Conheci o treinador Venâncio Nahid, nos meus primeiros passos como repórter de turfe do extinto e glorioso, Jornal do Brasil, em dezembro de 1982. Naqueles tempos, o saudoso treinador, Alberto Nahid, seu pai, o chamava carinhosamente de Neném. Era o filho mais novo, enquanto Roberto, o mais velho, atendia o severo chefe da família, por Robertinho. O amor entre os três, era incondicional, mas todos eles tinham temperamento forte, e vez por outra discutiam e batiam boca em pleno matinal da Gávea. Ninguém dava bola. Aquelas discussões faziam parte do cotidiano. Se o aborrecimento fosse com um terceiro, imediatamente eles se juntavam e compravam a briga juntos. Tipo, um por todos e todos por um.
Alberto Nahid educou os garotos com rédea curta e tentou passar para eles os melhores valores. Talentoso, dedicado e intenso, Venâncio construiu, gradativamente, carreira das mais bem sucedidas. E, no aspecto profissional, durante longos anos seguiu o aprendizado do velho Nahid. Ouso dizer, entretanto, que com o passar dos anos, inovou, desenvolveu e aprimorou toda a base teórica herdada do pai. Venâncio, o Neném, já tem o seu nome gravado na história do Grande Prêmio Brasil. Ninguém ganhou a prova mais vezes do que ele. Com seis triunfos, ele está empatado com o inesquecível Ernani de Freitas, uma lenda.
No Grande Prêmio Brasil deste ano, se Pimper’s Paradise confirmar o seu favoritismo, e conquistar o bicampeonato da prova, V. Nahid será recordista isolado da competição. Flying Finn, do Stud Numy, em 1990, foi a primeira conquista de Venâncio na prova. A seguir, vieram os triunfos de Vélodrome, do Haras Dar–El–Salam, em 2005, Jeune–Turc, do Stud CED, em 2009, Barolo, do Haras Santa Rita da Serra, em 2015, My Cherie Amour, do Haras Doce Vale, em 2016, e Pimper’s Paradise, da mesma coudelaria, em 2020. Vale lembrar, que além do favorito, o treinador ainda tem o reforço de Or Noir, do mesmo proprietário, no campo da competição, e de Novo Sol, do Oitavo Stud/Haras Princesa do Sul, derrotado por cabeça no GP São Paulo. Aos 60 anos, consagrado, reconhecido e respeitado, Neném está a um passo da eternidade...
Por Paulo Gama