VENCEDOR DA ELEIÇÃO NO JCB TERÁ GRANDES DESAFIOS
Na próxima quinta–feira, dia 15 de outubro de 2020, os sócios do Jockey Club Brasileiro decidirão, nas urnas, o nome do presidente de uma das mais tradicionais e importantes entidades hípicas da América Latina. Luiz Alfredo Taunay, atual mandatário, é candidato a reeleição, e o criador e proprietário, Raul Lima Neto, surge como o seu único opositor. Seja qual for o escolhido no pleito, após a votação do quadro social, ele enfrentará desafios expressivos para comandar o grandioso clube em tempos de pandemia, com graves problemas financeiros, administrativos e estruturais pela frente. Uma tarefa das mais árduas, sem sombra de dúvida.
A atividade turfística envolve inúmeras despesas dos proprietários e aficionados em puros–sangues de corrida. Entre elas, os insumos indispensáveis para manutenção dos animais, tais como, compra de serragem, ração, medicamentos, transporte e outros acessórios típicos da indústria turfística. A relação entre o preço mensal do trato, para o dia a dia dos cavalos de corrida, e o valor dos prêmios dos páreos, está bastante defasado, num período de crise econômica. Este detalhe tem desmotivado, cada vez mais, os apaixonados pelo esporte a investir na aquisição de corredores nos leilões mais importantes.
O presidente eleito no Jockey Club Brasileiro, além de tentar contornar esta equação desfavorável, entre receita e despesa com os cavalos, para evitar o êxodo dos proprietários, terá ainda outros obstáculos. Entre eles, o pior de todos, tem sido a diminuição sistemática e gradativa do rebanho de equinos no país. Este fator negativo da nossa criação, tem afetado demais a indústria do cavalo de corrida nas últimas décadas. A cada dia que passa, os responsáveis pela organização e formação dos páreos semanais, nos diversos hipódromos brasileiros, encontram maiores dificuldades. Afinal, sem milho não se faz pipoca. Poucos cavalos, poucos páreos.
A valorização dos eventos turfísticos mais importantes no Brasil tem sofrido significativo abalo, em termos de gestão e comprometimento dos clubes hípicos com o restante da sociedade. A divulgação acontece só no próprio âmbito turfístico. Não se estabelece um elo do nosso esporte com os meios de comunicação de massa e as redes sociais. Só os turfistas recebem a informação do dia e da hora de um clássico importante, ou coisa que o valha. As outras pessoas do convívio social desconhecem que são os nossos melhores jóqueis, treinadores ou cavalos. O resto do mundo não tem a menor noção de quem é quem no turfe brasileiro.
O turfe nacional possui excelentes criadores, proprietários, cavalos, profissionais, jóqueis e treinadores, mas enfrenta crise econômica permanente nos últimos anos. Caberá ao presidente eleito no JCB, assumir o comando do clube com pensamento firme, conduta dinâmica e liderança nacional, procurando unir todos os clubes coirmãos. Todos estão no mesmo barco. Do contrário, a extinção do esporte parece ter futuro não muito distante e inexorável no país. Boa sorte aos candidatos.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Um espaço generoso para dois treinadores radicados no Hipódromo da Gávea, que apresentaram em forma exuberante os seus pensionistas. Mauro Teixeira da Costa brilhou na apresentação de Rumo Tropical, de Paulo Rubens Brenke Diniz, fácil ganhador do quinto páreo de domingo, com direção tranquila da joqueta Victória Mota. Apresentação de luxo. José Ferreira Reis, na mesma reunião, trouxe High Season, do Stud Suellen Glória, em estado atlético soberbo. Enquanto cruzava o disco, com Jorge Ricardo em seu dorso, Nenê marcava o gol da vitória, contra o Bahia, no Maracanã, para a dupla alegria da proprietária tricolor.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Honest Girl, do Stud Pedudu, e preparo de Ronaldo Lima, o garoto prodígio, Bruno Queiroz, deu a joqueada da semana. Enquanto os jóqueis dos cavalos rivais decidiram fazer correr nos 800 metros, ao mesmo tempo, ele recolheu a sua conduzida, da ponta para o quarto lugar. Depois que os colegas se mataram mutuamente, Bruno, com simplicidade, fez correr por fora e dominou a prova sem luta. Tudo muito fácil para quem possui um talento tão grande. E, certamente bem complicado para quem não possui. O garoto melhora mais a cada segundo.
SÃO PAULO
A dupla dinâmica, formada pelo jóquei Muriel Machado, e o treinador, Bruno Alexandre, que fez tanto sucesso aqui na Gávea, continua a brilhar, agora no Hipódromo de Cidade Jardim. No último sábado conquistaram juntos dois triunfos bem interessantes através de Catch A Magic, de propriedade de Eduardo Schuch, e de Marlin Azul, de Edson Alexandre, na Prova Especial Alfredo Sestini. Direções enérgicas e precisas de Muriel, um jóquei de expressivo rigor, e apresentações competentes do Bruno. Parabéns aos dois excelentes profissionais.
