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Setembro | 2023

Páreo Corrido, por Paulo Gama
27/09/2023 - 08h37min

JOCKEY CLUB INAUGURA DOMINGO ESTÁTUA PARA JORGE RICARDO

E lá se vão 46 anos de carreira. Longo tempo se passou desde a estreia daquele adolescente, de cabelo liso, com corte parecido com do personagem, Príncipe Valente, das revistas em quadrinhos. Jorge Antônio Ricardo logo mostrou a sua cara. No dorso de Taim, de propriedade de Israel Poyastro, treinado por seu hoje saudoso pai, Antônio Alfredo Ricardo, um dos maiores jóqueis no regime de freio de todos os tempos, conquistou o primeiro, dos hoje em dia, 13.272 triunfos catalogados. Eram tempos diferentes dos atuais. O turfe era esporte prestigiado na mídia. E todos os jornais do Rio de Janeiro traziam a notícia da estreia do filho do A. Ricardo, dos programas oficiais. E os aficionados comentam ansiosos, entre si. "Vai estrear o Ricardinho, filho do Antônio Ricardo". "Será que ele será tão bom feito o pai?", se perguntavam. "Dizem que é muito jeitoso", falavam outros. "Mas nunca será tão bom como o A. Ricardo. Ele endurece nas retas com o Rigoni. E dá calor nos melhores chilenos", especulavam.

O tempo passou. E, se encarregou de responder aquelas perguntas. Antônio Ricardo era um craque. Mas não tinha vida regrada e passava boa parte do seu tempo à noite, nas mesas de carteado. Entretanto, se preocupou, de preparar muito bem o menino na raia, já que ele, orgulhoso da fama do pai, como quase todo filho, queria seguir o mesmo rumo na profissão. No aprendizado absorveu a técnica, os segredos de raia, a ousadia e a coragem para estar a mais de 60km, por hora, no dorso dos puros–sangues de corrida. No meio turfístico logo ganhou respeito, devido a disciplina absurda, o cumprimento dos horários, o cuidado impecável com a forma física e, a fome imprescindível de ganhar carreiras. Antônio Ricardo havia criado um monstro. E, aquele menino franzido adquiriu força física e preparo, que o transformaram no apelido que carrega durante toda a vida profissional. "A Máquina de Vitórias". 

O currículo de Ricardinho fala por si, diante das críticas que recebeu, em sua trajetória, por aqueles que tinham preferência por outros bons jóqueis, e torciam contra ele. Em primeiro lugar, a sua longevidade. Nenhum colega de profissão, da sua geração, continua na raia para competir. Todos se aposentaram. Além disso, obteve o recorde mundial de vitórias, num período em que derrotou um linfoma. Hoje possui mais páreos ganhos, do que qualquer piloto do planeta Terra. É recordista sul–americano de vitórias, 477 pontos, numa mesma temporada. Recordista semanal de vitórias na Gávea, 16. Recordista de vitórias numa mesma reunião, 7. Recordista de estatísticas conquistadas no turfe carioca, 24 anos consecutivos. Quatro estatísticas na Argentina, em 2007, 2008, 2011 e 2012. Ganhou o Latino–americano, cinco vezes, o GP Carlos Pellegrini, três vezes, o GP Brasil 2, o GP São Paulo, 2, e o Derby, GP Cruzeiro do Sul, em 7 oportunidades. 

Por estas e outras, o Jockey Club Brasileiro vai inaugurar uma estátua para ele, em suas dependências no próximo domingo. Uma linda homenagem. No sábado, dia 30 de setembro, Jorge Ricardo completará 62 anos. Muito tempo em profissão tão arriscada. Difícil de entender, para a maioria, por que ele teima em não parar. Uma frase simples, dita por ele, na intimidade da nossa amizade, me fez absorver a sua razão de viver flertando com o perigo de profissão tão arriscada. "Eu gosto das coisas boas da vida igual a todo mundo. Uma boa comida, uma viagem de férias para sair da rotina, estar com a minha família, etc e tal. Mas, nada desta vida me proporciona a euforia e o prazer de montar um cavalo de corrida e ganhar o páreo".

