No dorso de Maria Candelária, de criação e propriedade de Duílio Berleze, e preparo do treinador M. Chaves, a joqueta Victória Mota produziu direção impecável e conquistou triunfo aplaudido pelo público da Gávea. Na repesagem do hipódromo carioca, o pai, Alex Mota, que assistiu ao páreo na televisão, não conteve o entusiasmo. Normalmente de temperamento frio e calado, ele saiu em disparada na direção da foto da vitória, e olhava ao redor e perguntava aos colegas. "Vocês viram que joqueada da minha filha? ".
Alex Mota tinha razão. Após quatro anos de profissão, Victoria Mota está muito mais experiente, confiante, com braços fortes, musculatura definida e preparo físico perfeito. E, o melhor de tudo, ainda tem descarga de dois quilos, por ser joqueta, com muito mais malícia e rodagem do que qualquer aprendiz. Porém, existe o preconceito. O maldito estigma de ser mulher num mundo machista, aonde só os homens têm vez. Um lugar em que só os homens podem errar.
Trabalhei com agente de montaria dela por uma temporada e conquistamos 108 vitórias. Era ótima aprendiz. Victoria sempre foi excelente largadora. E, talvez por ser filha de Alex Mota, "o homem de gelo", no dorso de um cavalo de corrida, ela até pode errar, mas jamais se desespera.. Com Maria Candelária, filha de Salto e Sweet Happy, ela ficou junto aos paus, num páreo numeroso, fez curva perfeita, e só arrancou sua conduzida para o meio de raia, num rápido movimento em diagonal, sem perder terreno. Atropelou com força e numa tocada ritmada e eficiente obteve belo triunfo. Uma direção, que segundo o seu próprio pai, ele assinaria embaixo.
Por Paulo Gama