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Setembro | 2020

Danzig, o som e a fúria de uma linhagem, por Sergio Barcellos
03/09/2020 - 10h27min

Ele nasceu em 1977, media 1,60 m de altura na idade adulta e tinha joelhos duvidosos. Mas visto em seu conjunto, era uma bola de músculos tão ou mais poderosos que os de seu lendário pai.

Sua mãe, excessivamente franzina quando potranca, levou seu criador na hora de dar–lhe um nome batiza–la como Pas de Nom, que em francês significa simplesmente "Sem Nome."

Ocorre que ela era uma descendente direta de Teddy e vinha de Steady Aim, ganhadora do Oaks Stakes (Gr.I) em Epsom – como a lembrar que nesse tricentenário processo de seleção o sangue materno pode hibernar algumas gerações sem, entretanto, isso significar que coagulou para sempre.Mas ele tinha algo mais: era produto da fórmula de Edward P. Taylor de cruzar Northern Dancer com as descendentes de Teddy e produzir cavalos como Nijinsky, The Minstrel, Night Shift, Northfields, Northern Taste (que revolucionou o turfe japonês) e Storm Bird (vendido aos americanos por Robert Sangster e seus sócios por US$ 25 milhões, a dólar de 1980...).

Filho de Northern Dancer, levado a leilão (Saratoga) Danzig foi arrematado por US$ 310,000.00 e entregue a Woodford ("Woody") Stephens.

Woody Stephens e Danzig

Woody Stephens treinou grandes cavalos de corrida nos EUA durante 70 anos (de 1930 a 1990) para proprietários como Harry Guggenheim, os Hancocks e outros nomes que estão no imaginário do turfe americano e mundial, tendo desencilhado mais de 100 ganhadores de Grupo I.

Entre eles, Blue Man, Traffic Judge, Bald Eagle, Never Bend (pai de Mill Reef), Bold Bidder, Sensational, De La Rose, Conquistador Cielo, Caveat, Swale, Creme Fraiche, Danzig Connection (um raro Danzig de distância, pai do nosso conhecido Shudanz), Forty Niner, etc.

No cartel de Woody Stephens, Museu do Turfe e Hall of Fame da indústria americana do cavalo de corrida, constam dois Kentucky Derbys, cinco Belmont Stakes em seguida (1982–1986), um recorde mantido até hoje, e cinco Kentucky Oaks. Voltemos a Danzig.

Depois de sua velocidade causar estupefação em seus primeiros trabalhos de raia, Stephens o inscreveu em junho de seus 2 anos, em 1.100 metros. Largou, tomou a ponta e ganhou por oito corpos. Infelizmente, foi o que bastou para, depois disso, ter que operar o joelho esquerdo (na base de colocar parafuso).

Quase um ano depois, recuperado da cirurgia, voltou em 1.200 metros. Nova vitória por sete corpos. Levado aos 1.400 metros, repetiu sua forma explosiva de atuar e colocou seis corpos entre ele e o segundo colocado. Foi sua última apresentação: o joelho operado quebrou outra vez e ele foi retirado das pistas.

Três corridas, três vitórias, e junto com elas a demonstração de uma esmagadora superioridade em relação aos seus adversários.

Então, o que fazer com um potro que apesar de invicto tinha vencido três carreiras comuns entre 1.100 e 1.400 metros, nenhuma delas de Grupo? Boa pergunta.

Começou aí a longa peregrinação de Woody Stephens para encontrar um haras – que valesse a pena – interessado em um animal que ele sabia ser único. Graças à insistência de seu treinador, Danzig acabou integrado ao plantel de reprodutores da Claiborne Farm, de Seth Hancock. E o argumento de Stephens, decisivo: "Ele nunca deixou que outro cavalo colocasse a cabeça na frente da sua, seja em trabalho, seja em corrida."

Em resumo, Danzig havia demonstrado, acima de tudo, possuir um notável espírito competitivo, conhecido sob a denominação genérica de "vontade de vencer." Algo típico das chamadas "virtudes morais" de sua estirpe.

Quem é, afinal, Northern Dancer, o pai?

