E POR FALAR EM SAUDADE, FRAGOSO PIRES NOS DEIXOU
No início dos anos 90, quando José Carlos Fragoso Pires assumiu a presidência do Jockey Club Brasileiro, o turfe carioca passou por autêntico upgrade na sua política administrativa e estrutural. Doutor Fragoso era um homem empreendedor, dinâmico, generoso e, acima de tudo, um líder nato. O titular do Haras Santa Ana do Rio Grande tinha as qualidades de ser hábil, solícito, elegante e gentil no trato com os seus subordinados, e, por consequência disto, conseguia extrair o melhor, de cada um dos seus subordinados. Em pouco tempo de gestão colocou o turfe carioca num alto patamar. Em qualquer um dos seus discursos, ele fazia sempre questão de destacar a importância da indústria do cavalo de corrida para a economia do país, por sua capacidade de empregar cidadãos, de diferentes classes sociais, de acordo com sua função, em relação ao puro–sangue de corrida.
José Carlos Fragoso Pires repetia sempre, que fosse veterinário, jóquei ou cavalariço, todos eram fundamentais no funcionamento de toda a engrenagem. "A Indústria do Turfe emprega mais pessoas do que a própria Indústria Naval, a qual pertenço. Todos estes trabalhadores possuem famílias, com mulher e filhos, que precisam deste sustento para sobreviver. Por isso, o ferrador, o escovador, os fornecedores de ração e de serragem são tão importantes quanto os profissionais com mais visibilidade, como os jóqueis e os treinadores. Cada peça desta indústria precisa se sentir indispensável para fazer bem o seu trabalho", repetia com sabedoria. E este carinho pelo próximo, Fragoso Pires levava para a estrutura de sua equipe, no haras, em Bagé, nas cocheiras, da Gávea, ou no Centro de Treinamento, na região serrana. Todos os seus funcionários se sentiam úteis e valorizados pelo "Big Boss", e, por isto, rendiam ao máximo.
Fragoso Pires sempre prestigiava bastante a Imprensa. Por ocasião do Grande Brasil organizava um torneio com prêmios e taças para a melhor cobertura do evento, a melhor matéria e também, a melhor fotografia. Isto motivava os principais jornais da cidade "O Globo", "O Dia", "O Jornal do Brasil, entre outros. Agora, em um outro plano astral, Fragoso Pires não se sentirá sozinho. Ao seu lado estarão profissionais importantes da sua coudelaria, que lhe proporcionaram glórias inesquecíveis nos hipódromos brasileiros. Entre eles, os treinadores, Alcides Morales e João Luiz Maciel, o jóquei, Adail Oliveira, o aprendiz E.D. Rocha e o veterinário, José Roberto Taranto. Sem dúvida, um timaço reunido em céu de brigadeiro!
Particularmente, tive experiência pessoal fantástica com José Carlos Fragoso Pires. Quando ele bateu o recorde de vitórias como proprietário, através do triunfo do velocista, Vida Mansa, escrevi uma matéria no saudoso Jornal do Brasil, sobre o importante feito. Generoso e incentivador, ele me ofereceu a chance de passar um dia no haras, em Bagé, para conhecer as terras adquiridas na época, junto a Fazenda Mondesir. Fui de avião, pela manhã, na companhia de José Roberto Taranto, o então estagiário de veterinária, Flávio Geo, e o seu filho José Carlos Fragoso Pires Júnior. Conheci os potros, o pavilhão dos garanhões, das reprodutoras, o túmulo de Waldmeister e presenciei um parto, realizado pelo saudoso Jorge Morgado, o veterinário do haras. A noite voltamos para o Rio de Janeiro. Era quinta–feira. E, por coincidência ou sorte, coisas do destino, no domingo, era dia do Grande Prêmio Brasil, de 1984. E a ganhadora foi a tordilha Anilité, criada no local visitado, montada por Adail Oliveira e preparada por Alcides Morales. Portanto, só o Jornal do Brasil, tinha uma matéria exclusiva sobre o local de nascimento da grande campeã. Obrigado por tudo, Doutor Fragoso. Descanse em paz. Por aqui, tem muita gente, como eu, que sabe da sua importância para o turfe nacional.
STUD HAPPY AGAIN EM ESTADO DE GRAÇA
Depois de ganhar pela primeira vez o Grande Prêmio São Paulo, com o craque da coudelaria, George Washington, treinado por Luiz Esteves e conduzido por Henderson Fernandes, o Stud Happy Again desembarcou na Gávea, 24 horas depois, com a corda toda. José Antônio Lopes, o popular "Biduca", inscreveu três pensionistas, Noble Essense, Holland Purse e Esplendor Alado. E todos ganharam montados por H. Fernandes. Esquema redondo no Centro de Treinamento e na Gávea, e profissionais de gabarito parecem ser o segredo de tanto sucesso.
AS PRÓXIMAS ATRAÇÕES DO TURFE
Se os meses de setembro e outubro foram generosos para os turfistas, em novembro existem bons presságios de mais emoção. No dia 13 teremos a realização da prova mais tradicional do turfe gaúcho, o Grande Prêmio Bento Gonçalves. Da para prever um belo duelo entre Aeromani, montado por Jorge Ricardo, e Ilustre Senador, com Claudinei Farias. Evidentemente, ainda há outros fortes concorrentes. No dia seguinte, 14 de novembro, será corrido o tradicional Grande Prêmio Derby Paulista, com a presença dos melhores potros de 3 anos do país. E, a seguir, em dezembro, o tradicional Grande Prêmio Paraná, com inauguração da raia de grama.
AS FAÇANHAS DA CRAQUE HEVEA
Há vários meses, a craque Hevea, de criação do Stud Rio Dois Irmãos, e propriedade do Haras Santa Maria de Araras, não encontra rivais para derrota–la, em Cidade Jardim. A filha de Agnes Gold e Chris Lady tem sido mantida em forma atlética exuberante por Valter dos Santos Lopes. Nelson Alexandre Santos, o seu jóquei, num rosário de triunfos consecutivos, a conhece como ninguém. Deu gosto ver a sua vitória, no sábado, no Grande Prêmio OSAF, em que, mais uma vez, não tomou conhecimento das adversárias.
GÁVEA
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Imperatore Pietro, do Stud Pedudu, foi apresentado em forma magnífica pelo treinador Ronaldo Marins Lima. Depois de estreia promissora, deu um salto de distância, na segunda apresentação, e correu muito bem. Desta vez, mais adaptado ao percurso de fundo, parecia pouco provável a sua derrota. E foi o que aconteceu graças ao bom trabalho de Ronaldo e sua equipe. Waldomiro Blandi foi um jóquei bastante confiante no dorso do ganhador.
JOQUEADA DA SEMANA
Dois momentos de rara inspiração de dois pilotos. Bruno Queiroz só faltou fazer chover no dorso de Bellawatch, de Roberto Valdemir de Aguiar da Costa, e preparo de José Ferreira Reis. Aliás. Vale mencionar que o treinador falou da sua confiança no triunfo a repórter da televisão. E o rateio foi astronômico, se for considerado o fato da montaria ser do campeão da estatística. Henderson Fernandes ganhou quatro páreos na mesma reunião. Mas não há dúvida que a mais inspirada direção foi com Holland Purse, do Stud Happy Again, e preparo de José Antônio Lopes. Duas belas joqueadas.
