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Dezembro | 2005

Sobre a utilização da pista de grama da Gávea
21/12/2005 - 15h51min

No dia 7 de dezembro, o turfista Arthur Stern enviou e–mail à Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro, cujo teor, basicamente, segue abaixo.

“Gostaria de registrar uma atitude louvável tomada pelos senhores quando, na última sexta–feira, dia 02/12/2005, realizou–se uma medição da raia de grama às 12 horas, já que, apesar da realizada na parte da manhã ter apresentado índice que levou a CC a confirmar que os páreos deveriam ser corridos em pista do programa, chovia no entorno do hipódromo. Como não poderia deixar de ser, ao realizar–se a medição às 12 horas, constatou–se a óbvia situação, comprovando o acerto da Comissão em realizar a nova avaliação.

Porém, espanta–me que o contrário não seja feito! Não se utiliza o mesmo critério para se tentar que as provas chamadas para a grama, sejam, sim, nela corridas. Toda a criação brasileira, da qual nos orgulhamos muito pelos resultados obtidos no exterior em pista de grama, é voltada, como sabemos, criadores, proprietários e entendedores de cavalo de corrida, para animais que desenvolvem melhor poderio locomotor na grama e, por isso, produtos nacionais, com exceção de um ou outro (no momento, só me ocorre o cavalo Ace Blue, que, aliás, possui raça voltada para à grama e, incrivelmente, nunca demonstrou nada neste terreno), só fazem sucesso no exterior na pista gramada.

Podemos afirmar que a maioria dos animais que atua em nosso hipódromo possui preferência pela grama. Isso não teria a menor importância para o Jockey Club Brasileiro se a mudança de pista não afetasse a quantidade de animais correndo e, consequentemente, as apostas. É inegável o fato de que quando realizamos corridas nas pistas programadas, temos sensível aumento no movimento de apostas.

Por exemplo, no sábado 08/10/2005, estávamos sem grama há um bom tempo (é bem verdade que o tempo tem dificultado e muito a utilização do gramado), mas não chovia no Rio de Janeiro há aproximadamente uma semana, o que fez com que a raia começasse a secar. Amanheceu um daqueles dias típicos do verão do Rio de Janeiro, céu completamente azul, sol a pino, calor de 35° à sombra etc... Esta comissão, apesar de avisada, agiu de forma antagônica à da última sexta–feira. Ou seja, a medida da raia, às 8h30min, registrou 65 pontos e foi declarada que as corridas seriam realizadas na pista de areia, com exceção de um Handicap, programado para 1.000 metros.

Afirmo que a decisão foi incorreta, pois os páreos programados para a pista de grama eram os 6°, 8°, 9° e 10°, sendo o sexto o Handicap. Portanto, os páreos seriam realizados no final da tarde, quando a pista já estaria bastante seca. Prova disso foi que o animal ganhador do handicap (bom potro, de boa filiação, mas, por enquanto, nada além disso), Notícia Ruim, assinalou o tempo de 55s7/10 para a grama "pesada" (e os 1000 metros são corridos pelo prolongamento da reta, trecho de difícil secagem). Ora, ou estávamos diante de um novo fenômeno das pistas, um virtual recordista, ou a pista se encontrava seca, como a inteligência e serenidade de muitos sugeria.

O tempo da prova se encarregou de comprovar que a segunda opção era a correta. Tive o trabalho de procurar alguns jóqueis que montaram no Handicap e obtive a resposta de que a pista, de tão seca, permitiria que os animais corressem desferrados. Falei, também, com alguns treinadores veteranos e todos eram da mesma opinião.

O que mais me espantou é que esta Comissão, embora avisada da enorme possibilidade de termos pista seca no horário em que os páreos seriam corridos, não realizou nova medição por volta das 12 ou 13 horas. Certamente, liberariam a utilização da grama, cujas perfeitas condições mais tarde ficaram comprovadas.

De qualquer forma, escrevo não para criticar erros do passado, mas sim, para elogiar o recente procedimento, que, se entendi bem, passará a ser adotado com a freqüência necessária, buscando–se a preservação da pista gramada do JCB (que, aliás, devido ao enorme tempo de inatividade em 2005 e aos cuidados do JCB, encontra–se em excelente estado), bem como utilizando–a no maior número possível de reuniões”.


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