No dia 1º de outubro, domingo, em que receberá a homenagem do Jockey Club Brasileiro, com a inauguração da estátua, Ricardinho só sentirá esta satisfação pessoal de montar, uma única vez. No dorso de Playa Los Ingleses, do Stud Best Friends, no GP João José e José Carlos de Figueiredo. No dia seguinte, dia 2, também. Só a montaria de Memories, do Stud Instante Mágico, outro proprietário, que sempre prestigia Jorge Ricardo. E, na terça–feira, nenhuma montaria sequer. Ricardinho é vítima do preconceito da idade, tão comum ao povo brasileiro. Paciência. "Jorge Ricardo e os cavalos de corrida, um galope inseparável rumo a eternidade".

GP LINNEO DE PAULA MACHADO

O Grande Criterium recebeu as inscrições de 9 potros de qualidade. O perfil do campo da prova tem como característica nítido equilíbrio. Difícil descartar algum dos nomes. O ritmo da carreira será predominante para se ter o vencedor.  Mapa do Brasil, Ungai Hai, Monanfan, Moroccan, Companheiro Leal, Apolo Dez estão adiantados e devem dividir o favoritismo. Mas, Lancelot Kitten, Keep Legendary e Pachacuti, que devem ser os menos prestigiados nas apostas, também possuem belos predicados.

PEGASUS BRASIL

No Hipódromo do Tarumã foram realizadas as provas preparatórias para o Festival da Pegasus Brasil, em outubro próximo. Entre os ganhadores do ensaio para a hora da verdade, daqui a 30 dias, está Maximum Drive, do Haras Springfield, montaria de Leandro Henrique, e apresentação de Alcione Menegolo. Desenvoltura, autoridade e a certeza que será um dos fortes candidatos a versão Classic da Pegasus. Nos outros páreos, pairam algumas dúvidas. Alguns concorrentes não estavam no último furo.

EM SÃO PAULO

Os dois triunfos clássicos da semana em Cidade Jardim foram insofismáveis pela a autoridade dos ganhadores das provas. Concentre, do Stud Ceprano, voltou a reinar absoluto, em os fundistas. A dupla Lucas Quintana e Ruberlei Viana cumpriu com absoluta competência os seus papéis específicos na Prova Especial Theotônio Piza Lara, na distância de 3000 metros, na grama. No Clássico Nelson de Almeida Prado, em 1400 metros, na areia, Charles do Bronxs, deu um show na parceirada, com apresentação maravilhosa de Antenor Menegolo Neto, e direção inspirada de Marcus Ribeiro.

A FAÇANHA DE LUAN MACHADO

Os dois triunfos, no mesmo dia, do jóquei brasileiro, Luan Silva Machado, em dois hipódromos diferentes dos Estados Unidos, Parx, na Pensilvânia, com Next, e, em Churchill Downs, no Kentucky, com o azarão Accredit, separados por mais de 1000 quilômetros, foi um feito memorável. Parabéns ao piloto por sua coragem, ousadia e visão para saber aproveitar o importante momento de sua carreira. 

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

O treinador, Cláudio Peixoto Almeida, que por muitos anos cuidou dos puros–sangues do saudoso, Stud Capitão, e continua com muita competência para treinar cavalos de corrida. Del Camina, de Henrique Menegotto Lorea, não escolhe turma, e segue em forma exuberante em pistas cariocas, depois de bom início no Cristal. Big River, do mesmo proprietário, também brilhou no campo reduzido da Prova Especial Plenty of Kicks. Teve pela frente fortes rivais e os derrotou com autoridade.

JOQUEADA DA SEMANA

Nada do que foi produzido em nosso território nacional se compara ao que o nosso admirável João Magic Moreira produziu em pistas australianas, com Militarize, na prova de grupo 1, conquistada por ele, no Kia Golden Rose, corrido no importante Hipódromo de Rosehill. Aos tapas e beijos, numa chegada eletrizante, primeiro ele, nos 1400 metros da competição. Um gênio das rédeas.

PERSONAGEM

A três meses do encerramento do ano hípico na Argentina, o jóquei, Francisco Leandro possui 403 vitórias, já incluídos os triunfos de Nasce Um Craque, Other Friends e Full of Tears, ontem à tarde, em La Plata. O hexacampeonato da estatística já está conquistado, por antecipação. O jóquei cearense agora, tenta encarar o desafio de ganhar mais 75 páreos, em outubro, novembro e dezembro, para somar 478 pontos, e bater os recordes argentino, 467, e sul–americano de vitórias numa mesma temporada, 477, que pertencem a Jorge Ricardo. Será que dá?



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