves e, de, Leandro Guignoni. Parabéns.
