Ninguém promove melhor, qualquer evento, do que a mídia americana. O mundo do turfe, levado muito a sério nos Estados Unidos, está voltado para o norte da Califórnia, mais precisamente para o Hipódromo de Bay Meadows, onde, na corrida de hoje, o canadense Russell Baze, de 48 anos, pode igualar e até suplantar o recorde mundial de vitórias.
A marca de 9.530 êxitos pertence ao panamenho Laffit Pincay Jr., já aposentado, que em 10 de dezembro de 1999 superou a marca histórica de Bill Shoemaker, então, de 8.833, e que perdurava há 29 anos. Foi um acontecimento memorável, como lembra Pincay, que está na Califórnia, aguardando a hora de passar o bastão para Baze.
Entrevistado pela National Thoroughbred Racing Association (NTRA), Russell Baze falou sobre carreira, família, metas e o significado do que está para acontecer em sua vida. Alguns trechos mais importantes, vamos reproduzir.
Sobre a rotina de todos esses anos, de trabalhar cavalos pela manhã e montá–los à tarde, Baze foi sincero.
Isso não me cansa nem me causa tédio, pois não sei fazer outra coisa. Os cavalos de corrida estão enraizados há, pelo menos, três gerações na minha família. Meu avô, meu pai, tios, primos, todos sempre foram envolvidos com turfe. Além de tudo, me dá muito prazer o que faço.
Sobre o significado da quebra do recorde mundial, o piloto mostrou satisfação e falou sobre a realização pessoal.
É um momento especial na minha vida. Ver meu nome no topo da lista, entre todos os jóqueis do mundo, é motivo de grande honra e satisfação. É como sentir a sensação do dever cumprido. A marca de Shoemaker durou 29 anos e a de Pincay, caso eu consiga superá–lo agora, sete anos. Vamos ver se consigo me manter na frente por um bom tempo.
Em relação à conversa que Pincay teve com ele a respeito da quebra do recorde, Baze disse que ficou emocionado.
Competimos juntos em algumas oportunidades, mas nunca tive um contato maior com ele. Na última vez em que estive no sul da Califórnia, Pincay me procurou e desejou boa sorte. Fiquei impressionado com sua educação, um verdadeiro cavalheiro.
Na entrevista, Baze revelou o nome de seu ídolo.
Acho que ele é unanimidade entre todos os jóqueis, disse, referindo–se a William “Bill” Shoemaker. Citou a categoria e a longevidade do grande piloto, um exemplo para os americanos.
Questionado sobre seu maior triunfo pessoal, surpreendeu o repórter.
Sinceramente, nunca havia pensado seriamente sobre isso. Mas, sem dúvida alguma, a maior vitória pessoal foi convencer minha mulher a casar comigo.
Quanto aos riscos da profissão e o medo de acidentes, o piloto, mais uma vez, mostrou–se muito sincero.
Seria estúpido de minha parte afirmar que não existe o medo de que algum acidente na raia possa acontecer. Já sofri inúmeras quedas e fraturas, mas consegui me recuperar. Quebrei braço, costelas, pulso, tornozelo e, sinceramente, acho que só não quebrei a cabeça. O risco existe, mas precisamos correr com lisura e evitar os problemas. Quando se entra na pista, não se pensa em nada além de vencer. Agora, é uma profissão onde os fracos não têm vez.
E o melhor cavalo que montou em toda a vitoriosa carreira? Baze não titubeou para responder.
Lost In The Fog, um fenômeno, e jamais montei outro parecido com ele. Ganhou as dez primeiras corridas e seguiu mostrando sua categoria por todo o país. Também foram importantes Hawkster, Simply Majestic e Sekondi, entre outros.
Em seguida, o repórter quis saber se Baze, ohando para trás, mudaria alguma coisa.
Não. Tive diversas oportunidades para me transferir e atuar em outros centros, principalmente no sul da Califórnia, mas sempre estive decidido a permanecer no norte, em Bay Meadows e Golden Gate Fields.
Questionado sobre a possibilidade do filho Gable se tornar jóquei, levando a quarta geração dos Baze às pistas, foi categórico.
Gable cresceu muito e está bem mais alto do que eu. Está estudando e, apesar de gostar de turfe, tem um caminho a seguir e eu o apóio completamente.
Encerrando a entrevista, o repórter pergunta a Baze sobre o futuro e qual a sua meta depois de tantas conquistas e muito perto de entrar para a história do turfe mundial.
Taxativo, Baze disse que pretende alcançar as 10 mil vitórias.
Portanto, como dizem os americanos, é “show time”. O palco está armado, a mídia presente e poucos duvidam que, na corrida de hoje, o Hipódromo de Bay Meadows, via satélite, enviará ao país inteiro as imagens do novo recordista mundial.
por Marco Aurélio Ribeiro