Há 88 anos, o tordilho pernambucano, Mossoró, dava início a gloriosa história do Grande Prêmio Brasil. E, desde então, através dos tempos, a magnitude da prova simboliza a paixão, a nobreza, a dedicação e o suor dos aficionados para manter acesa a chama do amor incondicional pelo turfe. Hoje, dia 15 de agosto de 2021, às 17h15, será dada a largada para mais um GP Brasil, no majestoso Hipódromo da Gávea, um dos mais belos do mundo, com as suas arquibancadas de arquitetura francesa, protegido pelas centenárias palmeiras do Jardim Botânico, abençoado pelo Cristo Redentor, as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, e com a Pedra Bonita e a Pedra da Gávea, ao alcance dos olhos e dos binóculos, nas mãos dos turfistas das tribunas. O Grande Prêmio Brasil representa o orgulho do cidadão comum, e, também, de uma nação inteira de pessoas apaixonadas por corridas de cavalos.
Em tempos de pandemia, não foi nada fácil para o JCB organizar quatro programas de tão alto nível técnico. Quatro provas de Grupo 1, e mais 12 clássicos. Muito acima da média. Receber com a tradicional hospitalidade carioca, as delegações de outros estados. Superar a intempérie das chuvas intermitentes, manter as pistas em boas condições e realizar a festa. Afinal, o espetáculo não pode parar. E, hoje, neste domingo histórico, o sol vai brilhar, renovar as esperanças, e permitir uma tarde gloriosa para todos aqueles que amam o esporte.
Os turfistas não são diferentes de todos os homens. Eles têm lá as suas diferenças, políticas, religiosas e sociais. Porém, eles têm algo em comum. O amor eterno pelos puros–sangues de corrida. E este amor, vai se fazer presente, nesta tarde de domingo. Ele aquecerá os nossos corações com este sol morno de agosto. Desde a largada do primeiro páreo, às 13h15, até a conclusão da jornada, os corações turfísticos vão acelerar nas tribunas. O sangue ferverá nas veias, e a temperatura nas pistas será incandescente. Afinal, como escreveria, se fosse vivo, o saudoso, Nelson Rodrigues. "Todos os vivos sairão de suas casas, e, também, os mortos das suas tumbas, para assistir o Grande Prêmio Brasil!".
OS FAVORITOS
Pimper’s Paradise, do Haras Doce Vale, campeão do ano passado, defenderá o favoritismo do público. O pensionista de Venâncio Nahid brindou o turfista brasileiro, nas últimas temporadas, com as mais belas exibições na Gávea, e em Cidade Jardim, quando lá esteve. O resultado da prova está diretamente condicionado ao que o craque apresentar. Se correr tudo que sabe, o resultado é óbvio. Mas, as coisas não são tão simples assim, num GP Brasil. Jackson Pollock, do Stud Verde, atravessa a melhor fase de sua campanha. E, está pronto para levantar a maior prova do turfe nacional. Merecidamente foi eleito o melhor 3 anos no Troféu Mossoró. E George Washington, do Stud Happy Again, adora a raia pesada. Vez por outra, a natureza o abençoa, e molha a raia em momentos importantes. Assim foi quando ele ganhou o próprio GP Brasil, e o GP São Paulo.
No campo da prova existem outros bons nomes. Numa raia leve, Head Office, do Stud Aléssio & Naela, seria um deles. Na raia pesada, só se a estrela do recordista mundial, Jorge Ricardo, estiver de plantão. Em tempo de domínio das mulheres, inclusive nas Olimpíadas, não se pode deixar de registrar a presença de uma única, e atrevida égua, no campo da prova. Zarabatana, entrará na raia com a bela e tradicional farda da Fazenda Mondesir. A craque da família Peixoto de Castro quase impediu a tríplice–coroa de Janelle Monae. A confiança nela deve ser absurda. Do contrário teria sido inscrita ontem, no GP Roberto e Nelson Seabra. Abriu mão do páreo da ala feminina, para encarar os melhores cavalos do país. E a estrela do seu jóquei, José Aparecido, tem brilhado bastante nos últimos tempos. Façam as suas apostas!
Por Paulo Gama