Este artigo dedica–se a falar do futuro. Falar do futuro é sempre perigoso visto que projeta–se algo sobre o qual o controle que temos sobre os acontecimentos é, normalmente, pequeno. Quando este futuro se trata de cavalos de corrida, este controle tende a zero. Muitos fatores interferem no fato de um animal ser bom ou não, mas certamente o mais prazeroso deles é a genética. A genética nos cavalos de corrida fascina há muitos anos vários estudiosos do tema justamente porque é cristalina a conexão entre a qualidade dos indivíduos e sua genética. Eu não me incluo entre os bons estudiosos do tema no Brasil mas sim um curioso, que gosta de conversar com os verdadeiros papas como Sergio Barcellos e Orlando Lima, entre outros grandes conhecedores.
Me recordo bem quando em 2013, ao chegar num sábado qualquer na cocheira, o excelente treinador Jaime Aragão estava bastante feliz querendo me mostrar uma potranca que havia acabado de adquirir para nossos amigos Aldo (Stud La Nave Va) e Luiz Octavio (Haras Iposeiras). Uma tordilha realmente linda, um fenótipo de chamar atenção, mas até aí ainda não havia me dado conta do potencial real genético da potranca. Ao analisar o pedigree fiquei louco para levá–la para a reprodução já que sua genética apontava para um potencial muito grande com alguns garanhões nacionais.
O tempo passou, a égua foi comprada pelo treinador num episódio de mudança de treinamento ainda bem no início de campanha, fez bastante sucesso nas pistas (6 vitórias e várias colocações clássicas incluindo G2 e G3), eu me mudei do Brasil encerrando as atividades de criador e recentemente o amigo Leandro, proprietário do Stud Hulk, vislumbrou todo o potencial da égua adquirindo–a ao final da campanha. Leandro tem estudado muito a genética dos PSI e tem olho clínico para cavalos de corrida.
O pedigree de Ilha de Páscoa chama atenção mas como é ensinado na lição 01 de qualquer estudo genético, o que mais importa é o encaixe da égua com o garanhão e não o simples cruzamento do “bom com bom”.
Escolhido pelo treinador Jaime Aragão dentre um grupo selecionado apresentado por Leandro, em 2018 Ilha de Páscoa será coberta pelo reprodutor Ay Caramba. O pedigree resultante deste cruzamento é muito especial e deve ser analisado com muito carinho. Não é objetivo deste artigo detalhar a fundo o referido pedigree mas como pode ser observado abaixo, o Rasmussen factor em Court Lady chama logo a atenção mesmo dos menos interessados, e as irmãs próprias Luth de Saron e Lyre de Saron mostram mesmo que estamos de indivíduo geneticamente especial. A primeira é mãe do nosso ultraconhecido Roi Normand e a segunda, mãe de Rose de Saron ganhadora de grupo na europa, por sua vez mãe do nosso também conhecido Sal Grosso.

Em cavalos de corrida é muito difícil sermos assertivos, mas podemos dizer que caso repetido pelo menos três vezes, o pedigree acima possui uma dosagem bastante interessante de velocidade e estamina, apontando provavelmente para um animal que terá sua distância ideal entre 1800 e 2000 metros e com todas as possibilidades de ser um excelente corredor.
Ilha de Páscoa foi uma excelente atleta, mas tudo indica que possa ter ainda mais sucesso na reprodução, especialmente quando coberta por qualquer dos irmãos próprios, Ay Caramba e Flymetothemoon, ou mesmo pelo excelente reprodutor Redattore. Muitos outros cruzamentos podem ser analisados para a bonita tordilha, mas os garanhões citados merecem ser muito testados pois o encaixe é praticamente perfeito.
Para terminar, não posso deixar de desejar muita sorte ao Stud Hulk, um Stud de muito sucesso na conexão Rio–Montevidéu!
Arthur Stern