Na tabulação funcional do moderno cavalo de corrida (vide "Typology of the Racehorse", Franco Varola – J.A. Allen, Londres e Nova York – 1974), Northern Dancer e Danzig estão classificados no grupo dos "Intermediários", aqueles reprodutores cuja contribuição se dá no sentido de servir de ponte entre velocidade e padrão clássico.Passadas quase cinco décadas, a prepotência genética de Northern Dancer neste princípio de século é de tal ordem que, aos poucos, ele parece ir ocupando todos os espaços da criação, à semelhança do que fez seu histórico e invicto avô Nearco – o arquétipo da classe em matéria de cavalo de corrida – na segunda metade do século XX.

Ao final dos anos 1980, a descendência de Nearco respondia por nada menos que 73% dos ganhadores de Grupo I e pai de ganhadores de Grupo I na Europa e nos EUA. O resto – na verdade, o que sobrava – era ocupado pela linhagem Native Dancer.

Northern Dancer está muito próximo de repetir seu avô nesse início de século XXI. E isso nos remete a uma pergunta: afinal, quem é Northern Dancer?

De saída, sabemos que seu sangue é 62,5% europeu. Seu pai, o sprinter Nearctic (Nearco e Lady Angela, por Hyperion), um especialista dos 1.200 metros, é Tesio e Lord Derby. Ponto. E sua linha materna, que começa em Natalma (por Native Dancer), prossegue com Almahmoud (filha do tordilho Mahmoud, ganhador em recorde do Derby de Epsom nas cores originais marrom e verde do Aga Khan).

Resumo: em matéria de origens, Northern Dancer é inbred até a sétima geração sobre Canterbury Pilgrim, Gainsborough, Chaucer, Swinford e Phalaris. Novamente, "Tudo tem que mudar para ser como é", ainda que haja um vasto oceano a separa–lo de seus ancestrais do outro lado do Atlântico.Talvez, isso explique o fato de sua descendência se adaptar com facilidade ao turfe do velho continente – com sua secular cultura de pistas de grama, cerca pela direita, e percursos os mais variados possíveis, alguns deles com ladeiras e tobogãs pelo caminho. Pistas que cobram literalmente tudo de um cavalo de corrida.

Como indivíduo, porém, Northern Dancer é especial sob vários aspectos.

De saída, era pequeno para os padrões de seu tempo (levado a leilão não alcançou os US$ 25,000 do preço de reserva). Extremamente precoce, sempre se expressou pelo lado da velocidade pura – foi um brilhante 2 anos, seja no Canadá, seja nos EUA, com 7 vitórias e dois segundos em 9 saídas às pistas entre agosto e final de novembro.

Aos 3 anos, mesmo depois de suas vitórias no Flamingo Stakes, no Derby da Florida e no Blue Grass Stakes, seu treinador e homem do mundo, o argentino Horacio Luro (chamado de "El Gran Señor"), ainda tinha dúvidas se ele teria os 2.000 metros do Kentucky Derby.

Todas elas foram desfeitas quando ele tomou a ponta junto à cerca na entrada da reta e bateu a Hill Rise, o favorito da prova, baixando o recorde da pista em 2/5 segundos para se transformar em um novo herói canadense. E o resto é história.

Ganhou o Preakness e perdeu o Belmont Stakes, em 2.400 metros, para Quadrangle e Roman Brother, chegando a seis corpos do vencedor. Por óbvio, não tinha a milha e meia do Belmont Stakes. Ainda assim, foi eleito o melhor 3 anos de sua geração nos EUA e cavalo do ano no Canadá.

De todas as suas apresentações na América ficaram, porém, algumas certezas. A primeira, é que ele não era somente velocidade. A segunda, é que, além dela, demonstrara ser capaz de brilhantes acelerações durante o percurso – uma das qualidades que o turfe europeu mais preza e admira em qualquer cavalo de corrida.

Finalmente, do ponto de vista físico, Northern Dancer é sui generis e ajudou a cunhar um novo modelo de competidor do turfe de nossos dias. Aquele de animais geralmente menores – portanto, mais ágeis, capazes de negociar melhor as curvas e mudanças de linha dos percursos – dorso curto, aparelho muscular de primeira ordem, grande têmpera, dotados de um inequívoco espírito competitivo.

