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Janeiro | 2020

Páreo Corrido, por Paulo Gama
28/01/2020 - 10h16min

JUVENAL MACHADO DA SILVA ESTÁ MUITO BEM. OBRIGADO,

A morte do extraordinário Kobe Bryant, um dos mais importantes jogadores de basquete de todos os tempos, esta semana, num trágico acidente de helicóptero, me fez refletir sobre a importância dos ídolos no esporte. Eles são criaturas quase sobrenaturais, que encantam as multidões com o seu talento, e fazem os nossos corações baterem mais fortes. E este dom tão especial que possuem de emocionar, os difere dos demais seres humanos. Eles possuem a capacidade de fazer passes de mágica. Estes movimentos espontâneos e sedutores trazem a esperança permanente aos fãs de que o impossível não existe. Afinal, são eles que batem recordes a princípio inalcançáveis. Eles viram jogos, que a própria lógica duvida de ser viável. Kobe Bryant era assim. Um bailarino das quadras de basquete. Alto, magro, esguio e mortal. Daí o apelido de Black Mamba, numa alusão a cobra mais traiçoeira e perigosa do mundo. 

Juvenal Machado da Silva era uma espécie de Kobe Bryant no dorso de um cavalo de corrida. Intuitivo, desconcertante e genial, tal como Kobe, quando estava perto da cesta, nos ginásios de basquete. E durante as décadas de 70, 80 e 90, Juvenal desequilibrou as corridas da Gávea com a sua criatividade, o talento incomum e o carisma. Muito carisma. A tristeza mais do que justificada dos fãs, com o infortúnio de um dos maiores jogadores da história do basquete, me fez lembrar do fascínio e da idolatria que o alagoano Juvenal Machado da Silva causava aos seus fãs. Recordista de vitórias no Grande Prêmio Brasil, com os inesquecíveis triunfos de Aporé, Gourmet, Grimaldi, Bowling e Flying Finn, Juvenal nos deu um tremendo susto, recentemente, ao sofrer grave acidente de automóvel. Graças a Deus, teve mais sorte do que Kobe. E por isso, liguei para ele, hoje de manhã, para saber como ele estava, antes de escrever estas mal traçadas linhas. 

Juvenal acabara de chegar em Delmiro Gouvêa, sua terra natal, vindo de Maceió, onde foi tomar vacina, medicação necessária, segundo ele me explicou, para quem retira o baço. Porém, foi a única ressalva, ou talvez seja melhor dizer sequela, do incidente. “Foi um tremendo susto. Mas agora estou bem. Os meus irmãos têm ajudado a tocar a lavoura e o gado. Estou em fase de recuperação e não posso fazer esforço. Fico vendo televisão, e a espera do Mengão voltar a jogar para me distrair na TV. Daqui a 11 dias, o médico vai fazer uma avaliação do meu estado geral. Se tudo correr bem volto logo as atividades com os bois e as plantações”, explicou.

Kobe Bryant, mesmo depois de aposentado, continuou a ser figura carimbada na mídia, sempre reverenciado por fãs do basquete, astros de outros esportes e celebridades do cinema e da música. Guardadas as devidas proporções, pois o turfe não é um esporte popular, personagens como Juvenal Machado da Silva não deveriam ficar no ostracismo, esquecidos pelos aficionados de uma atividade em que ele ajudou a escrever algumas das mais belas páginas. A gente observa nomes importantes homenageados nas provas da esfera clássica. Talvez, Juvenal já mereça, por sua história, ver o seu nome eternizado numa prova de Grupo I. Por que não no Grande Prêmio Brasil? Seria emocionante para o nordestino ser homenageado em vida. Quantos de nós turfistas não tem na memória alguma tarde de domingo inesquecível, embalada por uma joqueada dele na voz do lendário locutor Ernani Pies Ferreira? “E lá vem o Juvenal! ”

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO

Luís Esteves brilhou mais uma vez na apresentação de Mstraubarry, do Stud Verde, na Prova Especial Waldmeister. O filho de T.H. Approval, criado no Haras Phillipson, mostrou perfeita adaptação ao percurso e aceleração vistosa para dominar a prova mais importante da semana. Henderson Fernandes esteve impecável e bastante confiante no dorso de ganhador.

JOQUEADA DA SEMANA

O experiente Waldomiro Blandi deu joqueada de respeito em Kassie’s Angel, do Stud Eternamente Rio, e criação do Haras Las Madres. Outra apresentação de luxo de Luís Esteves. Numa prova de ritmo forte e nítido equilíbrio, Blandi manteve a calma em todo o percurso e fez reta final primorosa. Parecia estar com régua, compasso e transferidor no dorso da filha de Agnes Gold. Obteve passagem providencial e arrojada para conquistar bela carreira. Um primor!

PERSONAGEM DA SEMANA

Vítor de Melo Gomes chegou de mansinho no turfe carioca e tem mostrado serviço a cada semana. Apresentou em forma exuberante dois pensionistas e a sorte sorriu para ele. Ba Commandos, do Stud Aeroporto, e Mister Victor, de Rafaela Brandão Melo Gomes, conquistaram vitórias emocionantes, fruto da boa apresentação do jovem e promissor profissional. Discreto e focado, Vítor tem pedido passagem com a correta forma atlética dos seus pensionistas. Parabéns!




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