FEDERICO TESIO
nasceu em 17 de janeiro de 1869, na cidade italiana deTorino. Órfão, ainda jovem, foi acolhido no Collegio Realle
di Moncalieri, onde começou a tomar gosto pelo estudo da ciência, filosofia e matemática, que o levou na fase
acadêmica a optar pelo direito e, posteriormente, pelo curso de arquitetura, que não chegou a
completar.
De espírito irrequieto, no fim do século XIX, dos 23 aos 28 anos, preferiu viajar pelo mundo,
começando com uma breve estada na Inglaterra, de lá seguindo para a Índia, China, Japão, Argentina, Estados Unidos
e Canadá. Através dessa extraordinária experiência de vida, que lhe abriu as portas de um mundo desconhecido, teve
a oportunidade de conhecer novas culturas, conviver com intelectuais e se relacionar com pessoas interessantes que
muito contribuíram para sua formação. Na viagem conheceu alguns hipódromos, na Índia, em Cingapura e em Pequim,
que despertaram em sua mente a atração pelos cavalos, que trazia já incubada desde a infância.
Do Japão
viajou para a Argentina, onde, trabalhando como topógrafo, permaneceu durante 10 meses na Patagônia, quando teve a
oportunidade de observar e estudar os cavalos selvagens da região. Da América do Sul retornou para a Itália,
seguindo para os Estados Unidos e Canadá.
Após casar com Lídia Flori di Seramezzana, em 1898, no ano
seguinte fundou em Dormello, nas margens do Lago Maggiore, no Piemonte, o haras onde nasceram extraordinários
cavalos, cujos jóqueis vestiram a famosa blusa branca, com cruz de Santo André e boné encarnado.
No
início, muitas dificuldades tiveram de ser superadas pela modéstia, perseverança e vontade de vencer, aliás, como
sempre acontece com empreendimentos construídos sobre uma base sólida e com o amor daquele que os faz. A
expectativa, os primeiros êxitos, as desilusões, a vitória assegurada e a glória, foram etapas pelas quais
passaram craques como:
1906 / FIDIA–GB (Bay Ronald–GB); 1908 /
ARNOLFO DI CAMBIO–Ity (Melanion–GB) e GUIDO RENI–Ity (Melanion–GB); 1909 / SALVATOR ROSA–Ity (Le
Samaritain–Fr); 1911 / BRUNELLESCHI–Ity (Picton–GB); 1918 / MICHELANGELO–Ity
(Signorino–GB); 1919 / SCOPAS–Fr (Sunstar–GB); 1923 / APELLE–Ity
(Sardanaple–Fr), CRANACH–Ity (Cannobie–GB) e NEROCCIA–Ity (Harry Of Hereford–GB), égua; 1929 /
SOLARIA–Ity (Havresac–Fr), égua; 1933 / DE ALBERTIS–Ity (Coronach–GB); 1934 /
DONATELLO–Ity (Blenheim–GB) e SCUOLA UMBRA–Ity (Havresac–Fr), égua; 1935 / NEARCO–Ity
(Pharos–GB), 1935; 1938 / NICCOLÓ DELL´ARCA–Ity (Coronach–GB); 1941 / TORBIDO–Ity (Ortello–Ity);
1943 / GIRALDA–Ity (El Greco–Ity), égua; 1944 / TENERANI–Ity (Bellini–Ity);
1945 / JACOPA BELLINI–Ity (Bellini–Ity), égua; 1946 / ANTONIO CANALE–Ity
(Torbido–Ity); 1947 / TOMASO GUIDI–Ity (Orsenigo–Ity); 1948 / DAUMIER–Ity
(Niccoló Dell´Arca–Ity); 1950 / TOULOUSE LAUTREC–Ity (Dante–GB); 1951 /
BOTTICELLI–Ity (Blue Peter–GB) e GIAMBELLINA–Ity (Precipitation–GB), égua; 1952 / THEODORICA–Fr
(Owen Tudor–GB), égua, e RIBOT–GB (Tenerani–Ity), cavalo do século XX e última obra–prima do mestre Tesio, que
morreu com mais de 80 anos.
por Francisco Portinho