Talvez, a melhor definição de quem é Northern Dancer venha de Renom de Gasté (vide L’Évolution des Grandes Lignées Males Contemporaines – Edition LUNIC – 1985 – pág. 45):

"Ele respira uma excepcional presença, começando pela sua fantástica cabeça. Nele, tudo é qualidade. Não se trata de um cavalo pequeno e leve: bem ao contrário. Sua anca é tão larga e tão musculada que parece desproporcional. Sua paleta é de uma profundidade inusitada para um cavalo do seu tamanho, tão perto do chão."

Retornemos a Danzig. A seguir.

Danzig na reprodução

"Quem sai aos seus não degenera", é um velho ditado popular. Foi o que aconteceu com Danzig, premiado com o acesso ao formidável plantel de éguas da Claiborne Farm.

Mesmo assim, ninguém poderia prever um sucesso tão rápido e tão fulminante: Danzig venceu a estatística americana de pais de primeira produção nos EUA, com o bônus de ter gerado um campeão como Chief’s Crown, melhor 2 anos de sua geração na América.

Daí para a frente, e até à sua última estação de monta aos 27 anos de idade, foram três títulos de campeão americano da estatística geral de reprodutores, 200 ganhadores de provas de Grupo (18,4% de seus filhos), dos quais 60 são de Grupo I – significando que a cada 20 potros nascidos, um deles chegou à elite da raça. Nada mal para um joelho quebrado...Castanho dominante – aliás, seu filho Danehill também o é – o cavalo treinado por Woody Stephens acabou estabelecendo uma das melhores linhas masculinas da dinastia Northern Dancer – provavelmente a mais adaptada a um universo onde as distâncias diminuíram.

Até o momento, são quatro os seus principais representantes na criação – Danehill, Green Desert, Chief’s Crown e Anabaa. Isso, entretanto, não inibe a possibilidade de que outros mensageiros consigam também brilhar. Pincipalmente aqueles que se expressam sobre a velocidade pura. Examinemos os dois primeiros da lista.

Danehill e Green Desert

O primeiro, entre outras façanhas, é um dos responsáveis por colocar definitivamente o turfe australiano no mapa do primeiro mundo do turfe.

Parêntese: nas últimas décadas, as corridas e a criação tiveram um enorme avanço na Austrália, empregando milhares de pessoas. Turfe cem por cento profissional, muitíssimo bem organizado, com a presença maciça de público jovem nos hipódromos – principalmente o feminino – no dia da sua mais tradicional prova, a Melbourne Cup, um handicap de pesos por idade em 3.200 metros, é feriado na província onde o evento se realiza. A média de público no hipódromo no dia da Melbourne Cup gira em torno de 100 mil pessoas (o recorde é de 120 mil) e a cobertura do turfe na TV acontece em caráter nacional. Fechado o parêntese.

Foi nesse ambiente altamente propício que Danehill construiu a fama e o prestígio de que hoje desfruta no mercado internacional da indústria. Merecida, por sinal.

Sprinter por excelência, cavalo de 1.400 metros, pedigree de sonho – Danzig em mãe His Majesty (por Ribot), em avó por Buckpasser (Tom Fool) e Natalma (a mãe de Northern Dancer...), sua família materna é a de Almahmoud (2d). Ele é inbred 3 x 3 sobre Natalma e, portanto, 4 x4 sobre Native Dancer e Almahmoud. Então, sonhemos...

Em 1989, aos 3 anos de idade, rating de 126 libras, o Timeform assim o descreveu (pág. 237): "Fisicamente muito forte, encorpado, Danehill não deve nada a nenhum de seus contemporâneos. Ele é dotado de uma ação fluente, rápida, e depois do meeting de Ascot sua forma se tornou resplandecente."

Criação da Juddmonte Farm (de Khallid Abdullah) nos EUA, Danehill foi vendido por £ 4,000,000.00 a um consórcio formado pela Coolmore e o haras australiano Arrowfield, de New South Wales, onde começou seus serviços em shuttle a partir de 1990.

