NA GÁVEA, VAGNER BORGES É O DONO DA RAIA
O gaúcho Vagner Borges, 25 anos, conquistou pela quarta vez a estatística de jóqueis carioca, ontem à noite, no Hipódromo da Gávea. Fisicamente pequeno, leve e frágil, ele se impôs graças ao gigantesco talento que possui. Me sinto bem a vontade de escrever sobre ele. Afinal, tive o privilégio de ser o seu primeiro agente de montarias, ainda aprendiz, e seguir ao seu lado, para conquistar três estatísticas logo no início de sua caminhada profissional. Maior ganhador do período pós Jorge Ricardo, que se transferiu para o turfe argentino em 2.006, Borges nasceu para montar cavalos de corrida. Já havia feito história na escolinha de aprendizes, onde bateu o recorde de vitórias. Precoce, focado e ambicioso, ele surgiu no cenário turfístico de forma avassaladora, como se fosse uma locomotiva.
O primeiro contrato foi com o Stud Cafelândia, que tinha como treinadores, o saudoso Paulo Salas, José Luiz Pedrosa Júnior e Juliana Dias. Nas seis primeiras inscrições do stud venceu todas as corridas e de sorriso infantil e ainda com aparelho nos dentes, limitou–se a dizer. “Puxa como tenho sorte com esta farda!”. Nada disso. A coudelaria é que tinha tido sorte de contratar, ainda de fralda, um dos maiores talentos dos últimos anos no turfe nacional. O Stud Alvarenga logo percebeu a sua qualidade e o contratou. O Stud Cafelândia ficou como segunda opção. Um rosário de vitórias veio a seguir. Com os puros–sangues do maior investidor do turfe carioca, e com a felicidade de surgir no seu caminho, Bal A Bali, um dos maiores craques de todos os tempos, ele dominou o cenário turfístico brasileiro.
O currículo de Vagner Borges, se for levado em conta a sua pouca idade, deve ser considerado espetacular. Algumas das principais provas do turfe nacional como o GP Brasil, GP São Paulo, GP Bento Gonçalves e por duas vezes o GP Cruzeiro do Sul, o Derby, entre outros páreos importantes, já figuram na sua trajetória. Bem assessorado nesta temporada por Antônio Henrique Morgado, o Totoca, filho de Roberto Morgado Júnior e irmão de Roberto Morgado Neto, Borges deu arrancada irresistível rumo ao topo do ranking. Chegou ao tetracampeonato com absoluto merecimento. E, em breve, pode dar voos mais altos, fora do país. Nos bastidores existem fortes rumores da possibilidade dele se transferir para o exterior. Aulas de inglês, persona training, peso pluma e uma motivação que há algum tempo não fazia parte do seu cardápio, são sinais evidentes de que onde há fumaça pode haver fogo.
LEANDRO HENRIQUE LUTOU ATÉ O FIM
O jovem pernambucano Leandro Henrique, 19 anos, não foi presa fácil. Na semana decisiva da estatística assinou 34 montarias. Conseguiu levar a foto da vitória 10 puros–sangues, num desempenho excepcional. Impossível pedir a um jovem adolescente, como ele, que não fique abatido com a derrota neste duelo histórico. Entretanto, ele foi um herói. E os amigos e parentes devem lhe dizer isto. Jamais desistiu de lutar. Montou com garra, coragem e desprendimento. Mas o placar era adverso e quase impossível de reverter. A goleada por 10 a 4 não foi suficiente. E a suspensão, na corrida do próximo sábado, lhe tirou qualquer possibilidade. Se continuar no Brasil, com certeza, será sempre o favorito nas estatísticas dos próximos anos. Afinal, ele é apenas um menino, jogado as feras, e que tem mostrado dignidade, perseverança e força, para tentar domá–las. Desta vez, não deu.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Gaterie, do Stud Embalagem, fez belo galope de apresentação. Na corrida, a pensionista de Edson Ferreira surpreendeu as favoritas e conquistou o triunfo em violenta atropelada. Parabéns ao ex–jóquei do regime de freio, que tem se mostrado ótimo treinador. E boa direção do seu filho, Edson Ferreira Filho, que, a exemplo do seu pai, recebe poucas oportunidades.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Joe Amsterdã, do Stud Doce Ilusão, e treinamento de Leonardo José Reis, Leandro Henrique deu a melhor direção da semana. Correu o tordilho filho de Christine’s Outlaw poupado, por dentro, e nos 300 metros finais o arrancou por fora e fez partida curta e forte para dominar a carreira. Sensacional!
HORÁRIO FATÍDICO
Problemas de energia elétrica no Hipódromo de Cidade Jardim motivaram a troca do dia do simulcasting, com a Gávea, da segunda–feira para domingo. Pelo mesmo motivo aconteceu a antecipação das corridas paulistas, de sábado e domingo, para a hora do almoço. Algo precisa ser feito com urgência, para solucionar a questão, do contrário o Movimento Geral de Apostas vai diminuir cada vez mais.
