Nossa secular rivalidade com os vizinhos argentinos é fato, principalmente no futebol, onde, inegavelmente, somos superiores. Mas também é fato, que em termos de paixão pelo turfe, perdemos longe para eles. Um acontecimento recente mostra que os turfistas não são uma pequena minoria, meio que escondida em seu gueto.
Quando começou a montar provisoriamente em Buenos Aires, no início deste ano, ao tomar um táxi, Ricardo foi surpreendido pelo motorista, que, ao reconhecê–lo, disse: “Estás aqui para bater a Falero”.
Depois do futebol, o turfe é a grande paixão total dos “hermanos”, que no próximo sábado vão encher as arquibancadas de Palermo para presenciar mais um Gran Premio Nacional, o Derby. E ainda que vença Eu Também, o que é absolutamente possível, vão aplaudi–lo demoradamente. Vamos conhecer um pouco da história e algumas curiosidades da segunda prova mais importante do turfe platino, superada somente pelo Pellegrini.
No calendário, a prova mais antiga.
O Gran Premio Nacional, o Derby, é a prova mais antiga do calendário clássico argentino e foi disputado pela primeira vez no dia 5 de outubro de 1884, no Hipódromo de Palermo, inaugurado em 7 de maio de 1876. Nas tribunas, o presidente da nação, Julio Argentino Roca. O prêmio, doado pelo Governo Nacional, foi de 8 mil pesos e mais um troféu. As arquibancadas, na época com capacidade para 1.600 pessoas, estavam lotadas e no campo da prova 18 competidores.
Os maiores jóqueis da época foram batidos por um menino uruguaio, com uma pule astronômica.
O resultado do histórico primeiro Derby foi marcado pela vitória do cavalo Souvenir, que nem sequer fora citado pela crônica especializada. As duas principais curiosidades são comentadas até hoje. O ganhador foi dirigido pelo menino uruguaio José Vieira, apelidado de “El Canário”, de apenas 11 anos de idade. E a pule de Souvenir, 323,21 pesos por 1 apostado.
Outras curiosidades da prova argentina.
A primeira potranca a vencer o Derby foi Condesa, em 1887. Carlos Pellegrini, já Presidente da República, venceu o Nacional de 1891 com o cavalo Amianto, de sua propriedade. A única jóqueta a vencer a prova foi Mariza Lezcano, que ganhou com Serxens, em 1976, e com Telescópico, em 1978. Em 1928, três potrancas ocuparam as três primeiras posições: Fanfurriña, Pobella e Faveria, o que jamais voltou a acontecer. Os jóqueis com mais vitórias são o inesquecível Irineo Leguisamo e Jorge Valdivieso, com cinco êxitos cada. A melhor marca registrada para os 2.500 metros foi a de Chulo, que assinalou 151s65.
No ano passado, a vitória de Forty Licks, Betansos e Pellegatta.
Em 2005, o Gran Premio Nacional foi disputado no dia 12 de novembro e teve como vencedor o potro Forty Licks, dirigido por Horacio Betansos e treinado por Roberto Pellegatta. O vencedor, por Not For Sale e Baileza, criado pelo Haras Arroyo de Luna, tinha como proprietário o Stud El Wing. Forty Licks marcou o tempo de 158s
Em 2004, Basko Pinton e Noriega.
O ganhador do Derby de 2004 foi Basko Pinton (Engrillado e Dark Beauty), na marca de 155s28. Assim como no ano passado, o vencedor foi apresentado por Roberto Pellegatta, que também ganhou em 2003, com Mr.Alleva (Numerous e Allie), que mais uma vez foi dirigido por Juan Noriega. Portanto, Roberto Pellegata, vem de três vitórias consecutivas na grande competição.
O menor campo dos últimos tempos.
O Gran Premio Nacional do próximo sábado, em Palermo, tem o menor campo dos últimos anos. Além disso, não conta com a participação dos potros e potrancas que mais se destacaram na temporada. Dancing For Me, por exemplo, perdeu a invencibilidade na última apresentação e permanece em descanso. Visa Parade pintou como o líder de geração, mas também está afastado das pistas. Bizardo Sam teve contratempos e os responsáveis por Global Hunter, Gran Estreno e Inimaginable, cujas principais conquistas foram na pista de grama, preferiram não arriscar na pista de areia. Emotion Parade, a melhor potranca do turfe argentino, correu no sábado passado, levantando o GP Enrique Acebal (Grupo I), na grama de San Isidro.
por Marco Aurélio Ribeiro