Seu espetacular sucesso na criação está além de qualquer avaliação.

Ele foi líder das estatísticas de reprodutores em quatro países (Austrália, França, Inglaterra e Irlanda) e igualmente líder das estatísticas de avós–maternos em três (USA, Inglaterra e Irlanda). De quebra, ainda é o avô–materno do fenômeno Frankel, maior rating da longa história do Timeform (voltaremos ao tema ao final deste capítulo).

Entre alguns de seus filhos e filhas hoje espalhados pelo planeta turfe, estão Danehill Dancer, Desert King, Tiger Hill, Redoute’s Choice (australiano que o Aga Khan levou para a França), Aquarelliste, Banks Hill, Rock of Gibraltar, Clodovil, Exceed and Excel, Cacique, Fastnet Rock, Oratorio, Champs Elysées, Dylan Thomas, George Washington, Duke of Marmelade, Holy Roman Emperor, Simply Perfect, etc, etc, dízima periódica...

Ao todo, Danehill produziu 2.485 filhos, dos quais 347 foram ganhadores clássicos (209 ganhadores de Grupo e 138 de Listed Races).

(Como mera curiosidade, somente nove cavalos de corrida mereceram do Timeform um rating de 140 libras–peso ou mais, desde 1942. São eles, pela ordem: Frankel 147, Sea Bird 145 (cuja vitória no Prix de l’Arc du Triomphe de 1965 é considerado "o limite do que um thoroughbred pode conseguir"), Brigadier Gerard e Tudor Minstrel 144, Ribot e Abernant 142, Dubai Millenium, Sea The Stars e Harbinger 140).

O segundo grande filho de Danzig na criação é Green Desert (Danzig e Foreign Courtier, por Sir Ivor e Courtly Dee, por Never Bend), uma espécie de poção mágica que mistura Northern Dancer com Nasrullah (ou E.P. Taylor com o velho Aga Kahn).

Nascido em 1983, propriedade dos Maktoum, treinado pelo inglês Michael Stoute, castanho, tamanho médio, dito "equilibrado, genuíno e consistente", Green Desert era conhecido ao final de sua campanha dos 3 anos como o "potro perfeito" pelo Timeform.

Nas pistas, manteve a característica básica de sua raça: velocidade, velocidade, e mais velocidade. Embora tenha sido segundo para o craque Dancing Brave na milha dos 2000 Guinéus, primeira prova da tríplice–coroa inglesa, brilhou ainda mais quando devolvido ao sprint e às suas distâncias preferidas de 1.200 metros.

Levado para a reprodução, Green Desert (que morreu em 2015 com a idade de 32 anos) é pai de grandes sprinters e 72 ganhadores de Grupo.

Basta citar quatro de seus melhores filhos: o sprinter/milheiro Cape Cross, criação da Darley, pai de 21 ganhadores de Grupo I – entre eles, de um certo Sea The Stars, um dos supercraques desse começo de século (além de irmãozinho materno do Galileo...). Os outros três são Desert Prince, Invincible Spirit e Oasis Dream. Fiquemos por aqui.

Velocidade e sistema ósseo

Velocidade implica músculos, que implica violentos impactos sobre a pista, que implica sistema ósseo em permanente teste.

Mais ainda, quando se trata de juvenis precoces e velozes como os da linhagem Danzig. Parte do problema de tê–los cem por cento sãos e aptos a competir, é genética, claro. Mas parte é criação, e parte ponderável é treinamento.

Estatísticas mais recentes sobre o sistema ósseo do thoroughbred informam que de 100 juvenis em treinamento examinados ao longo de um ano, um foi vítima de uma fratura grave e 10% terão um incidente qualquer ligado ao seu esqueleto. (vide "Pedigree Theories and the Science of Genetics", Dr. Mathew Binns e Tony Morris – J.A. Allen, 2010 – pág. 145).

A maioria desses incidentes resulta de stress ósseo por trabalho e pode ser curada com repouso. Mas a evidência é acachapante: na cadeia fisiológica do cavalo de corrida, o elo fraco é o seu esqueleto. E nele, ao se deslocar a 18 metros por segundo quando a pleno galope, são seus membros anteriores que estão sempre sob uma absurda pressão.

