Lá se vão 31 anos, do primeiro triunfo de Carlos Geovane Lavor, no dorso de Troyanos, do Haras Santa Maria de Araras, no Grande Prêmio Brasil, de 1989. Muita água correu por debaixo da ponte. Naquela tarde, o menino de olhos arregalados, tinha a responsabilidade de montar uma pule de dez, ou seja, devolução de capital, no hipódromo superlotado, em dia de GP Brasil. Lavor lembra de ter sentido um frio na espinha, quando o seu pai, o saudoso treinador, Wilson Pereira Lavor, lhe afastou de perto das pessoas em volta, no padoque e sussurrou. "Monta tranquilo, sem qualquer tipo de receio. O cavalo vai ganhar. Mas, se isto não acontecer, eu assumo a responsabilidade pela derrota". Wilson nunca tinha dito tais palavras nas corridas anteriores. Troyanos era um craque, porém sofria de problemas em um dos cascos.
Na raia tudo deu certo. A vitória, entretanto, foi suada, em cima do disco, numa reta brigada, cabeça a cabeça com Laurus, um temível oponente, treinado por Leopoldo Cury, e montado pelo chileno, Gabriel Meneses, uma máquina, em cima de um puro–sangue. Lavor teve certeza, naquele instante, que estava pronto para qualquer desafio dali em diante, em sua carreira. E foi o que aconteceu. Construiu trajetória sólida, repleta de conquistas na esfera clássica, e mais dois GPs Brasil, em 1991 e 1993, ambos com Villach King, do Haras Santa Maria de Araras, treinado por Ildefonso Coelho Souza, que substituiu seu pai, falecido precocemente.
Agora, depois de alguns anos sem montarias com reais chances na prova máxima do turfe, surge Hard Boiled, do Stud Monte Parnaso/Quintella, de dois turfistas de escol, Raul Lima Neto e Antônio Landim Meirelles Quintella. O pensionista de Roberto Solanês, ainda perdedor, ganhou o Grande Prêmio Líneo de Paula Machado. E, recentemente, na prova preparatória, obteve promissor segundo lugar, na sua primeira atuação em 2.400 metros. Carlos Lavor, que ganhou a prova em três anos ímpares, 1989, 1991 e 1993, quer agora, aos 50 anos, quebrar este tabu, e conquistar a prova, pela primeira vez, num ano par:2020.
Por Paulo Gama