Fácil de entender: como o motor dos equinos, à semelhança de uma Ferrari de corrida, está na traseira, os dois locomotores dianteiros têm que lidar com todas as forças resultantes da aceleração do motor, principalmente nas curvas e mudanças de linha durante a corrida.

Esse conceito é válido para todos os cavalos de corrida e todas as pistas do mundo – incluindo as de treinamento – seja na Europa, seja nos EUA, seja em que lugar exista um turfe superiormente organizado.

Na Europa, quem acelera demais o motor ladeira a baixo corre o risco de não fazer a curva à frente. Já aconteceu no Derby de Epsom.

Nos EUA, com suas retas curtas, obrigando os animais a serem solicitados ao longo da última curva, o exemplo fica ainda mais evidente. Então, é preciso quartelas, boletos, joelhos e tendões de aço...

"Uma breve história do tempo"

Ao longo de mais de 350 anos do processo de seleção do cavalo de corrida, foram usados centenas de reprodutores. Algumas linhagens masculinas sobreviveram ao teste da competição, outras os corredores do tempo e a genética se encarregaram de fazer desaparecer. Darwin explica.

Entre as que sobreviveram, uma delas se impôs como responsável por 85% dos ganhadores de uma era onde os desafios milionários de "o meu cavalo contra o seu cavalo" se prolongavam por várias milhas do terreno (de 4 milhas para cima): a linhagem de Eclipse. No século XVIII, tudo era Eclipse.

Passam–se décadas e outro reprodutor – para Federico Tesio, "o mais belo que jamais usou um selim de corrida" – assume o cetro. Chamava–se St. Simon.

E todos os grandes criadores do mundo, do Aga Khan a Lord Derby, perseguiam vorazes o seu sangue. E tudo novamente se resumia a saber quanto de sangue St. Simon havia no pedigree de determinado produto. Estava criado o "sistema de dosagem de pedigrees" com base nele.

Na alvorada do século XX, Tesio decidiu criar um novo St. Simon e chegou ao invicto Nearco, em cuja ascendência há 16 cruzamentos sobre St. Simon.

E Nearco, o "novo St. Simon", se tornou o maior e indiscutido chefe–de–raça de nosso tempo, responsável pela esmagadora maioria dos cavalos que valia a pena ter. Como já vimos, coisa como mais de 70% do mercado de ganhadores e pais de ganhadores do que hoje se considera como provas clássicas. E tudo passou a ser Nearco.

Até que em determinado momento, um magnata canadense, dono de um vasto império industrial e de três haras, dois no seu país e um na América, mandou comprar a última égua Hyperion coberta por Nearco. Da união entre esses dois gigantes da criação – por uma feliz coincidência estacionados na Inglaterra – nasceu Nearctic, melhor sprinter do Canadá.

Daí para a frente, repete–se mesma história, dessa vez no turfe do século XXI: E.P. Taylor cruzou o seu sprinter com uma ótima filha do americano Native Dancer e chegou a Northern Dancer – neto de Nearco e Native Dancer nos dois lados de seu pedigree – o novo e indiscutido imperador Habsburgo das corridas do mundo

Resumo: sobrou o que, então, para o resto de todas as linhas masculinas da tricentenária criação do puro sangue inglês de corrida? Sobrou Native Dancer e o mais prolífico de seus filhos, o príncipe Mr Prospector.

Ainda é possível o sucesso sem Northern Dancer e Native Dancer? Teoricamente é. Mas quem vai decidir isso é a mãe natureza, não nós, reles mortais.

Até lá, em nossa pequenez diante dela, só resta continuar copiando o que deu certo.

É exatamente isso que o mundo afluente da indústria do puro sangue de corrida, principalmente no hemisfério norte, tem feito nessas últimas décadas.

E tudo isso em um mercado em que, do WhatsApp aos foguetes que voltam obedientes às suas plataformas de lançamento, a busca da velocidade é tônica e palavra de ordem.

28 de agosto de 2020



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